quarta-feira, 5 de abril de 2017

Profissionais da Terceirização - A Decepcionista

Como o presidento em trânsito determinou a terceirização como praxe na pátria amada, hoje vamos falar de uma que será muito requisitada:

A Decepcionista:

A Decepcionista é a profissional responsável por atuar com atendimento ao público em geral e às pessoas específicas em particular (amigas, inimigas, amigos, pretendentes, etc). 

Deverá promover uma decepção ética e altruísta em telefones, smartphones, em hotéis, motéis, pousadas, passeios e parques temáticos, hospitais, pronto-socorros, maternidades e ambulatórios, bem como em consultórios odontológicos e de psicanálise. Deverá evitar decepções em bancos, aeroportos e shoppings por motivo de segurança pública. 

Deverá frequentar velórios com o máximo de assiduidade possível.

O que mais faz ou desfaz uma Decepcionista?

Uma Decepcionista realiza agendamento de gafes, equívocos, manotas e mal-entendidos, além de desorientar a chegada e a partida de pessoais próximas, distantes, apaixonantes e principalmente alvos de conquista. 

Estão entre as principais responsabilidades atuar na decepção propriamente dita, atender e filtrar ligações amorosas, comerciais e virtuais; anotar recados estranhos e agendar visitas fora de hora com pessoas estranhas ao ambiente. 

Deverá também se responsabilizar pela devolução de materiais vencidos com defeito, fazer petições públicas, fazer o direcionamento de ligações perigosas entre partes envolvidas, envio e controle de mensagens por whatsapp, prestar apoio tático em ilações embaraçosas, monitorar e desorientar o controle emocional dos envolvidos. Prestará apoio na desorganização e no caos, na gestão de finais infelizes e até em ligações insistentes da ex, do ex ou outrem de igual valor.

Deverá deletar documentos importantes e arquivar os segredos pessoais do objeto alvo, apagar dúvidas e distribuir incertezas, não responder perguntas gerais e principalmente as específicas sobre suas funções. 

Em casos intrínsecos poderá direcionar as perguntas para outros envolvidos desqualificados a responder, que enviarão e produzirão mensagens mentindo ou desmentindo, e sobretudo organizá-los (os desqualificados) a distribuir as decepções em níveis de prioridade até chegar ao destinatário final,

Está qualificada também para executar arquivamento de cartões de amor, marcas de batom, reuniões secretas, e finalmente controlar todas as chaves e senhas que contenham registro de informações comprometedoras. 

O ideal é que seja graduada em Decepções por uma das inúmeras qualificantes Escolas Politécnicas sem Partido criadas e multiplicadas pelos homens de bem da pátria amada.

É isto aí!

2 comentários:

  1. Minas Gerais, 09 de abril de 2017

    Caro Paulo, presidento democrático da República da Pitangueira (sem eleição, mas também sem golpes)

    Na sua sociedade distópica, nem tão distópica assim... porque talvez você, com toda sua energia criativa, esteja desenhando um futuro mais próximo do que o Domingo de Páscoa, a Decepcionista seria uma carreira tão promissora quanto dos auditores das mais variadas áreas.

    A decepcionista é a profissão do futuro! Cabe em qualquer empresa, instituição, fundação e até para casos individuais. Ser responsável pelas decepções pessoais, sociais, organizacionais e ser paga por isto? Burocratizar decepções, catalogar desilusões e distribuir desapontamentos? Eu faria o trabalho, se não fosse tão pouco qualificada nesta área...só o faço por passatempo, de maneira completamente desorganizada e atravessada por inúmeras ideologias. Não dá, para mim não. Mas a profissão promete, pena não ter as garantias celetistas...vai ter que se submeter aos lances do mercado.
    É isto, ótimo final de domingo e uma semana sem decepções (ao pé da Pitangueira é ainda possível, eu acho).
    Amanda

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    1. Minas Gerais, Domingo de Ramos de 2017

      Prezada Amanda

      Maestra das letras e das percepções do mundo feminino.

      Sabe que eu fiquei também pensando muito nesta moça - a decepcionista profissional. Ela está verdadeiramente na vida de cada um de nós e custamos a nos dar conta. É paga pelo empresário, protegida pelo supervisor/coordenador/gerente etc para manter os funcionários estressados - em tese as pessoas produzem mais e cobram menos neste estado.

      E quanto à Pitangueira, é um reino e eu sou democraticamente o dono do reino (rs) auto-denominado, auto-intitulado Rei, claro, afinal é um reino e não um império (e nem pretende ser)

      Fico feliz quando você vem aqui!

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