quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Eu só queria ver, abraçar e beijar e tocar meu bem (poemeu)

Dezessete e trinta,
faltam poucos minutos
Dezessete e trinta e oito,
quase lá
Dezessete e quarenta e três,
pouco pouco
Dezessete e cinquenta e oito,
vai, passa
Dezoito horas ...
é agora!!

Bater o ponto,
trocar de roupa,
descer as escadarias
E ver, abraçar
e beijar e tocar
meu bem

Passou pela portaria
rapidamente,
quase correndo
O segurança cerca
- pressa tem cheiro de furto

Pensou nos políticos
golpistas
que não
têm pressa
têm apreço
ao preço

Pensou na lista
dos ratos
portuários
estatutários
salafrários
e amoralistas
que não
têm pressa
têm adereços

Lembrou
dos agentes
passivos e ativos
da corrupção
endêmica
podres
e ricos
rindo da desgraça
da choldra
anêmica

E só
a sua pressa
tinha cheiro
de furto

Na ideologia
cínica
sempre cabe
primeiro
a convicção
medíocre
depois o luto

Mas tinha pressa
e empurrou o homem
Então
vários outros,
armados de lápis,
canetas e lcds
feito gatos selvagens
o imobilizaram

Qual é a pressa,
bandido
(agora já era bandido)
Fala
safado
(agora já era safado)

Tomou
um violento
golpe
no abdome (doeu)

Tomou
duas pancadas
de bastão
nas pernas (gemeu)

Tomou um,
dois,
vários
golpes
no corpo nu
(tudo escureceu)

Vinte e duas e dezoito
morreu
num beco imundo
do capital cogente
da capital indigente.

Nunca mais
meu bem
outra vez
seu bem
outra vez

sou só
e mais um
corpo morto
gauche,
pobre e torto
num estado falido
decompondo-se
em rigidez.

É isto aí!



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