terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Volta, amor!

- Carminha, escuta, tenho medo de tudo, estou ainda confuso com o fim do relacionamento. Tenho medo de amar, medo de perder, medo de sair e medo de voltar. Medo, medo, medo, medo, medo - onde estou que não me encontro?

Estava bem, aí você vai ao leo e parte sem dizer adeus. Na hora, em pânico, até que fiquei sem esboçar dor, pranto, desespero ou lágrimas. Sabia que nenhuma lágrima derramei nesta manhã? Não, meu bem, nenhuma lágrima. Não chorei e nem pranteei na alma, por que tenho medo de não saber parar de chorar, de ter que explicar às pessoas os olhos esbugalhados e tristes, Tenho medo de mim.

Você é tão linda, tão simples, tão inteligente, cordial, educada, encantadoramente feminina, corajosa, valiosa, joia rara lapidada no ventre da humanidade e eu? Pois é! E eu? Não tenho o muito, tenho e sou o nada. Você linda, eu feio; você brinca, eu irrito; você rouca, eu fanho; você aguda, eu grave; você erótica, eu pudico ; você rica, eu pobre; você não sou eu e eu sou seu.

Nunca mais outra vez uma pessoa normal para os padrões de normalidade. Oh, dor! Oh, trevas! Onde estão os anjos que em miríades povoam esta casa com a sua presença? Onde estão as luzes que destroem todas as sombras da minha vida? 

Acabou, Armandinho?

Espera, fofinha, não desliga.

Armandinho, eu estou no escritório, trabalhando e você aí de férias bebendo sem parar. Assim que chegar em casa vou te mostrar o que é ter medo.

Mas Amelinha ...

O que é? Repete o que você falou aí? Me chamou de quê? Será que por acaso ouvi pelo nome horroroso da merda da prostituta da vagabunda da barranqueira da vadia da safada da piranha desqualificada da queridinha da sua mãe da sua ex-noivinha idiota?

Tem nada disto, amor, eu ia falar do mel da abelhinha e estava pensando numa geladinha, e já que toquei no assunto, quando chegar podia lavar a roupa que está no tanque, passar as que estão no armário e limpar o banheiro... alô... alô... Carminha... alô...

E foi assim que ela desapareceu. Não voltou nem para passar uma vassoura na poeira da sala. Vou te contar, viu, que mulherzinha ruim esta...

É isto aí!

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