quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

É da casa da Valéria?

Alô? É da casa da Valéria?

Não, você ligou errado.

Desculpe, eu devo ter me confundido.

Tudo bem, não se preocupe, isto acontece.

Alô, por favor, a Valéria...

Olha só, não é daqui, você tem certeza que ela se chama Valéria? Desculpe eu te perguntar, mas você já ligou umas dez vezes neste número.

Sim, claro que tenho. Espere, puxa vida, eu não sei o que está acontecendo, pois  já liguei neste número e sempre falei com a Valéria. Olha, desculpa mesmo. Não sei o que ocorreu.

Tudo bem, estas coisas acontecem. Pode ser que há uma conexão. Como é esta Valéria?

Bem, ela é bonita, morena, 1,60 de altura, pesa uns 60 Kg, tem por volta de 37 anos, é advogada, divorciada, tem uma filhinha de três anos, mas, desculpe mais uma vez, eu não deveria estar falando estas coisas todas. Não entendo como liguei várias vezes para este número para falar com a Valéria. Eu peço mil desculpas pelo incômodo.

Flávio Renato, você é um idiota!

Espera aí, como sabe meu nome? 

Deve ser por que sou a sua mãe, em triste memória de gestação perdida para gerar um filho tão imbecil. 

Mamãe?!?! Puxa vida... mamãe, desculpa, eu não sabia, eu não deveria, eu não sei explicar esta confusão.

Não sabe uma merda. Esta Valéria deve ser mais uma destas rameiras que você paga para fingir que é homem. Em vez de casar com a Adalgiza, de quem sempre fiz gosto, vai procurar uma prostitutazinha da ralé, com filha sem pai, e ainda liga para mim achando que eu sou ela. Você é um imbecil, Flávio Renato, um idiota, um retardado, um banana, um débil mental, um fracassado...

Desculpa, mamãe, mas vou desligar, por que preciso urgentemente ligar para o meu analista.
No dia seguinte - Alô, eu queria falar com a Valéria...

Flavinho, que surpresa agradável...

Flavinho? Quem é você?

Sou eu, a Adalgiza, bem que a sua mãe falou que você queria conversar comigo, e que iria brincar de me chamar de Valéria. Alô, alô? Flavinho? Alô...

Alô, quem está falando?

É a Valéria, amor.

Você está na casa da minha mãe?

Não, amor.

Por acaso minha mãe te contratou para que você me desse um telefone onde ela também atende, e que era também  o seu, para que ela me deixasse constrangido e humilhado, além de armar para a Adalgiza falar comigo?

Eu, amor? Mas de onde você tira estas coisas?

É por que isto mexeu comigo, olha só, Valéria, precisamos conversar.

Não precisa, amor, já entendi, esta Adalgiza é a sua via preferencial. Tudo bem, eu já desconfiava que tinha outra, e não estou com raiva.

Enquanto isto - Alô! Adalgiza?

Valéria? Tudo bom, amiga?

Tudo bom, querida. Deu tudo certo, pode bater que a bola está na marca do penalty, vai que é seu.

Obrigada, amiga; minha sogra vai passar aí para acertar as despesas.

Valeu, querida, foi um prazer fazer negócio com vocês.

É isto aí!

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