terça-feira, 18 de julho de 2017

Qual é o sentido da minha vida?

Num momento zero qualquer questionei em sendo a morte uma coisa a ser definida em vida, enquanto a inteligência artificial científica avança inexoravelmente no sentido contrário, qual seria o sentido da minha vida? 

Qual é o sentido da vida? 
O planeta está dividido em crenças, para ficarmos apenas nas quatro maiores que somam 5,5 bilhões de pessoas vivas (hinduísmo, budismo, islamismo, cristianismo), apresentando facções, grupos, sub-grupos, neo-filosofias, neo-teologias, etc.  

Qual é o sentido da vida? 
O mesmo planeta está dividido em três atores principais, cada um defendendo de uma forma imposta, na maioria das vezes repressiva, os seus dominados, que sem opção de escolha são aqueles que os dominantes julgam serem inferiores aos seus super poderes de destruição em massa (literalmente).

Os reprimidos não têm direitos, mas há aqui um fator interessante - os repressores oprimem tanto os reprimidos externos quanto seu próprio povo - esta é uma intensa gravidade deste sentido da vida - a repressão e a opressão estão juridicamente e militarmente democráticas sem as peculiaridades demográficas, dependendo do grau de interesse do dominante.

Qual é o sentido da vida? 
O planeta tem ódio racial tão grave quanto ódio religioso. Pessoas de um mesmo credo são capazes de não dividirem a mesma chama salvífica pela cor da pele. Imagine só - sob a pele a mesma natureza, mas sobre o corpo espécies distintas - uma pele, um manto de 0,5 a 6 mm de espessura é a capa da invisibilidade para uns e o manto real glorificado para outros.

Qual é o sentido da vida? 
Tráfico de seres humanos vivos para os mais distintos interesses (sexo, escravidão, servidão, sadismo, pedofilia, etc). 

Tráfico de órgãos de seres humanos para salvar (?) vidas. É claro que não se faz um tráfico de órgãos sem se conhecer o histórico clínico, bioquímico, genético e anátomo-patológico do doador previamente (opa, como, quando e de que forma se dá isto?)

Tráfico de drogas lícitas, ilícitas, alucinógenas, abortivas, excitantes, anti-depressivas, erotizantes, etc - exploração do mal estar da civilização pelo vazio existencial da busca pelo sentido da vida. 

Tráfico de influência, de ciência, de domínio, de tecnologia, de idiotices, asneiras, barbáries, transgressões, sentenças, denúncias, delações, relações, tráficos de tudo e de todos.

Tráfico de informações confidenciais - nossa vida é um livro aberto para o sistema cibernético. Tudo que somos, fazemos e temos está lá em algum ponto da deep web, sob um código binário, aguardando a necessidade de ser utilizado.

Qual é o sentido da vida?
Partidos políticos são ingredientes de um mesmo bolo, o bolo do poder, o poder que não pondera, o poder que é o sentido da política, que influencia todos os desejos da vida. Poucos bebem da água limpa, alguns morrem de sede, outros vivem das gotas que caem dos seus senhorios. Não existem partidos bons, existem os que aliam interesses sociais e econômicos em concentrações distintas que podem agradar este e desagradar aquele. É um sem sentido que busca algum sentido para segmentos.

Qual é o sentido da vida?
Amar é um verbo transitivo direto da primeira conjugação, que pode promover vida ou morte. A vida pode ser eterna ou durar 15 minutos, e a morte pode ser fisica ou psicológica.

Amar perdeu o significado que nunca teve. Ao ser humano, as relações biológicas, tal qual a religião, foram se subdividindo como processos filosóficos intuitivos, processos sociais ou algo neste sentido.

Hoje, e este hoje se estende há pelo menos cem anos, o sexo refere-se como um ato de amor, as relações cis e trans (entre si e per si) - efêmeras, ao acaso, contratadas ou segmentadas se engalfinharam como e por atos que se autodenominam amor - as paixões se tornaram atos de amor, bem como as delações, as prendadas belas e recatadas do lar, o cartão de crédito, Paris, tudo virou um suco de amor - de repente, não mais que de repente o amor é como uma estação florida no meio do deserto, uma moda primaveril em pleno inverno.

Em qual sentido tomou o rumo do amor próprio, do amor ao próximo, do amor que dói? Perdeu-se ou perdemos a Dor por se tratar de rima pobre? Escondeu-se pela ineficácia de recursos humanos pós-internet? Este adjunto adnominal estaria escondido das redes sociais para ser eliminado por abandono ou para nos preparar para a mecanização da vida? Qual o sentido destas relações assépticas, sem dor? 

Qual é o sentido da vida?
Ao passo que apostos e vocativos têm crescimento exponencial, o eu vai desaparecendo. Cada vez mais as pessoas precisam que seu nome esteja vinculado ao sentido das suas ações reais ou virtuais, já não mais se distinguem, mas apresentam-se online maiores que sua própria vida.

Qual é o sentido da vida quando um filho morre?
Qual é o sentido da morte quando um inimigo nasce?
Qual é o sentir do sentido da vida na morte e o sentido da morte na vida?

É isto aí! 

2 comentários:

  1. Minas Gerais, 19 de julho de 2017

    Paulo Abreu - o filósofo das minhas noites sem sonhos -
    que texto! Foi dos mais bonitos, mas também dos mais silenciadores que vi por aqui. Acabava de sentir o poema, do Ruy Belo, partilhado um pouco antes e bastante comovida ainda cheguei a esta dolorosa/desconcertante/ angustiante/remota interrogação "Qual é o sentido da minha vida?".

    Digo que é silenciador, porque depois dele eu só repeti a leitura algumas vezes e não soube o que dizer, como ainda não sei. Mas é, ao mesmo tempo, inquietante, por isso não deixaria de dizer o quanto é bonito e triste.
    É claro que não tentaria nenhuma resposta a esta questão que também me circunda. Mas essa tormentosa falta de sentido é, em cada cadeira da gangorra, desejo de encontrá-lo e aceitação de não ter nenhum.
    Qual o sentido de qualquer coisa? É só ser, talvez.
    Boa noite, boa semana, boas questões e textos
    Abraços,
    Amanda

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    1. Minas Gerais, 19 de Julho de 2017

      Amanda Machado - a menina que traduz a vida urbana em prosa e verso

      Muito obrigado pelas suas palavras. Fiquei feliz em ler o que escreveu e fiquei feliz em ter você aqui. Sempre fico feliz assim quando você vem.

      Um abraço

      Paulo

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