quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Odete, a última ninfa do Lago Paranoá.

Há muito tempo meu Nokia não soava nas madrugadas. Mas nesta noite tocou tão suave, mas tão suave, que achei estar no Parnaso, com ninfas a me deleitar. Atendi e era Odete, a última ninfa do Lago Paranoá. 

Conta a lenda que de certa feita, numa calorosa recepção a determinado monarca de determinado país situado na Europa meridional, na Península Ibérica, às margens do mítico lago, Odete  foi,  de forma incandescente, alvo principal da luxúria dos sátiros da corte, com seu semblante de fada sem asas, leve e delicada, ao som e ao movimento sensualíssimo de flamencos retumbantes.

- Odete?!?! Puxa vida, que saudade!

- Amore, você é minha ausência, aquela parte em mim que fica vazia e repleta de saudade.

- Nossa! Odete, assim eu perco as palavras.

- Pierda las palabras, pero jamás la lengua, mi amor!!!

- Uau, esta foi demais. Mas a que devo a honra deste contato tão confidente e sedutor?

- Achei que nunca iria me perguntar. Bem, como sabe tudo que sei tem fonte e origem. Então, foi assim: eu estava em confortável posição social com o Afonsinho, quando ele recebeu uma ligação em viva-voz da sua esposa, a Lourdinha, que soube no salão da Batatinha, da voz de ninguém menos do que da Geraldinha, amante do 5° secretário da terceira secretaria do quarto departamento da segunda comissão mista do Congresso. Bem, este simpático agente público ouviu tudo da sua amante, que é terceira oficial do quarto comando da sexta divisão, que é casada com o sub-auxiliar do primeiro assistente do serviço de copas do palácio.

- Só gente séria, hem Odete? 

- Seríssimas, são as que mandam, fazem e desfazem nós de Brasília, amore. Então, como eu ia dizendo, a Lourdinha falou para o Afonsinho que o fenício saiu da tábua da beirada e foi para a pica do saci. A questão é que traiu para ser o predador, mas precisou de tubarões para conter a turba, e agora está temendo a turba traída e sendo devorado pelos tubarões da rua do muro, dito assim em linguagem tupy para não provocar mais censura além das convencionais. Segundo ela, da conversa toda resultou que enquanto os tubarões não comerem e beberem tudo, veja bem - tudo é tudo que há do oiapoque ao chuí, não largarão pindorama, para delírio dos idiotas de sempre, que ainda acreditam nas marchas com um deus da prosperidade pela família, poder, amantes e propriedade. 

- Não sei nem o que dizer, Odete ...

- Então não diga nada, amore, vem prá Brasília me ter até o mundo acabar e depois a gente vê o que faz com a sobra, vem, amore, vem me ter, você sabe que sou sua ninfa promiscua e fiel.

- Uau, eu ... eu ... eu ... alô ... alô ... alô ... droga, caiu a ligação enquanto eu ... ah! que merda, fico gago toda vez que me excito com ela.

É isto aí!


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