sexta-feira, 10 de julho de 2020

PAULINHO MOSKA E CHICO CÉSAR - SAUDADE

Paulinho Moska e Mart'nália - Zoombido - Entretanto

Sem comentários

Já a alguns meses o sistema de comentários do Blog não está funcionando. Já solicitei diversas vezes ao Blogger uma solução que ainda não ocorreu.
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quinta-feira, 9 de julho de 2020

Jazzilian- Samba em Prelúdio


Artist: Jazzilian
Song: Samba Em Preludio

Music By: Baden Powell
Lyrics by: Vinicius de Moraes
Licensed: Tonga Editora
Arranged and produced by: Jose Gallegos
Associate Producer: Sergio Brandao
Vocals — Beatriz Malnic
Bass — Don Wilner
Drums — Jose Duque 
Piano — Jose Gallegos

Special Guests
Romero Lubambo — A.Guitar
Billy Ross — Sax and Flute
Recording studio - M Plus Music, Miami Fla
Audio Engineer — Waldy D
Mixed by — Sammy Velazquez

Jogal Music Co. BMI
Tonos Music Publishing
Tonos Music GMBH

FLOR AMOROSA (Joaquim Callado e Catullo da Paixão Cearense) por Lysia Condé


Flor amorosa
Catulo da Paixão Cearense

Flor amorosa, compassiva, sensitiva, vem porque
É uma rosa orgulhosa, presunçosa, tão vaidosa
Pois olha a rosa tem prazer em ser beijada, é flor, é flor
Oh, dei-te um beijo, mas perdoa, foi à toa, meu amor
Em uma taça perfumada de coral

Um beijo dar não vejo mal
É um sinal de que por ti me apaixonei

Talvez em sonhos foi que te beijei
Se tu pudesses extirpar dos lábios meus
Um beijo teu tira-o por Deus
Vê se me arrancas esse odor de resedá

Sangra-me a boca, é um favor, vem cá
Não deves mais fazer questão
Já perdi, queres mais, toma o coração
Ah, tem dó dos meus ais, perdão
Sim ou não, sim ou não
Olha que eu estou ajoelhado

A te beijar, a te oscular os pés

Sob os teus, sob os teus olhos tão cruéis
Se tu não me quiseres perdoar
Beijo algum em mais ninguém eu hei de dar
Se ontem beijavas um jasmim do teu jardim

A mim, a mim
Oh, por que juras mil torturas
Mil agruras, por que juras?
Meu coração delito algum por te beijar não vê, não vê
Só por um beijo, um gracejo, tanto pejo
Mas por quê?

CORTA-JACA (Chiquinha Gonzaga e Machado Careca) por Lysia Condé


Neste mundo de misérias
Quem impera
É quem é mais folgazão
É quem sabe cortar jaca
Nos requebros
De suprema, perfeição, perfeição
Ai, ai, como é bom dançar, ai!
Corta-jaca assim, assim, assim
Mexe com o pé!
Ai, ai, tem feitiço tem, ai!
Corta meu benzinho assim, assim!
Esta dança é buliçosa
Tão dengosa
Que todos querem dançar
Não há ricas baronesas
Nem marquesas
Que não saibam requebrar, requebrar
Este passo tem feitiço
Tal ouriço
Faz qualquer homem coió
Não há velho carrancudo
Nem sisudo
Que não caia em trololó, trololó
Quem me vir assim alegre
No Flamengo
Por certo se há de render
Não resiste com certeza
Com certeza
Este jeito de mexer
Um flamengo tão gostoso
Tão ruidoso
Vale bem meia-pataca
Dizem todos que na ponta
Está na ponta
Nossa dança corta-jaca, corta-jaca!

segunda-feira, 6 de julho de 2020

Mas ... onde vai a felicidade?


Chorou pela última vez às quatro horas da manhã. Teve um sonho estranho onde as pessoas não se encaixavam nas cenas. Era como um teatro do absurdo, cuja expressão foi cunhada pelo crítico inglês Martin Esslin (1918 - 2002) no fim da década de 1950 para abarcar peças que, surgidas no pós-Segunda Guerra Mundial, tratam da atmosfera de desolação, solidão e incomunicabilidade do homem moderno por meio de alguns traços estilísticos e temas que divergem radicalmente da dramaturgia tradicional realista. .
Levantou-se com dificuldade pela dor nas articulações, fez as orações e o rito da ablução tantas vezes repetidas que já não fazia sentido inverter a ordem. Foi à cozinha, preparou o café, sem açúcar - de doce já basta a vida, repetia sempre. Sentou-se à mesa, na copa, de frente para as montanhas, na gelada manhã que demorava a se pronunciar e contemplou o nada.

Passou na memória uma fala do personagem Vladimir em "Esperando Godot" , obra imortal do Nobel da Literatura, o irlandês Samuel Beckett (1906 - 1989):

“O que estamos fazendo aqui, essa é a questão. Foi-nos dada uma oportunidade de descobrir. Sim, dentro desta imensa confusão, apenas uma coisa está clara: estamos esperando que Godot venha…

O certo é que o tempo custa a passar nestas circunstâncias, e nos força a preenchê-lo com maquinações que, como dizer, que podem, à primeira vista, parecer razoáveis, mas às quais estamos habituados. Você dirá: talvez seja para impedir que nosso entendimento sucumba. Tem toda a razão. Mas já não estaria ele perdido na noite eterna e sombria dos abismos sem fim?” (Vladimir)

Enquanto tomava o café, meditava: na fala de Vladimir e nos absurdos da sua vida.

O que estou fazendo aqui? Pensou e a refletiu que a resposta nunca vem - Godot, Deus, os Anjos, os Santos, o Sentido da Vida, a Felicidade ou quem de direito de igual quilate nunca aparece para dar explicações, filosofou .Mais uma vez chorou, percebeu o imenso vazio da solidão no meio de sete bilhões de humanos vivos no mesmo planeta. 

- Viver é arriscado demais, pensou, não tem manual de instruções e a única certeza é a morte, mas enquanto elas não aparece, qual caminho tomar? Onde ir? O que fazer? Alguém em algum lugar deve ter a resposta, mas espere, eu tenho a resposta ... hummmm ... melhor que não, mas espere, tenho outra resposta ... hummmm, será? Não, melhor que não. Amanhã pensarei nisto novamente ... não, espere, eu já sei ... hummmm ... não vai dar certo. Quem sabe quando eu encontrar coma  felicidade saberei a resposta? É isto!!!! Encontrar com a felicidade. Mas ... onde mas a felicidade? 

É isto aí!


Você está com vergonha de mim?


O casal entrou em crise de relacionamento. Primeiro o rompimento, depois as aproximações discretas e por fim o canal aberto para a discussão do cerne da questão.

- Querida, preciso ter uma conversa séria com você.
- Sim amor, pode falar, que eu te escuto.
- Você está com vergonha de mim? perguntou o rapaz.
- E por que eu deveria ter vergonha de você? respondeu a moça.

Então ele recuou. Que pergunta estúpida foi esta que eu fiz? Pensou, mas não disse. Fingiu que não escutou a réplica e ficou refletindo - por quê ela teria vergonha de mim? 

A verdade é que a rebatida da amada acabou com todos os argumentos possíveis e a serem inventados. Ali, no golpe seco da raquete na genial devolvida da bola, ela fechou o set que lhe deu o game num lance fenomenal, que só as grandes campeãs de tênis são capazes de jogar.

Já sei, pensou, eu não perguntei se ela tinha vergonha da minha pessoa e sim se ela tinha vergonha de si em relação à minha pessoa. Não, espera, não foi nada disto. Eu quis saber se a vergonha é um elemento que pode intervir no nosso, digo, no meu, digo, no dela, enfim, a vergonha em si não seria o problema.

Evoluiu um pouco mais o raciocínio, colocando-se no campo de novas hipóteses, mas acabou ficando sem argumentos - Mas que mulher danada esta, hem! Numa única bola levantada ela bate seco e liquida a discussão. 

Enquanto pensava pensava, de longe foi ouvindo uma voz mansa, gostosa, meu bem ... meu bem ... me beeeeemmmm...meu bem ...

Era ela a chamar-lhe ao mundo real. No que você estava pensando?

Olhou para ele, bem no fundo do olhar dele e disse com sua voz aveludada, no tom feminino da sedução total - meu bem, me abraça apertado e me beija logo, vai.

Eu te amo!
Eu também te amo!
Você sabe tudo, querida.
Você sabe tudo, eu acho, querido.

Neurônios aceleraram ... O que será que ela quis dizer com "eu acho"? Descobri, eu sabia, ela tem vergonha de mim por que eu não sei jogar tênis e rebater tão bem quanto ela.

Mas o dia era dela - amor, para de pensar, foca em mim, sua delícia, e me beija mais mais mais, me aperta, me chama de delícia ...

Mais tarde:

Ainda estou aqui pensando. Espera...tem nada a ver com tênis, raquete, voleio, set e game. É um enigma. Ainda vou decifrar o segredo deste "eu acho"... Pronto, agora posso apagar a luz.

Amor, para de pensar ... vem deitar comigo ...

É isto aí! 

A verdade é, na sua essência, anônima.



Foto   : Pintura da série Weird Beauty traz perfil em preto pintado sobre rosto de modelo para criar ilusão de ótica (Foto: Alexander Khokhlov e Valerya Kutsan)


O que é a verdade?

Na sua essência, é anônima, salvo um ou outro pensamento nominal, já a mentira tem data, testemunhas oculares, ocorrência, provas materiais e circunstanciais a gosto dos ouvintes e expectadores ... (Paulo Abreu)

Não há fatos eternos, como não há verdades absolutas.(Friedrich Nietzsche)

Às vezes, a única coisa verdadeira num jornal é a data.(Luis Fernando Veríssimo)

As convicções são inimigas mais perigosas da verdade do que as mentiras.(Friedrich Nietzsche)
    
Nem todas as verdades são para todos os ouvidos.(Umberto Eco)

As verdades podem ser nuas - mas as mentiras precisam estar vestidas.(cultura judaica)
 
Sempre acabamos adquirindo o rosto das nossas verdades.(anônimo)

Não procure a verdade fora de ti, ela está em ti, em teu ser. (anônimo)

Dentre os mais dignos predicados de um homem está o de saber dizer a verdade. (anônimo)

A maioria das verdades fundamentais da vida parecem absurdas da primeira vez que as ouvimos. (anônimo)

A verdade se corrompe tanto com a mentira como com o silêncio.(Cícero)

Todas as grandes verdades começam por ser blasfêmias. (anônimo)

A verdade jamais é pura e raramente é simples. (Oscar Wilde)

A paz exige quatro condições essenciais: verdade, justiça, amor e liberdade.(João Paulo II)

Não existem meias-verdades. (anônimo)

Que as mentiras alheias, não confundam as nossas verdades. (anônimo)

Seja o dono da sua própria verdade, não deixe que o mundo as criem para você. (anônimo)

Duas semi-verdades não fazem uma verdade. (anônimo)

Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir. (Sócrates)

A verdade é filha do tempo, e não da autoridade. (Galileu Galilei)

A justiça pode irritar-se porque é precária. A verdade não se impacienta, porque é eterna. (Rui Barbosa)

Falar a verdade é sempre mais eficaz a longo prazo do que qualquer mentira bem elaborada. (anônimo)

Três coisas não podem ser escondidos por muito tempo: o sol, a lua e a verdade. (Buda)

A verdade não tem valor enquanto houver a ausência de vontade indomável de transformar essa percepção em ação! (anônimo)

De erro em erro, vai-se descobrindo toda a verdade.(anônimo)

A verdade de outra pessoa não está no que ela te revela, mas naquilo que não pode te revelar. Portanto, se quiser compreendê-la, não escute o que ela diz, mas antes, o que ela não diz. (anônimo)

Depois da primeira mentira, toda verdade vira dúvida.(anônimo)

Mesmo que tente distorcer a verdade, certamente chegará o momento em que ela será provada, ou melhor, devemos comprová-la a todo custo. (anônimo)

O medo cala a boca dos inocentes e faz prevalecer a verdade dos culpados. (Karl Marx)

A desilusão é a visita da verdade. (Chico Xavier)

Uma mentira, se repetida várias vezes, acaba se tornando uma verdade. (anônimo)

Numa época de mentiras universais, dizer a verdade é um ato revolucionário. (George Orwell)

A verdade dói, a mentira mata, mas a dúvida tortura. (anônimo)

Uma verdade enfraquece quando tenta esconder uma única mentira, e uma mentira fica mais poderosa quanto mais verdades tenta esconder. (anônimo)

A verdade é que todo mundo vai te machucar, você só tem que escolher por quem vale a pena sofrer. (anônimo)

A paz, se possível, mas a verdade, a qualquer preço. (Martinho Lutero)

As pessoas não querem ouvir a verdade pois não querem que suas ilusões sejam destruídas. (anônimo)

Não erra o homem que procura a verdade e não a encontra; engana-se aquele que, por medo de errar, deixa de procurá-la. (anônimo)

Não há mentira que dure para sempre, assim como não existe verdade que não apareça. (anônimo)

Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia, mas uma meia mentira não será nunca uma meia verdade. (anônimo)

Os olhos que só enxergam a mentira quando percebem a verdade, cegam. (Karl Marx)

O problema é que costumamos acreditar na mentira e duvidar da verdade. (anônimo)

Quanto mais se tenta esconder a verdade, mais ela se torna visível aos olhos alheios. (anônimo)

A verdade tem três estágios: primeiro ela é ridicularizada, depois contestada, e, finalmente, aceita. (Arthur Schopenhauer)

A verdade dispensa enfeites. A verdade é verdade por si só. (anônimo)

As únicas pessoas que se enfurecem ao ouvir a verdade, são aquelas que vivem na mentira. (anônimo)

Tentar esconder a verdade é a situação mais vergonhosa que alguém pode colocar a si mesmo. (anônimo)

A justiça é a verdade em ação. (anônimo)

Existe apenas duas certezas nessa vida: a primeira é que todos iremos morrer; a segunda é que a verdade, uma hora ou outra, irá aparecer. (anônimo)

É isto aí!

sábado, 4 de julho de 2020

A inevitável tristeza (Paulo Abreu)



Gosto das palavras
que não alimentam a dor. 
mas carregam paz, livres
nas lavras da vida.

Descrever você,
traduzir suas lágrimas
em sua face pálida
é ação desmedida

Você está no âmago
deste amor, quer
nas palavras cálidas
quer nas mágoas.

Adeus é uma partida
que quando acontece
a inevitável tristeza
não cicatriza 

É isto aí!


quinta-feira, 2 de julho de 2020

Cartas de Amor XXX


Planeta Terra, 3° do Sistema Solar, Via Láctea, Zona Sul

Querida, não sei dizer adeus

Meu bem, há o quantum que nos une, este menor valor de grandeza física real e mensurável das frações quantizadas, tais como a energia e o momento angular de apenas um fóton em um átimo de existência pensante. Falando nisto, querida, a neurociência sabe que "pensar" é tão eficaz como andar meia hora na esteira e correr 30 minutos a uma velocidade de 8,5 km/h ou dançar até cair em uma pista de dança, pois serão queimadas as mesmas calorias.

Como pode perceber, pensar em você, além de extrema atividade intelectual, é física também. Veja, querida,  o cérebro humano consome 20% do oxigênio e da glicose do organismo e já que em estado basal nosso cérebro pode consumir 350 calorias em 24 horas, isso é, 20% do que costumamos gastar por dia, e o seu combustível é a glicose, da qual obtém o ATP necessário para realizar todos os processos metabólicos, você me faz consumir cerca de 5,6 miligramas de glicose para cada 100 gramas de tecido cerebral por minuto que dedico à sua lembrança. Pensa nisto em termos energéticos!! Uau - você é minha usina nuclear..

Meu bem, preciso falar do movimento de rotação que faço no entorno da sua existência. Como você me energiza, me faz entrar em movimento. Este fato trás consigo uma propriedade chamada de quantidade de movimento, e executando este movimento de rotação, teremos, veja bem querida, nosso momento angular, que é uma das propriedades básicas da vida e está intimamente relacionado com a tendência do meu amor em continuar o estado de movimento circular. ao seu. O momento angular é uma quantidade vetorial, portanto, apresenta módulo, direção e sentido bem definidos. É você, meu bem, a direção e o sentido da minha vida.

Como sabe, não sei escrever cartas de amor, não sei falar palavras bonitas, sou o que sou, mas esta sua existência ausente ou sua ausência existencial não me causa angústia, e sim esperança. Não saberia de outra forma tentar explicar ou como dizer deste processo, que me alimenta continuamente.

Querida, assim como há o mistério de uma alma coabitar um corpo e ambos coexistem,  dois corpos podem ocupar o mesmo lugar no espaço, conforme haja variações propícias de intensidade de força, de direção de movimento e de disposição das moléculas que constituem a matéria de seus corpos - a isto chamo de amor, do meu amor por você.

É isto aí!

O Jogo da Amarelinha, capítulo 7 (Julio Cortázar)


(Brigitte Bardot e Alain Delon 1961)

Toco a sua boca com um dedo, 
toco o contorno da sua boca, 
vou desenhando essa boca 
como se estivesse saindo da minha mão, 
como se, pela primeira vez, 
a sua boca entreabrisse, 
e basta-me fechar os olhos 
para desfazer tudo e recomeçar. 

Faço nascer, de cada vez, 
a boca que desejo,
a boca que minha mão escolheu 
e desenha no seu rosto, 
uma boca eleita entre todas, 
com soberana liberdade, 
eleita por mim para desenhá-la 
com minha mão 
em seu rosto, e que, por um acaso, 
que não procuro compreender, 
coincide exatamente com a sua boca, 
que sorri debaixo daquela que minha mão desenha em você. 

Você me olha, de perto me olha, 
cada vez mais de perto, 
e então brincamos de ciclope, 
olhamo-nos cada vez mais de perto 
e nossos olhos se tornam maiores, 
se aproximam uns dos outros, 
sobrepõe-se, e os ciclopes se olham, 
respirando confundidos, 
as bocas encontram-se e lutam debilmente, 
mordendo-se com os lábios, 
apoiando ligeiramente a língua nos dentes, 
brincando nas suas cavernas, 
onde um ar pesado vai e vem, 
com um perfume antigo e um grande silêncio. 

Então as minhas mãos procuram afogar-se no seu cabelo, 
acariciar lentamente a profundidade 
do seu cabelo, 
enquanto nos beijamos 
como se estivéssemos com a boca cheia 
de flores ou de peixes, 
de movimentos vivos, de fragrância obscura. 

E se nos mordemos, 
a dor é doce; 
e se nos afogamos num breve 
e terrível absorver simultâneo de fôlego, 
essa instantânea morte é bela. 

E já existe uma só saliva 
e um só sabor de fruta madura, 
e eu sinto você tremular contra mim, 
como uma lua na água.


O jogo da Amarelimha é um dos clássicos da Literatura Mundial, leitura imperdível e atemporal.





quarta-feira, 1 de julho de 2020

Estágios da evolução no ano 2798 DC


Ano terrestre 2798 DC

No guichê:

- Nome?

- Sim, tenho nome.

- E posso saber seu nome?

- Porquê?

- Para preencher este cadastro.

- Cadastro? Como assim cadastro?

- O cadastro para o qual o senhor entrou na fila para preencher aqui, no guichê 32.

- Aqui é o guichê 32? 

- Sim, é aqui mesmo.

- Mas a mocinha do colete amarelo disse que esta era a fila do guichê 45.

- Impossível, senhor. Nome completo, identidade, cpf, comprovante de endereço e estado civil, agora.

- Porquê?

- Já te mostro. Fica parado aí. Seguranças, guichê 32 urgente.

Com os Seguranças:

- Queira ter a gentileza de nos acompanhar.

- Perfeitamente

- Por obséquio, queira ter a gentileza de aguardar nesta sala até ser chamado.

Com os agentes de segurança pública:

- Boa tarde, senhor. Somos agentes da segurança pública, meu nome é Cabo João Tal e meu companheiro é soldado José Til. Solicitamos ao senhor a gentileza de nos acompanhar até a delegacia.

- Perfeitamente.

Com o delegado de plantão:

- Obrigado por estar aqui conosco, senhor, perdoe todos os transtornos causados. De acordo com o relato dos agentes envolvidos, o senhor confirma que cometeu um delito liliputiano em área pública restrita ao bom funcionamento do serviço público?

- Perfeitamente.

- O senhor está liberado sem transgressões que justifiquem a penalização, mas antes preciso de suas informações pessoais para preencher a burocracia plutocrática do Grande Sagrado, com seus dados.

Com o escrivão:

- Nome?

- Sim, tenho nome.

- E posso saber seu nome?

- Porquê?

- Para preencher esta ocorrência.

- Ocorrência? Como assim ocorrência?

- A ocorrência para a qual o senhor foi citado referente ao episódio no guichê 32.

- Mas aqui não é o guichê 45. 

- Nome completo, identidade, cpf, comprovante de endereço e estado civil, agora.

- Porquê?

- Por gentileza, o senhor tem consigo algum documento?

- Perfeitamente.

- E o senhor pode ter a delicadeza de entregar-me seu documento?

- Ah! Finalmente alguém me pediu uma identificação humana.

- Identificação humana? Como assim?

- É que sou do quarto planeta, Draf-Liu, do Sistema Solar de Panter-12, na área central da Via Láctea, e lá não temos este costume.

- Agora entendi. O senhor é daqueles consumidores de Absinto Azul, na área proibida Por favor, me acompanhe até a saída. Está tudo bem, não entre em pânico.

Ao comandante da espaçonave

- Coronel, podemos ir sem necessidade de retornar tão cedo. Eles precisam evoluir muito ainda. Não conseguem enxergar a alma uns dos outros. Estão mais educados, mas ainda precisam de dados materiais para identificarem as pessoas, imagina só ...

É isto aí!


O homem estranho



Sujeito apareceu de tardinha na venda do Manoel Onório. Era alto, quase dois metros, meio esquisito, meio estranho, meio diferente, tinha umas roupas que não eram roupa de gente normal, pareciam panos enrolados e falava com sotaque de gaúcho imitando português da fronteira espanhola do norte. Enfim o sujeito era muito esquisito. 

Tinha um chapéu de aba larga e uma capa amarela imensa, impermeável, que cobria até os pés, protegidos por uma bota emborrachada de cano longo. A tiracolo uma bolsa de couro impermeabilizada. Supostamente estava desarmado, mas isto nunca soubemos. 

Corri os olhos na rua e não vi animal algum, nada, nem charrete nem bicicleta. A chuva ameaçava cair em dilúvio, o vento soprava frio e fraco, a venda estava com lotação máxima como de costume. As pessoas foram espaçando para o homem passar até chegar ao balcão. Uma vez lá, bateu a mão na madeira e pediu uma cachaça boa, nada de batizada.

Manoel Onório, safado de uma figa, tremeu e pegou uma garrafa escondida atrás do armário da despensa. Ali já marquei o lugar. O homem bebeu três doses seguidas, virou para o Manoel e disse - eu vim buscar a Carmelinda. Todo mundo olhou para o Manoel que não olhava para ninguém. Não conheço, respondeu.

O homem levantou os dois braços e profetizou - que a força dos ventos digam ao que veio. Ah, moço, nem te digo. O vento geladinho entrava e saia pelas ruas, becos e por todos as frestas das janelas. Vai buscar ou vou ter que congelar e  destruir tudo? 

Não conheço, já disse, falou Manoel Onório já pertinho do infarto.

O homem levantou novamente os braços e profetizou - que a força das águas se solidifiquem e caiam apenas nas ruas da cidade, por enquanto. Ah, moço, era pedra d´água gelada que cobria a palma da mão, até apanhar uma altura de meio metro nas ruas.

Deixa a garrafa aqui e vai buscar a Carmelinda, seu bosta!

Manoel Onório olhou para as pedras d'água caindo e clamou - pelamordedeus, faz parar isto que vou.

O homem, nem se manifestou muito. Levantou a mão esquerda e tudo aquietou, até o vento sossegou.

Manoel Onório saiu ligeiro, deu a volta no estabelecimento, cuidando para não escorregar nas pedras d'água, abriu o portãozinho lateral, foi se segurando nas paredes até o barracão nos fundos onde chamou a moça. 

Carmelinda era uma mocinha linda de tudo, que Manoel acolheu no inverno, quando passou pedindo pousada e acabou ficando ficando até a paixão prender um no outro. A moça entrou na venda, e foi se aproximando do homem, era uma coisa de David contra Golias. Ele foi virando lentamente e quando a viu - Carmô ...

A moça já foi arrastando um banquinho, subiu e, ah, moço, deu-lhe um safanão estalado, destes de mão aberta. O homem nem piscou e ela deu outro e outro. Fora daqui, moleque. Safado, Sem vergonha. Vagabundo.

O homem levantou a mão e profetizou que os rios do céu desceriam naquela cidade para lavar os pecados daquela população pecadora se ela não fosse com ele. Ah, moço! Caiu num aguaceiro que só Deus sabe como pode chover tanto daquele jeito. Na hora que chegou na porta, Carmelinda gritou - espera amor, eu decidi voltar com você, e sumiram nas águas.

Ah, moço, e foi assim que agora está todo mundo deste jeitinho que você está vendo. Um a um foi entrando nas canoas, nas tábuas, nos telhados por que os dois sumiram e o bosta do homem não levantou a mão esquerda para fazer parar a água.

É isto aí!


terça-feira, 30 de junho de 2020

Pequeno manual para sair??? em férias de quarentena


Está tudo desconexo e confuso, como se o caos fosse a norma e a normalidade fosse o improvável. Vamos lá ao pequeno manual para sair??? em férias de quarentena:

1 Assistir documentários, filmes e programas com o tema viagem e ficar imaginando como é estar lá.

2 - Assistir canais de viagem no Youtube - uau ...e ficar imaginando como é estar lá.

3 - Visitar museus virtualmente - uau ...e ficar imaginando como é estar lá.

4 - Montar o foto livro da viagem virtual - tsc tsc tsc

5 - Organizar qualquer coisa inútil dentro de casa - ah, tá!!!

6 - Assistir ópera online - uau ...e ficar imaginando como é estar lá.

7 - Cozinhar um prato típico de outro país - uau ...e ficar imaginando como é estar lá.

8 - Fazer cursos de línguas online e ficar se achando o nativo bilíngue do pedaço. - sem comentários.

9 - Planejar 12 viagens exóticas em paraísos fiscais, digo, mundiais.

10 - Fazer da casa uma academia de sonambulação co-existencial.- uau!!!

11 - Fazer fotocópias originais de papel moeda de países orientais para jogar Banco Imobiliário.

12 - doze ...hummm...doze ... hummmm... doze ... esquecer dos problemas e fazer algo de útil para a humanidade como, como, como, hummm ... fazer hummmm ....

É isto aí

O quarto de Mary


Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autora - Juliana Vannucchi


“Mary’s Room” ou “O Quarto de Mary” é um pensamento filosófico escrito por Frank Jackson em 1982, em seu artigo “Epiphenomenal Qualia”. Abaixo você confere uma adaptação sobre tal reflexão, seguida de complementos, meditações e algumas observações sobre o assunto. 

Mary é uma cientista brilhante, que passou toda a sua vida dentro de um quarto no qual tudo que existia era preto e branco. Todos os livros que lia e tudo o mais que compunha sua experiência exista apenas em tais tonalidades. Nesse ambiente, a brilhante cientista se especializou em Neurofisiologia da Visão e realizou estudos e investigações aprofundados sobre as cores e sobre a visão, compreendendo detalhadamente os processos pelos quais as cores se apresentam ao cérebro e como são por ele interpretadas. Assim, por mais que nunca tivesse visto nenhuma cor, carregava com ela todos os conhecimentos possíveis a respeito desse assunto. 
 
Certa vez, por alguma razão surgiu no quarto uma rosa vermelha, que foi vista nesse estado por Mary pela primeira vez. Contudo, lembremos que a brilhante cientista já possuía todas as informações possíveis a respeito dessa cor. Assim sendo, será que houve algo novo nessa experiência? Será que esse primeiro contato com as cores proporcionou alguma aprendizagem diferente, além das que ela já possuía? 

O que esse pensamento filosófico acima exposto propõe, é que os conhecimentos obtidos sobre os fatos físicos, embora garantam informações seguras, parecem não substituir uma experiência subjetiva e tampouco explicar um determinado estado mental experimentado por um indivíduo qualquer. Em outras palavras, saber como operam as estruturas cerebrais humanas, não garante o conhecimento de como uma pessoa percebe o mundo e interage mentalmente com ele. Nesse sentido, surge um termo de extrema relevância na Filosofia da Mente, que é o “qualia”, uma qualidade subjetiva, isto é, aquilo que é singular numa experiência mental e que não pertence ao qualitativo, ao mensurável. 

Dentro de tal contexto, é importante mencionar que essa proposta reflexiva feita por Jackson, se opõe ao Fisicalismo, linha teórica que sustenta que a atividade mental se explica como fenômeno do mundo físico, afirmando que ao se conhecer os fatos físicos, se conhece tudo o que é possível conhecer, uma vez que são estes que traduzem a realidade mental – ou seja, a mente é reduzida ao próprio cérebro. Portanto, agora novamente pensando na experiência de Mary com a rosa colorida, podemos concluir que: “Se você acha que ela ficaria surpresa (isto é, ao ver a flor), talvez você ache que o fisicalismo é incorreto, porque embora ela soubesse todos os fatos físicos sobre a visão, você acha que ela ainda aprendeu algo quando viu o vermelho pela primeira vez”. (GARVEY; STANGROOM,  2013, p. 367). 


REFERÊNCIAS:

GARVEY, James, STANGROOM, Jeremy. A História da Filosofia. São Paulo: Editora Octavo, 2013. Tradução de Cristina Cupertino.

Como é ser um morcego? Tradução de Paulo Abrantes e Juliana Orione (Unicamp).

segunda-feira, 29 de junho de 2020

(I love you) for sentimental reasons (de Nat King Cole, com Gregory Porter)


(I love you) for sentimental reasons (Nat King Cole)

Eu amo você por razões sentimentais
E espero que você acredite em mim
Eu lhe darei meu coração

Eu amo você e você foi feita só para mim
Por favor dê o seu coração apaixonado para mim
E diga que nós nunca nos separaremos

Eu penso em você todas as manhãs
Sonho com você todas as noites
Querida, eu nunca estou sozinho
Sempre que você está por perto.

Eu amo você por razões sentimentais
E espero que você acredite em mim
Eu lhe dei meu coração


(I love you) for sentimental reasons (Nat King Cole)

I love you for sentimental reasons
I hope you do believe me
I'll give you my heart

I love you and you alone were meant for me
Please give your loving heart to me
And say we'll never part

I think of you every morning
Dream of you every night
Darling, I'm never lonely
Whenever you are in sight

I love you for sentimental reasons
I hope you do believe me
I've given you my heart


domingo, 28 de junho de 2020

Um afago na face, um cafuné na cabeça e um beijo apaixonado (Paulo Abreu)


Um afago
na face
um cafuné
na cabeça
e um beijo 
apaixonado

Tem dia 
que tudo 
que a pessoa 
precisa 
é da outra 
pessoa!

É isto aí!

sábado, 27 de junho de 2020

Michael Bublé / Barenaked Ladies / Sofia Reyes - Gotta Be Patient


Gotta Be Patient (feat. Barenaked Ladies & Sofia Reyes)
Michael Bublé

Um dois três
Ooh, wap, wap
Ooh, wap, wap
Ooh, ooh, ooh

Eu só quero ver meus amigos
Eu quero andar na rua de novo
Mas tenho que ser paciente
Então vamos aproveitar esse confinamento

Eu só quero sentir seu amor
Porque o Instagram não é suficiente para mim
Então eu tenho que ser paciente
Vamos aproveitar esse confinamento

E todos os dias vamos cantar uma música
Para fazer você dançar
Até que isso termine

Eu só quero ver meus amigos
Eu quero andar pelas ruas novamente
Então eu tenho que ser paciente
Vamos aproveitar esse confinamento

Si
Tienes ganas de salir
Lo siento pero no
Tienes que quedar allí
Pero cuando canto esta canción
ai, me brilla El corazón
Y me siento muy feliz

E todos os dias vamos cantar uma música
Para fazer você dançar
Até que isso termine

Eu só quero ver meus amigos
Eu quero andar pelas ruas novamente, novamente
Mas tenho que ser paciente
Então vamos aproveitar esse confinamento
Toda noite e todo dia
Então eu tenho que ser paciente
Vamos aproveitar esse confinamento
Woah-ooh-woah, ooh, ooh
Eu tenho que ser paciente (eu tenho que ser)
Então vamos aproveitar esse confinamento, ooh

Gotta Be Patient (feat. Barenaked Ladies & Sofia Reyes)
Michael Bublé

One, two, three
Ooh, wap, wap
Ooh, wap, wap
Ooh, ooh, ooh

I just wanna see my friends
I wanna walk the street again
But I gotta be patient
So let's enjoy this confination

I just wanna feel your love
'Cause Instagram is not enough for me
So I gotta be patient
Let's enjoy this confination

And every day we'll sing a song
To make you dance
Until this ends

I just wanna see my friends
I wanna walk the streets again
So I gotta be patient
Let's enjoy this confination

Si
Tienes ganas de salir
Lo siento pero no
Tienes que quedar allí
Pero cuando canto esta canción
ai, me brilla El corazón
Y me siento muy feliz

And every day we'll sing a song
To make you dance
Until this ends

I just wanna see my friends
I wanna walk the streets again, again
But I gotta be patient
So let's enjoy this confination
Every night and every day
So I gotta be patient
Let's enjoy this confination
Woah-ooh-woah, ooh, ooh
I gotta be patient (I gotta be)
So let's enjoy this confination, ooh

sexta-feira, 26 de junho de 2020

Coluna Social da Marquesa - A recepção imperial


Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 23 Maio

Foi imperdível a recepção à realeza do distante reino civilizado de Trás-os-Montes. Sua Alteza Imperial trouxe o crème de la crème da mais alta estirpe de sangue azul do mundo. Vieram seus filhos, desde o duque até as duas princesinhas gêmeas univitelinas, todos de uma finesse digna dos que nascem em berços validados com a benção divina.

O lado ruim da história foi a rainha da choldra, ex-rica e ex-poderosa, hoje auto-intitulada Artesã da Gastronomia Imperial da Pitangueira, Marcinha Biffet's (gentem, que coisa ridícula é esta?). A pouco simpática churrasqueira de felinos  permitiu à  plebe o acesso ao cardápio com quatro pratos que seriam servidos no jantar: - creme de ervilha com coentros para a entrada, salmão imperial com batatas à lionaise como segundo prato, cordeiro assado com couve-flor gruyère e parmesão como terceiro prato e, para sobremesa, fatias à pompadour.

O problema, meu bem, é que cardápio é cardápio e os pratos ... hummm... prá lá de adormecidos.

Francamente, hem, Marcinha, de rainha do churrasquinho de rua a Artesã da Gastronomia, ainda mais com este sinal diacrítico em forma de vírgula voltada para a esquerda, alceado ao nível superior das letras desta palavra exótica (Biffet's??? meudeusinhodalínguapátria, o que significaria isto?), demonstra bem a que veio com sua impetuosa capacidade de causar dissabores nos eventos gastronômicos.

E como sempre se tira algo de bom dentre as coisas ruins, o Duque de Trás-os-Montes, está lindo e  solteiríssimo, porém pelo lado negro da força,  a alta sociedade local, civilizada e educada, não teve como se aproximar, pois o herdeiro imperial mal tempo para respirar, dado ao balão de oxigênio de Carmencita Dolores de Bandeleón, uma habitual  faire le trottoir paraguaia do nível confete, destes que grudam na pele das festas.
   
Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 27 Maio
 
Gentem, que mêda que me deu a cartinha medíocre da churrasqueira de centro comercial, a ridícula Marcinha do Gato (achou que esqueci hem Marcinha?!?!)

Prezada senhora colunista Marquesa, do Diário da Cidade

Comunico-lhe que meus advogados já estão providenssiando as providenças para fazer valer a voz do povo que é a voz de Deus.  

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 30 Maio

Gentem, quem tem a verdade não tem medo. Veja a elegância e a classe de Carmencita Dolores de Bandeleón, a habitual  faire le trottoir paraguaia que fez (sic) sala e quarto para o Duque de Trás-os-Montes.

Prezada e querida Marquesa

Foi com alegria que vi meu nome vinculado ao Duque de  Trás-os-Montes. Sei do seu esforço para fazer das minhas escolhas algo que seja convencional, mas saiba que ainda aprecio muito mais as princesinhas. Sinto decepcioná-la, mas quem estava ao abrigo das carências do Duque era alguém que não posso revelar, mas a realeza tem lá seus não-convencionais também.   

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 04 Junho

Gentem, todo o mundo que brilha lê minha coluna. Olha que gracinha recebi do Duque, solteiríssimo.

Amada Marquesa,

Agradeço suas palavras carinhosas quanto à minha presença no jantar ao qual se referiu. Acredito que mamãe repassou a você a sua percepção dos fatos. É verdade que ela colocou Carmencita colada em mim naquela tarde-noite e tenho por Carmencita profundo respeito e admiração, e ela, mente aberta, fez o que queriam que fosse visto.

Mas saiba minha linda que não convencional somos todos nós que nos desapegamos dos valores da sociedade decadente, querida. Eu, queridinha, doo meu talento natural de ser bom à humanidade. Rogo a você que resguarde meu direito de ser feliz e que evite publicar matéria pronta redigida por mamãe, cuja única intenção é uma suposta preservação da imagem da família .. rs ...

Do seu e de todos, o Duque! 

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 08 Junho

Gentem, a churrasqueira de passeio ainda está possuída pela gira-gira. Olha só que recebi ontem, no meu e-mail. Publico por que não escondo nada, afinal em sociedade tudo é brilho.

Vagabunda Marquise

Eu vou te pegar você nos tapa, nos murro, nos ponta-pé até tu sentir onde dói o espeto dos meus churrascos, sua vaca. Perdi um contralto milhionário porucauso da sua língua felina. Em vez de si preucupar com estas boiolisses das pessoas, fica ligadam=, vadia que eu sivoufuderocê.

Coluna Social da Marquesa
Diário da Cidade DC 
Em sociedade tudo é brilho 
Reino da Pitangueira 12 de Junho

Em face dos mal entendidos sobre a Família Imperial, a diplomacia pitangueirense, a alta qualidade dos pratos servidos e a amizade real entre Carmencita e a corte, hoje tenho a declarar, perante toda a minha querida sociedade que: 
 
Gentem, indignada e arrasada, entupida de Florais de Bach, abro espaço para um grande mal entendido que corre nestes dias, onde pessoas de má fé e malvadas querem detonar com a minha imagem e com as coisas boas que acontecem na nossa urbe ma-ra-vi-lho-sa. Hoje quero parar tudo e falar sobre a coisa mais fina e elegantésima que foi a recepção da família imperial, recebida com uma grata artesã gastronômica, Marcianha Biffet's. À boca pequena, a nata natéssima e elegantérrima da sociedade local afirmou que foi a maior festa do século na nossa região. Quem não foi, perdeu.

É isto aí!