domingo, 15 de fevereiro de 2015

Que saudade!

Picasso_Old-Man
Saudade é uma coisa das mais esquisitas do mundo, matutou na cadeira do alpendre. Tudo fica tão vazio, como vazio é o espaço entre meu pensar e o existir dela. Na verdade tirei o dia para sofrer, começando com  a casa deserta, toda de janela arreganhada. 

Faço isto assim, por que quando estava aqui, ela logo corria para fechar e perguntava gritando se eu não sabia que o vento batia as portas. Eu ria até doer a barriga de ouvi-la dizer que o vento batia em alguém. Hoje sei do vento, uma coisa invisível, com tanta força, como a dor que sinto pela sua ausência de não estar mais aqui nem para fechar as janelas.

Deu que coloquei todos os discos proibidos para rodar, daqueles que me fazem chorar e a dor passar para um lugar estranho, onde fica esperando eu construir uma ponte para voltar. Como é que pode isto? Uma música, invisível igual ao vento, e bate tanto feito a saudade. Solidão demais assim me deixa confuso. Ela está lá, no passado, e eu aqui, ainda sem saber onde ir nesta estrada que ficou deserta, sem flor.

O violão lamenta com o suor das minhas mãos e as lágrimas que molham seu pinho. Morri com ela naquele dia, sabe, eu fui enterrado junto ao seu corpo, e ninguém acredita nisto. Sou uma coisa vagando em busca do selo da misericórdia. Vou abrir outra garrafa de vinho. Ontem escrevi um poema, liguei para o celular dela e declamei-o. Acho que gostou. 

Daqui vejo a mangueira velha e a nova, engraçado isto, por que quando era menino elas já existiam, plantadas pelo meu avô, mas ficaram com este estigma. Tem um tanto de outras árvores. A estradinha faz curva aberta na encosta do Cupim, assim batizado pelo enorme cupinzeiro ali edificado no tempo do meu pai. Lembranças, memória maldita, que não leva embora todas as vezes que a beijei aqui, vendo a tarde partir entre as estrelas do tempo. Que saudade, meu Deus, que saudade, que merda de saudade é esta?

É isto aí!

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