sábado, 14 de novembro de 2015

O neurótico, Flora e o balsamo

Andava chateado, falando sozinho, gesticulando, irritado, bravo, nervoso, agitado, irado, mas pelo menos falava com alguém, e isto o acalmava, de certa forma.

Tanto fez que certa manhã pediu divórcio depois de doze anos, pediu demissão do emprego dos sonhos, pediu a conta da padaria da esquina, pediu a conta do buteco do Zé Flávio e depois de tudo feito, correu na Cantina da Ângela e pediu Creuzinha, a garçonete, em namoro.

Ela recusou o convite, mas aceitou uns amassos num flat de Guarapari. Findo o prazo de validade máxima de dez dias da paixão e tara pelas pernas da moça, voltou para casa, para o emprego e para a rotina.

Voltou a andar chateado, falando sozinho, gesticulando, irritado, bravo, nervoso, agitado, irado, mas pelo menos falava com alguém, e isto o acalmava, de certa forma.

Desta vez não pediu divórcio, mas fez abandono de lar, não pediu demissão, mas entrou com um atestado do psiquiatra, mas encerrou a conta da padaria da esquina e a conta do buteco do Zé Flávio e depois de tudo feito, passou na Farmácia do Seu Juquinha e pegou Flora, a balconista, para uma conversa no banco da praça.

Ela recusou o convite, pois era hora de trabalhar, mas passou a aceitar uns amassos num hotel barato de Caratinga. Findo o prazo de validade, não voltou mais para casa. Descobriu que Flora era o bálsamo benguê da sua dor nervosa.

É isto aí!

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