quinta-feira, 3 de agosto de 2017

Aqui jaz ninguém

Eu queria falar do golpista
tão minúsculo  pequenino 
porém  não desejo alongar
nem rebaixar nem incomodar
Por que queria falar do golpista
ninguém é algo tão estranho
quanto é estranho o fulano
o beltrano do mal perpétuo
que não passa de ninguém
um ninguém desprezível
nas histórias de alguém.
Outro lá além se lembrará
das malas dos malas maias
certo refém há de lembrar
da bela e recatada do lar
mas nunca nunca nunca
ninguém será lembrado
pelo que ele significou
não vale as lágrimas
do lapso deste vazio
de uma bola murcha
num canto do campo
será sempre marginal
eu queria falar disto aí
será sempre um bandido
mas não sei falar dos mortos
nem dos adoradores de coisas
de pecados em pilhas de papeis
pois da sua vida canalha e maldita
apenas permitirá à história o epitáfio
aqui jaz ninguém.

É isto aí

2 comentários:

  1. Eu prefiro não falar do ninguém e sobre o que ele tem causado a todo mundo. Fico com o poema-conto, este sim, ficará! O outro passará...ah sim, passará!
    Muito bom, Paulo!

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    1. Não é triste? Um país tão bonito de canalhas tão bandidos. Mas assim caminha a humanidade. É necessária a dor para se entender o que é bom e o que é ruim - as gerações se esquecem que do que as anteriores experimentaram.

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