terça-feira, 19 de setembro de 2017

Populus novifacta

Ainda não conseguira assimilar as notícias da semana anterior e ontem vieram mais reportagens de alto conteúdo intelectual na grande e honesta e imparcial mídia tupi-guarani deitada eternamente nas tetas da mãe pátria, digamos assim.

1 - Foi empossada uma nova autoridade nacional que afirmou o dever de garantir que ninguém esteja acima ou abaixo da lei. 

Sou do tempo que Dodge era carro de médico ou de rico. Os dodge dos médicos eram brancos. Mas, tudo bem, vamos ao que interessa nisto tudo:

O poder superior estuda devolver o processo contra o Golpista de Plantão à nova autoridade empossada para "revisão analítica". Quatro senhores da alta corte já se manifestaram neste sentido.

É aí que o "ninguém" começa a fazer sentido ...

2 - O Golpista de Plantão descalçou seu vulcabrás diante da magestade (sei, é com j, mas no caso o g fica melhor, afinal é uma magestade mor dos magestadinhos), recapitulando - descalçou diante do supremo padrinho das maravilhas do poder corrompido. Que lindo, foi lá só para dar o que não era dele, afinal no dos outros não dói no seu eu interior de baixo para cima.

3 - Os grandes agentes da lei e do bom uso delas para a salvação, libertação e gozos múltiplos da raça humana voltaram os olhos para o tratamento de pessoas que não estão no padrão determinado pela tradição, pela família, pela propriedade e pela fé de se manterem relacionados de forma não convencional conforme modos e costumes constantes e vigentes em todo o planeta para atender aos eleitos mamíferos bípedes com polegar opositor capazes de raciocinar e de se tornar inimigo de outro que raciocina de forma diferente.

O que é ser convencional? O que uma pessoa tem a ver com a vida da outra que não está inserida na sua vida? Não basta o racismo imbecil pela pigmentação da pele, pelo cabelo, o preconceito pela condição social, a pedofilia, as taras convencionais medidas na multiplicação dos milionários sites pornográficos, dos sex-shops virtuais e reais?

Eis que mais uma vez a maravilhosa, esplendorosa, e super-gozosa tradicional família do império dos homens de bem determina que os filhos dos outros podem e devem ser tratados para voltarem do desvio de conduta ao qual se infiltraram, quer seja por livre e espontânea vontade, quer seja por livre e espontânea pressão.

Faltou dizer que caberá ao Estado honrar pela cura dos seus súditos, menos os que conseguem disfarçar num típico engana-mamãe e permanecem quase iguais aos convencionais do bem. Aos degenerados, impudicos, maculadores da ordem social, aos desviados e desviadas, aos desveados e desveadas, saibam que a partir de agora deverão permanecer  incólumes, nem acima e nem abaixo da lei ... - agora faz sentido total o dura lex apud populus novifacta!



É isto aí!

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