segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Meu café na estrada

Dia destes, em solitária e exaustiva viagem, parei para abastecer o carro de combustível fóssil e a mente de cafeína. O hábito do café é atávico, afinal temos no nosso material genético esta necessidade desde a invasão da península ibérica pelos mouros, detentores da cafeicultura que antecedeu à formação da pátria mãe. 

Filosofava sobre isto, sobre os problemas do dia a dia e outras coisas tantas enquanto a mocinha servia um expresso duplo e fez careta ao saber que o tomaria puro. Respondi em silêncio total que quem bebe café com açúcar bebe qualquer coisa, por isto deixam de ser exigentes com seus gostos.

Na mesa à esquerda um casal jovem discutia em tom áspero e baixo sobre alguma coisa que um deles esqueceu no ponto de origem. À frente, duas senhoras distintas, destas vividas e maquiadas, riam em desalinho com a conversa que fluíam junto ao cavalheiro que as acompanhava. Ao fundo uma família completa, com os pais e três crianças inquietas e barulhentas como devem ser na infância. À direita um senhor na faixa dos setenta anos, bem vestido, e tal como eu também contemplava o nada enquanto provava vagarosamente o seu café.

Uma das crianças veio em direção ao senhor, e voltou os olhos às outras duas e à mãe, buscando o consentimento final e a coragem para abordar um estranho. Aproximou-se e perguntou-lhe, sussurrando, alguma coisa. O velho ficou olhando, olhando, divagando, olhando... e aí voltou ao planeta Terra abruptamente, com um grito extremamente agudo ao lado do seu ouvido em direção aos irmãozinhos - não falei? Ele está é dormindo mesmo.

E graças a este eficiente processo de comunicação infantil, resolvi tirar um cochilo no hotel local por mais algumas horas, não que precisasse, mas só por precaução.

É isto aí!

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