quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

As esquinas da vida

Chegou na empresa pontualmente às nove horas da manhã. Estava lacrada pela Justiça. Foi abordado por um oficial, identificou-se e foi levado à delegacia para prestar esclarecimentos. Não entendeu nada. Ficou tão desorientado pela situação ridícula que teve um ataque de risos. Pediu um advogado, e foi surpreendido pela pronta assistência.

Uma advogada que passava por ali imediatamente apresentou-se, entregou-lhe um cartão e disse que tudo ia ficar bem. Em seguida desapareceu. O delegado olhou para ele com desdém e disse - pediu um advogado e já foi atendido. Vai querer um chá gelado também? Agora fala tudo, conta aí o que eu quero ouvir e a gente acaba logo com este teatro. Vai, solta a garganta, doutor... conta tudo.

Tudo o que? O que vocês querem? Como assim? O que estou fazendo aqui? O que aconteceu com minha empresa? O telefone toca. O delegado atende e olha para ele com um olhar de raiva. Desliga e apontando a saída - saia daqui agora. Sai. Sai agora.

Mas, mas, espera, me explica alguma coisa. Dois agentes o carregam até a porta e o jogam na calçada. Ligou para os dois sócios, nada. Ligou para o deputado- mandou dizer que não estava. Ligou para o seu advogado - estava em reunião. Parou um táxi e seguiu para casa. A porta estava destrancada. Entrou e eis que depara com um bilhete preso em alfinete no sofá, escrito em letras garrafais de pincel atômico - Adeus. Nunca mais eu volto. A frase "Chega de escândalos" estava em batom no espelho do quarto.

Pensou, pensou, até começar a perceber que tinha algo ali o empurrando para um destino que até então se esquivara. Ligou para Leilinha, sua eficiente secretária, convidou-a para jantar e foram felizes para sempre.

É isto aí!






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