quarta-feira, 25 de abril de 2018

Quase esqueci de dizer do PPP18

Bolei uns quatro textos e acabei censurando todos. Tempos terríveis estes. Como podemos notar na foto que ilustra a matéria, a elite branca, loira, alta e forte faz programa de alta classe, sempre de costas para a choldra, que por sua vez faz auto-censura para levar a vida no arame.

Mas voltemos aos textos censurados - O primeiro falava de amor, esta coisa esquisita, amar ao próximo, credo, tem nada disto em 2/3 da população mundial, então, amar o próximo tem que ser censurado, isto é coisa de feminista mal resolvida e deveria ser proibido no supremo com Jucasta, o Edi pó e tudo mais que gostcha de um golpe goela a baixo. Não bastasse isto, agora está proibido o 69, foi revogado, e em seu lugar entra o 68, onde só quem está em cima goza dos direitos ... eita! (Deu num dos porta-vozes dos homens de bem aqui)

O segundo falava em perdoar e ser perdoado - coisa mais idiota do mundo, hem!!! Tem a pós-verdade aí comprovando que tem mais é que bater no PPP prá vida da vida da vida melhorar.

O terceiro falava em não deixar que a tentação nos vença. A tentação em tese, só em tese, é restrita ao ser humano, desde que seja PPP. Afinal de contas quem tem Gula, Ganância, Luxúria, Ira, Inveja, Preguiça ou Orgulho, só pode ser PPP ou socialista ou pior ser do PT ou um comunistazinho vulgar.

E o quarto falava da defesa dos humanos para que sejam livres do maligno, do capeta, do diabo. Aí ficou aquela sensação que isto deve ferir algum código de proteção dos direitos adquiridos pelos homens de bem no golpe que não houve quem não mamasse nas tetas do bode com suprema e tudo, já que pátria com pária é o que há de mais vip no mundo dos homens de bem ...

Enquanto isto, este Império conhecido e reconhecido até pela onu - organização dos nóias uais - recebeu nestes dias visita anônima de centenas de parasitas robóticas de inteligência artificial provocadas por palavras, atos, missões e ou omissões por minha culpa, minha tão grande culpa, provocaram a ira divina, pois acredito que estão à procura de mais petróleo aqui, nas águas doces do interior do interior do interior, já que o que já foi levado, catado, recolhido, retirado e rifado do mar da república Tabajara não foi o bastante.

Onde vai dar isso? Piranha não dá no mar por que cavalo não desce escadas, por hoje stop que amanhã será ontem do dia seguinte.

É isto aí!

sábado, 21 de abril de 2018

Elza Soares canta- A Carne / Autores - Marcelo Yuka, Ulisses Cappelletti, Seu Jorge


A Carne
Autores: Marcelo Yuka, Ulisses Cappelletti, Seu Jorge
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo de plástico
Que vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquiátricos
A carne mais barata do mercado é a carne negra
Que fez e faz história
Segurando esse país no braço
O cabra aqui não se sente revoltado
Porque o revólver já está engatilhado
E o vingador é lento
Mas muito bem intencionado
E esse país
Vai deixando todo mundo preto
E o cabelo esticado
Mas mesmo assim
Ainda guardo o direito
De algum antepassado da cor
Brigar sutilmente por respeito
De algum antepassado da cor
Brigar bravamente por respeito
De algum antepassado da cor
Brigar por justiça e por respeito
De algum antepassado da cor
Brigar, brigar, brigar
A carne mais barata do mercado é a carne negra

quinta-feira, 19 de abril de 2018

O processo Lula

Lula está detido por um processo.
Lula está em Curitiba por um processo.
Lula dorme numa cela por um processo.
Lula está sozinho por um processo.
Lula não recebe amigos por um processo.
Lula recebe inimigos pelo processo?
Lula tem uma pena de 12 anos por um processo.
Lula nunca se filiou a outro partido por um processo.
Lula não sabe como será o amanhã por um processo.
Lula não verá os netos por um processo.
Lula agora vai ser penalizado por outro processo.
Lula terá 84 anos quando sair deste processo
Mas não sairá por que tem outro processo.
Lula perpetuará na cela por outro processo.
Lula sabe que aos 96 anos ainda na cela virá outro processo
Lula é a ideia e isto gera outro processo
Processam, processam e processam o retrocesso.

É isto aí!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Carta de Compromisso com a Fé

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Hebreus, 11
A fé é o fundamento da esperança, é uma certeza a respeito do que não se vê.

01 - Ame a si mesmo
02 - Perdoe-se
03 - Seja determinado
04 - Banque-se, sustente a si mesmo.
05 - Faça acontecer
06 - Doe seus talentos ao Universo
07 - Acredite no impossível
08 - Ouça e siga sua intuição.
09 - Tenha Força para superar os obstáculos.
10 - Nunca se desvie do seu foco principal
11 - Guardai a Fé em Deus Pai!
12 - Pratique a gratidão.

É isto aí!

quarta-feira, 11 de abril de 2018

E se o cabaret fosse diferente?

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Deveria estar aqui escrevendo coisas que estão coisando, mas o fato é que já coisei sobre isto e cansei. A forma de coisar que no século XX apresentou-se como democracia aliada ao capitalismo e comunismo aliado a, hummmm, aliado a ... hummm ..., confuso demais isto daí. 

Bem, sabia-se que o planeta era plano, estático no centro de um universo sem graça. Aí falaram que era redondo redondo, tudo bem até aí, aí falaram que não era o centro do universo - O pau quebrou, pois o topo da pirâmide sempre soube disto, mas seria bom que a choldra não coisasse. Aí o sol ficou validado como o centro, ficou meia bomba até que a ciência, esta intrometida, provou que o sistema solar é uma nanopartícula em movimento libre por um infinito espaço de turbilhões de coisas, sois, planetas, luas, asteroides, galáxias, estrelas mortas, anãs, marrons, buracos negros, aí foi ficando chato prá caramba, até que djênios metamorfósicos reinventaram  a terra plana ... uau bem vindo ao tobogã da insatisfação.

Neste planetinha ora plano, ora redondo e no geral chato e inconveniente - menos para os mesmos, o império neo-romano domina do seu jeito atabalhoado, nada sutil e bastante indelicado, ao oeste de Greenwich. O império do sol domina o leste quase na totalidade. No meio a sissi, a indefectível, bate de frente e ao mesmo tempo abraça a beth, a velhinha da ilha das maldades - centro universal das maldades do mundo. 

Ao sul do meio, um imenso, gigantesco laboratório de experiências sensoriais per e sobre-humanas. Um continente tomado pela dor, sangue, tristeza e desprezo.

Ao norte do meio um império incógnita. Tem poder, tecnologia, recursos, lendas, bons escritores e poder bélico assustadoramente assustador.

E aqui, na grande e vasta tabajara, do atlântico ao pacífico, da patagônia ao caribe, o paraíso da poderosa mani pulite, os amigos fieis da pátria, do amor, da liberdade, da família e das putas celibatárias instalaram um imenso templo centralizador e dominante onde virgens dos lábios de mel são entregues aos homens de bem, já doutrinadas, preparadas e treinadas para exercerem suas fogosas qualidades como geradoras de heróis da salvação nacional. 

A classe mérdia deste torreão tem síndrome de estocolmo, a classe rica tem síndrome de adolf (não se sabe bem por que já que ...) e a classe pobre não tem nada, é assindrômica, assombradamente tapada nos ouvidos, nos olhos e na boca, mas está liberarararadaaaaahh para se masturbar no 3B de janeiro a abril ..., quando começam os campeonatos de cartas marcadas.


Fui ali coisar - é isto aí!

quarta-feira, 4 de abril de 2018

Atingiu-se o ponto do não retorno

No dia 10 de Janeiro do ano 49 AC, há 2067 anos atrás, Júlio César atravessava o rio Rubicão, proferindo as famosas palavras “alea jacta est”, isto é, “os dados estão lançados”.

Desde aí, a expressão “atravessar o Rubicão” adquiriu um significado paradigmático de qualquer situação que chegue a um ponto de não retorno.

Para César, vindo desde os confins da Gália e chegado ao Rubicão, fronteira proibida de passar por qualquer legião do exército romano, sabia que passar esse rio significava guerra, o tal ponto de não retorno. Ou sairia dela como um traidor executado e para sempre esquecido entre os meandros da história ou como o glorioso vencedor e governante absoluto da República que queria tornar Império.



terça-feira, 3 de abril de 2018

Tracy Chapman cantando Stand by Me

O Talibã é aqui


Na pátria amada idolatrada salve salve, mulher só pode ser objeto de escárnio, de desejo e de prazer, o resto é pecado mortal. Assim são destituídas presidentes, assassinadas líderes de movimentos sociais (mesmo sendo freiras), assassinadas agentes políticas, estupradas, violentadas, agredidas, transgredidas e mortificadas.

Os Talibãs que determinaram algumas normas a serem seguidas rigorosamente pelas mulheres, enquanto governaram (sic) fizeram escola em terras guaranis:

1 – Total proibição do trabalho feminino fora de casa. Apenas algumas médicas e enfermeiras estão autorizados a trabalhar nos hospitais de Cabul.
2 – Total  proibição de qualquer atividade feminina fora de casa se a mulher não estiver acompanhada por um mahram (parente próximo do sexo masculino, como pai, irmão ou marido).
3 – Impedidas de fazer compras com comerciantes masculinos.
4 – Não podem ser tratadas por médicos do sexo masculino.
5 – Proibidas de estudar em escolas, universidades ou qualquer outra instituição educacional (o Taliban converteu as escolas para meninas em seminários religiosos).
6 – Obrigação do uso da burca, vestimenta que as cobre da cabeça aos pés.
7 – As mulheres que não se vistam conforme as regras do Taliban ou que não estejam acompanhadas por um mahram são açoitadas, espancadas ou ofendidas verbalmente.
8 – Açoites públicos contra as mulheres que não escondem seus tornozelos.
9 - Apedrejamento público contra as mulheres acusadas de ter relações sexuais fora do casamento (muitas delas são apedrejadas até a morte).
10 - Proibição do uso de cosméticos (muitas mulheres que pintaram as unhas tiveram os dedos amputados).
11 - Proibição de falar ou apertar as mãos de homens não-mahram .
12 - Proibição de rir alto (nenhum estrangeiro pode ouvir a voz de uma mulher).
13 – São proibidas de usar sapatos de salto alto, que podem produzir som ao caminhar (um homem não pode ouvir os passos de uma mulher).
14 - Proibidas de andar em táxi sem o mahram.
15 – Proibidas de participar de programas de rádio, televisão ou de reuniões públicas de qualquer espécie.
16 – Proibidas de praticar esportes e de entrar em centros esportivos ou clubes.
17 – Proibidas de andar de bicicleta ou motos .
18 – Proibidas de usar roupas muitos coloridas. Para o Taliban, isso as tornam sexualmente atrativas.
19 – Proibidas de participar de encontros festivos com fins recreativos.
20 – Proibidas de lavar as roupas em rios ou qualquer outro lugar público.
21 – Alteração de todos os nomes de ruas e praças que tenham a palavra. "mulher" . Por exemplo, "Jardim das Mulheres" se chama agora "Jardim da Primavera".
22 – Proibidas de  aparecer nas varandas de seus apartamentos ou casas.
23 – Janelas de vidro são pintadas para que as mulheres não sejam vistas do lado de fora de suas casas.
24 – Os alfaiates são proibidos de costurar roupas femininas ou até tomar as suas medidas.
25 – Proibidas de usar banheiros públicos.
26 – Mulheres e homens são proibidos de viajar no  mesmo ônibus. Os ônibus são divididos em "só para homens" ou "só para mulheres".
27 – Proibidas de usar calças, mesmo debaixo da burca.
28 – É proibido fotografar ou filmar mulheres.
29 – É proibido publicar imagens de mulheres em revistas, jornais, livros ou cartazes de qualquer ordem.
Além dessas restrições, as mulheres também não podem ouvir música, assistir filmes, de comemorar a chegada do ano novo.



É isto aí!

segunda-feira, 2 de abril de 2018

Toy Story - You've Got A Friend In Me - Hollywood in Vienna 2014



You've got a friend in me
You've got a friend in me
When the road looks rough ahead
And you're miles and miles from your nice warm bed
You just remember what your old pal said
Boy, you've got a friend in me
Yeah, you've got a friend in me

You've got a friend in me
You've got a friend in me
If you got troubles, I got'em too
There isn't anything I wouldn't do for you
If we stick together we can see it through
'Cause you've got a friend in me
Yes, you've got a friend in me

Some other folks might
Be a little bit smarter than I am
Bigger and stronger too. Maybe
But none of them will ever love you
The way I do
It's me and you, boy

And as the years go by
Our friendship will never die
You're gonna see, it's our destiny
You've got a friend in me
You've got a friend in me
Yes, you've got a friend in me

Você tem um amigo em mim

Você tem um amigo em mim

Quando a estrada adiante parecer dura

E você está há milhas e milhas de sua bela cama quente

Você apenas relembre do que seu velho amigo disse

Garoto, você tem um amigo em mim

É, você tem um amigo em mim



Você tem um amigo em mim

Você tem um amigo em mim

Você tem seus problema, eu os tenho também



Não há nada que eu não faria por você

Nos mantendo unidos, nós podemos resolver isso

Porque você tem um amigo em mim

Você tem um amigo em mim



Algumas outras pessoas podem ser um pouco mais inteligentes do que eu

Maiores e mais fortes também

Talvez, mas nenhum deles irá te amar como eu amo

É você e eu, garoto

E à medida que os anos passam

Nossa amizade nunca irá morrer

Nós dois veremos, é o nosso destino

Você tem um amigo em mim



Você tem um amigo em mim

quarta-feira, 21 de março de 2018

Pausa -poemeu

Sem assunto, apesar de
Sem palavras, apesar de
Sem argumentos, apesar de
Sem forças, apesar de

Sem otimismo, apesar de
Sem disposição, apesar de
Sem confiança, apesar de
Sem racionalidade, apesar de

Sem equilíbrio. apesar de
Sem concentração, apesar de
Sem ambição, apesar de 
Sem dinamismo, apesar de

Minh'alma quer paz
Meu corpo quer guerra
Minha pátria está apátrida
Minha luta é eterna.

É isto aí!

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terça-feira, 13 de março de 2018

Tocando em frente (Renato Teixeira e Almir Sater)

Ando devagar porque já tive pressa 
Levo esse sorriso porque já chorei demais 
Hoje me sinto mais forte, mais feliz, quem sabe?
Só levo a certeza de que muito pouco eu sei
Ou nada sei. 

Conhecer as manhas e as manhãs, 
O sabor das massas e das maçãs, 
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.

Penso que cumprir a vida seja simplesmente 
Compreender a marcha e ir tocando em frente 
Como um velho boiadeiro levando a boiada
Eu vou tocando os dias pela longa estrada eu vou
Estrada eu sou. 

Conhecer as manhas e as manhãs, 
O sabor das massas e das maçãs, 
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.

Todo mundo ama um dia todo mundo chora, 
Um dia a gente chega, no outro vai embora 
Cada um de nós compõe a sua história
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz 
De ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs
O sabor das massas e das maçãs
É preciso amor pra poder pulsar,
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.

Ando devagar porque já tive pressa 
E levo esse sorriso porque já chorei demais 
Cada um de nós compõe a sua história, 
Cada ser em si carrega o dom de ser capaz
de ser feliz.

Conhecer as manhas e as manhãs, 
O sabor das massas e das maçãs, 
É preciso amor pra poder pulsar, 
É preciso paz pra poder sorrir, 
É preciso a chuva para florir.


domingo, 11 de março de 2018

Zadig ou o Destino (Voltaire) Parte IX - A mulher batida

IX. A MULHER BATIDA

Zadig orientava-se pelas estrelas. A constelação de Orion e o brilhante astro de Sírio guiavam-no para o pólo de Canope. Admirava esses vastos globos de luz que não parecem a nossos olhos mais que fracas centelhas, ao passo que a terra, que em verdade é apenas um imperceptível ponto na natureza, afigura-se à nossa cupidez uma coisa tão grande e tão nobre. Via então os homens tais como são na realidade: - insetos a se entredevorarem num pequeno átomo de lama. Essa imagem verdadeira parecia aniquilar suas desventuras, retraçando-lhe o nada da sua existência e a de Babilônia. Sua alma arrebatava-se até o infinito e contemplava, liberta dos sentidos, a imutável ordem do universo.

Mas quando, em seguida, de volta a si mesmo e penetrando de novo em seu coração, pensava em Astartéia sacrificada por sua causa, o universo desaparecia a seus olhos, e ele apenas via, em toda a natureza, Astartéia moribunda e Zadig desgraçado. Enquanto se entregava a esse fluxo e refluxo de sublime filosofia e dor acabrunhante, ia avançando pelas fronteiras do Egito; e já seu fiel criado se achava na primeira localidade, em busca de alojamento.

Enquanto isso, Zadig passeava pelos jardins dos arredores. Senão quando avistou, não longe estrada real, uma mulher que gritava por socorro e um homem furioso que a perseguia. Já o homem a alcançava e ela, caída, enlaçava-lhe os joelhos. O homem enchia-a de pancadas e censuras. Pela violência do egípcio e pelos reiterados perdões que lhe pedia a dama, viu Zadig que ele era ciumento e ela infiel. Mas, depois de atentar naquela mulher, que era de impressionante beleza e até se assemelhava um pouco à infeliz Astartéia, sentiu-se tomado de compaixão por ela e aversão ao egípcio. "Acode-me! - bradou ela a Zadig, entre soluços. - Arranca-me das mãos do mais bárbaro dos homens, salva-me a vida!"

A êeses clamores, Zadig lançou-se entre ela e aquele bárbaro. Tinha algum conhecimento da língua egípcia, e assim lhe falou:

- Se tens alguma humanidade, conjuro-te a respeitar a beleza e a fraqueza. Podes assim ultrajar uma obra-prima da Criação, que jaz a teus pés e só tem por defesa as lágrimas?

- Ah! Ah! - exclamou o possesso. Com que então também a amas? É de ti que tenho de vingar-me.

Dizendo tais palavras, deixa a dama, que segurava pelos cabelos, e, empunhando a lança, tenta matar o estrangeiro. Este, que não perdera o sangue frio, evitou facilmente o golpe de um furioso. Segurou a lança perto da ponta. Quer um retirá-la, o outro arrancá-la. A lança parte-se. O egípcio puxa da espada; Zadig também. Atacam-se. Lança este cem golpes precipitados, apara-os aquele com destreza. A dama, sentada na relva, reajusta os cabelos e olha-os. O egípcio era o mais robusto, Zadig o mais ágil.

Batia-se o último como um homem cuja cabeça conduzia o braço, e o primeiro como um arrebatado, cuja cólera cega lhe guiava ao acaso os movimentos. Zadig desarma-o. E como o egípcio, mais furioso, procura arremeter contra ele, Zadig segura-o, domina-o, fá-lo cair e, apontando-lhe a espada contra o peito, oferece poupar-lhe a vida. O egípcio, fora de si, arranca o punhal e fere Zadig no mesmo instante em que o vencedor lhe perdoava. Zadig, indignado, lhe mergulha a espada no peito; O egípcio lança um grito horrível e morre, debatendo-se.

Zadig avança então para a dama e lhe diz respeitosamente:

- Foi ele que me obrigou a matá-lo; estais vingada, e livre do homem mais violento que já vi na minha vida. Que quereis agora de mim, senhora?

- Que morras, celerado, que morras; mataste o meu amor; eu quisera estraçalhar-te o coração.

- Na verdade, senhora que tínheis um esquisito amor; ele vos batia com toda a fôrça e queria tirar-me a vida, por me haverdes pedido socorro.

- Quisera que ele me batesse ainda - tornou a dama, aos gritos. - Eu bem que o merecia, pois lhe dei motivos para ciúmes. Quem dera que ele me batesse e que tu estivesses no seu lugar!

Zadig, mais surpreso e encolerizado do que nunca estivera em sua vida, retrucou:

- Senhora, com toda a vossa beleza, merecíeis que eu vos batesse por minha vez, tão incoerente sois; mas não me darei a esse trabalho. Dito isto, montou no camelo e dirigiu-se para a cidade. Mal dera alguns passos, volta-se ao estrépito que faziam quatro correios de Babilônia. Vinham a toda brida. Um deles, ao ver a mulher, exclamou: "É ela mesma; assemelha-se à descrição que nos fizeram".

Sem dar atenção ao morto, apoderaram-se logo da dama, a qual não cessava de gritar para Zadig: 

"Socorrei-me outra vez, generoso estrangeiro! Perdoai-me por me haver queixado de vós. Socorrei-me, que serei vossa até o túmulo".

A Zadig, passara-lhe todo e qualquer desejo de se bater por ela. "Arranja-te com outros - respondeu-lhe, a mim é que não me pegas mais!"

Aliás, estava ferido, perdia sangue e necessitava socorro; e a vista dos quatro babilônios, provavelmente enviados pelo rei Moabdar, enchia-o de inquietação. Avança às pressas para a aldeia, sem atinar por que motivo vinham quatro correios de Babilônia apoderar-se daquela egípcia, mas ainda muito mais espantado com o caráter da referida dama.

sábado, 10 de março de 2018

Zadig ou o Destino (Voltaire) Parte VIII - O Ciúme

VIII. O CIÚME

A desgraça de Zadig originou-se da própria ventura, e principalmente de seu mérito. Avistava-se todos os dias com o rei e Astartéia, sua augusta esposa. O encanto da conversação do primeiro ministro era redobrado por esse desejo de agradar que está para o espírito como o ornamento para a beleza; sua juventude e graça causaram insensivelmente em Astartéia uma impressão de que esta a princípio não se apercebeu. Sua paixão crescia no seio da inocência.

Astartéia entregava-se sem escrúpulo e sem temor ao prazer de ver e escutar a um homem tão caro a seu esposo e ao Estado; não cessava de o elogiar perante o rei; falava dele às damas de companhia, que ainda acrescentavam os louvores; tudo concorria para lhe aprofundar no coração a flecha que ela não sentia. Fazia presentes a Zadig, nos quais entrava mais galanteria do que supunha; julgava não lhe falar senão como rainha satisfeita de seus serviços, e suas expressões eram, algumas vezes, as de uma mulher sensível.

Astartéia era muito mais bonita do que aquela Semira que tanto odiava aos caolhos, e do que aquela outra mulher que quisera cortar o nariz ao esposo. A familiaridade de Astartéia, suas ternas frases, de que começava a corar, seus olhares, queria desviar, e que se fixavam nos dele, acenderam no coração de Zadig uma flama que o espantou. Lutou; pediu socorro à filosofia, que sempre lhe valera; mas só lhe obteve luzes, não recebendo em troca nenhum alívio. O dever, a gratidão, a soberana majestade violada, apresentavam-se-lhe aos olhos como deuses vindicativos; lutava e triunfava; mas essa vitória que era preciso renovar a todo momento, custava-lhe gemidos e lágrimas.

Não mais ousava falar à rainha com aquela doce liberdade que tais encantos tivera para ambos; seus olhos cobriam-se de uma nuvem; suas palavras eram constrangidas e incoerentes; baixava as pálpebras; e quando, sem querer, o seu olhar se voltava para Astartéia, encontrava o da rainha turbado de lágrimas, de onde partiam raios; pareciam dizer um ao outro: "Nós nos adoramos, e temos medo do amor; ardemos os dois num fogo que condenamos."

Zadig retirava-se desvairado da sua presença, com um peso no coração, que não mais podia suportar; na violência da sua agitação, não pôde evitar que o amigo Cador lhe descobrisse o segredo, como um homem que, tendo agüentado por muito tempo uma dor profunda, deixa enfim revelar-se o seu mal, por um grito que lhe arranca um acesso mais agudo e pelo suor que poreja a fronte.

- Já desvendei - lhe disse Cador - os sentimentos que a ti mesmo procuravas ocultar; as paixões têm sinais que não enganam. Por aí verás, meu caro Zadig, já que eu li no teu coração, se o próprio rei não irá descobrir um sentimento que o ofende. Não tem êle outro defeito senão o de ser o mais ciumento dos homens. Resistes à tua paixão com mais fôrça do que a rainha combate a sua, porque és filósofo e porque és Zadig. Astartéia é mulher; deixa falar seus olhares com tanto maior imprudência por ainda não se julgar culpada. Infelizmente tranqüilizada pela sua inocência, negligencia as aparências necessárias. Tremerei por ela enquanto não tiver nada que se censurar. Se estivessem ambos em cumplicidade, saberiam enganar todos os olhos: uma paixão nascente e combatida logo se revela; um amor satisfeito sabe ocultar-se.

Zadig fremiu à idéia de trair o rei seu benfeitor; e nunca foi tão fiel ao príncipe como quando se viu
culpado para com êle de um crime involuntário. Contudo, tantas vezes pronunciava a rainha o nome de Zadig, tal rubor lhe cobria a fronte ao dizê-lo; ora se mostrava tão animada, ora tão interdita, quando lhe falava em presença do rei; caía em tão profundas cismas depois que Zadig se retirava, que o rei se sentiu inquieto. Acreditou tudo o que via, e imaginou tudo o não via.

Observou  principalmente que as babuchas de sua mulher eram azuis, e que as babuchas de Zadig eram azuis, que as fitas da touca de sua mulher eram amarelas, e que o barrete de Zadig era amarelo: indícios terríveis para um príncipe suscetível. No seu espírito envenenado, transformaram-se as suspeitas em certezas.

Os escravos dos reis e das rainhas são outros tantos espias de seus corações. Descobriram logo que
Astartéia amava e que Moabdar sentia ciúmes. O invejoso fez a invejosa enviar ao rei a sua liga, que se assemelhava à da rainha. Por cúmulo da desgraça, essa liga era azul, O monarca não pensou senão na maneira de vingar-se. Resolveu uma noite mandar envenenar a rainha, e enforcar Zadig ao raiar do dia. A ordem foi transmitida a um impiedoso eunuco, executor das suas vinganças.

Achava-se então na câmara do rei um anãozinho que era mudo, mas não surdo. Toleravam-no sempre em toda parte: era testemunha de tudo o que se passava de mais secreto, como um animal doméstico. Esse pequeno mudo era muito devotado à rainha e a Zadig. Ouviu, com tanta surpresa quanto horror, a sentença de morte. Mas como prevenir essa terrível ordem, que dentro em poucas horas seria executada? Escrever, não sabia; mas aprendera a desenhar e fazia retratos com muita parecença. Passou uma parte da noite a rabiscar o que desejaria dizer à rainha.

O desenho representava o rei furioso, a um canto do quadro; um cordão azul e um vaso sôbre uma mesa, com ligas azuis e fitas amarelas; a rainha, no meio do quadro, expirante entre os braços de suas mulheres, e Zadig estrangulado a seus pés. O horizonte representava um sol nascente, para indicar que a horrível execução se efetuaria aos primeiros raios da aurora. Logo que terminou o trabalho, correu a uma camareira de Astartéia, despertou-a, e deu-lhe a entender que era preciso levar imediatamente o quadro à rainha.

Em meio à noite, batem à porta de Zadig; acordam-no; entregam-lhe um bilhete da rainha; pensa que está sonhando; abre o papel com mão tremente. Qual não foi a sua surpresa, e quem lhe poderia exprimir a consternação e desespero, ao ler as seguintes palavras:

"Foge imediatamente, senão te arrancam a vida. Foge, Zadig, ordeno-te em nome do nosso amor e das minhas fitas amarelas. Eu não era culpada; mas sinto que vou morrer criminosa."

Zadig mal teve fôrças de falar. Mandou chamar Cador e, sem nada lhe dizer, mostrou-lhe o bilhete.

Cador forçou-o a obedecer e a tomar logo o caminho de Mênfis. "Se te atreves a ir falar com a rainha, apressas a sua morte; se falares ao rei, da mesma forma prejudicarás a rainha. Encarrego-me do seu
destino; segue o teu. Espalharei o boato de que partiste para a Índia Em breve me encontrarei contigo e te comunicarei o que houver sucedido em Babilônia".

Cador, no mesmo instante, mandou trazer dois dromedários dos mais rápidos a uma porta secreta do palácio; fêz com que Zadig montasse tendo até de ampará-lo, pois parecia prestes a entregar a alma. Um só criado o acompanhou; em breve Cador, transido de espanto e angústia, perdeu de vista o amigo.

O ilustre fugitivo, chegando ao alto de uma colina de onde se avistava Babilônia, volveu o olhar para o palácio da rainha, e desfaleceu; só recuperou os sentidos para derramar lágrimas e desejar a morte. Enfim, depois, de se haver ocupado do deplorável destino da mais amável entre as mulheres e a  primeira do mundo, voltou o pensamento para si mesmo e exclamou:

"Que coisa é então a vida humana? De que me serviste, ó virtude? Duas mulheres me enganaram indignamente; a terceira, que não é culpada, e mais bela que as outras, vai perder a vida. Todo o bem que pratiquei foi sempre para mim uma fonte de maldições, e só fui elevado ao cúmulo da grandeza para tombar no mais horrível precipício do infortúnio. Se eu tivesse sido mau como tantos outros, seria hoje feliz como eles".

Acabrunhado por essas funestas reflexões, cobertos os olhos pelo véu da dor, a palidez da morte nas faces, e a alma abismada no mais sombrio desespero, se guia ele a caminho do Egito.

terça-feira, 6 de março de 2018

Curvas do tempo (poemeu)

Desenhei
de memória
(rasguei teus retratos, lembra?)
as curvas
do teu corpo (que nunca esqueci)
no meu presente
e, saiba ...
foi muito difícil.
que curvas!
ainda estão todas lá,
num passado
particípio triste
onde sonhava
com um futuro
que não existe (mais ... nunca mais)

É isto aí!