segunda-feira, 18 de junho de 2018

Wouldn't it be nice (Não seria legal?)

Soneto do amor total Vinicius de Moraes


Amo-te tanto, meu amor... não cante 
O humano coração com mais verdade... 
Amo-te como amigo e como amante 
Numa sempre diversa realidade 

Amo-te afim, de um calmo amor prestante, 
E te amo além, presente na saudade. 
Amo-te, enfim, com grande liberdade 
Dentro da eternidade e a cada instante. 

Amo-te como um bicho, simplesmente, 
De um amor sem mistério e sem virtude 
Com um desejo maciço e permanente. 

E de te amar assim muito e amiúde, 
É que um dia em teu corpo de repente 
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Insônias indiscretas




Segundo estudos realizados por mim mesmo, utilizando metodologia quântica, já deveria estar dormindo desde as 23 horas.

Insônia, insônia, insônia ...

Já falei da insônia? Vou ler um livro, e tomara que seja bem chato, pois a reunião é oito horas. caramba, por que eu deixei agendar uma reunião para as oito horas?

É isto aí!


domingo, 17 de junho de 2018

Amei-te e por te amar (Fernando Pessoa)

Amei-te e por te amar
Só a ti eu não via...
Eras o céu e o mar,
Eras a noite e o dia...
Só quando te perdi
É que eu te conheci...

Quando te tinha diante
Do meu olhar submerso
Não eras minha amante...
Eras o Universo...

Agora que te não tenho,
És só do teu tamanho.
Estavas-me longe na alma,
Por isso eu não te via...

Presença em mim tão calma,
Que eu a não sentia.
Só quando meu ser te perdeu
Vi que não eras eu.

Não sei o que eras. Creio
Que o meu modo de olhar,
Meu sentir meu anseio
Meu jeito de pensar...

Eras minha alma, fora
Do Lugar e da Hora...
Hoje eu busco-te e choro
Por te poder achar

Não sequer te memoro
Como te tive a amar...
Nem foste um sonho meu...
Porque te choro eu?

Não sei... Perdi-te, e és hoje
Real no [...] real...
Como a hora que foge,
Foges e tudo é igual

A si-próprio e é tão triste
O que vejo que existe.
Em que és (...) fictício,
Em que tempo parado

Foste o (...) cilício
Que quando em fé fechado
Não sentia e hoje sinto
Que acordo e não me minto...

[...] tuas mãos, contudo,
Sinto nas minhas mãos,
Nosso olhar fixo e mudo

Quantos momentos vãos
Pra além de nós viveu
Nem nosso, teu ou meu...

Quantas vezes sentimos
Alma nosso contacto
Quantas vezes seguimos
Pelo caminho abstracto
Que vai entre alma e alma…

Horas de inquieta calma!
E hoje pergunto em mim
Quem foi que amei, beijei
Com quem perdi o fim

Aos sonhos que sonhei…
Procuro-te e nem vejo
O meu próprio desejo…

Que foi real em nós?
Que houve em nós de sonho?
De que Nós fomos de que voz
O duplo eco risonho

Que unidade tivemos?
O que foi que perdemos?
Nós não sonhámos. Eras
Real e eu era real.

Tuas mãos — tão sinceras…
Meu gesto — tão leal...
Tu e eu lado a lado...
Isto... e isto acabado...

Como houve em nós amor
E deixou de o haver?
Sei que hoje é vaga dor
O que era então prazer...

Mas não sei que passou
Por nós e acordou...
Amámo-nos deveras?
Amamo-nos ainda?

Se penso vejo que eras
A mesma que és... E finda
Tudo o que foi o amor;
Assim quase sem dor.
Sem dor... Um pasmo vago
De ter havido amar...

Quase que me embriago
De mal poder pensar...
O que mudou e onde?
O que é que em nós se esconde?

Talvez sintas como eu
E não saibas senti-lo...
Ser é ser nosso véu
Amar é encobri-lo,

Hoje que te deixei
É que sei que te amei...
Somos a nossa bruma…
É pra dentro que vemos...

Caem-nos uma a uma
As compreensões que temos
E ficamos no frio
Do Universo vazio...

Que importa? Se o que foi
Entre nós foi amor,
Se por te amar me dói
Já não te amar, e a dor
Tem um íntimo sentido,

Nada será perdido...
E além de nós, no Agora
Que não nos tem por véus
Viveremos a Hora
Virados para Deus
E n'um (...) mudo
Compreenderemos tudo.

sábado, 16 de junho de 2018

Nascer de novo (Carlos Drummond de Andrade)


Nascer: fincou o sono das entranhas.
Surge o concreto,
a dor de formas repartidas.
Tão doce era viver
sem alma, no regaço
do cofre maternal, sombrio e cálido.
Agora,
na revelação frontal do dia,
a consciência do limite,
o nervo exposto dos problemas.

Sondamos, inquirimos
sem resposta:
Nada se ajusta, deste lado,
à placidez do outro?
É tudo guerra, dúvida
no exílio?
O incerto e suas lajes
criptográficas?
Viver é torturar-se, consumir-se
à míngua de qualquer razão de vida?

Eis que um segundo nascimento,
não advinhado, sem anúncio,
resgata o sofrimento do primeiro,
e o tempo se redoura.
Amor, este o seu nome.
Amor, a descoberta
de sentido no absurdo de existir.
O real veste nova realidade,
a linguagem encontra seu motivo
até mesmo nos lances de silêncio.

A explicação rompe das nuvens,
das águas, das mais vagas circunstâncias:
Não sou Eu, sou o Outro
que em mim procurava seu destino.
Em outro alguém estou nascendo.
A minha festa,
o meu nascer poreja a cada instante
em cada gesto meu que se reduz
a ser retrato,
espelho,
semelhança
de gesto alheio aberto em rosa.

Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 13 de junho de 2018

A auto sabotagem do amor

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Terminaram com lágrimas
em deformação caótica 
estupidamente idiota (e dramática) 
o relacionamento que o universo doou
(aos dois). 

Ele a amava verdadeiramente, 
ela o amava integralmente
e os dois, caramba,
não se amavam (o suficiente) 

Não entenderem merecedores 
do amor tão bonito
amor infinito (e divino)
doado pelo céu.

Não sabiam (ninguém sabe)
que estavam contaminados 
pelas castrações do passado 
que um dia desperta (e chora)

Condenados a sofrer
uma dor contínua
fizeram outras pessoas chorarem
ao lado dos seus fardos (doentes)

Cujos fatos (deprimentes)
ficaram presos
em câmara ardente
do lado de dentro (da dor).

É isto aí!

Nat King Cole - L.O.V.E

segunda-feira, 11 de junho de 2018

O sentido da vida

Agradeço daqui, deste simbólico espaço, ao Anthony Bordain e à Kate Spade por terem ajudado este mundo a se tornar melhor enquanto deram sua genialidade para a edificação de um sentido para esta geração que nasceu no período da Guerra Fria e sobrevive neste tempo de pós-verdade ou realidade líquida, enfim, este nebuloso momento onde o sentido da vida começa a ser espremido por processos desumanos, feitos por humanos.

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sexta-feira, 8 de junho de 2018

Odete, a rainha das boléias de Ceilândia

Quatro horas da manhã, meu Nokia tem seu primeiro acesso do dia. Acordo dormindo, ou durmo acordando e atendo. Do outro lado da célula, Odete, a ex-vedete e ex-rainha dos caminhoneiros de Ceilândia. Reza a lenda que em determinada época folclórica de Bananaland, navegando numa carreta bi-trem numa solitária e reta rodovia que liga o nada ao lugar nenhum, Odete fez uma parada rápida em pacata e famosa cidade ao norte, que naquele momento acolhia cerca de duzentos rapazes de verde-oliva, em intenso treino de resistência. Atenta à voz de comando, fez com que pelo menos 28 dos pletóricos rapazotes, segundo fontes fidedignas, não obtivessem o pleno êxito, sendo dali mesmo devolvidos à sua vidinha civil, sem graça e sem Odete. 

Odete, meudeusdocéu, que saudade ...

Paulo, meu amore, saudade tenho eu desta sua marcha forte de câmbio manual, mas eu que estou louca mesmo é com esta vontade doida de você dar uma turbinada neste meu motor bem (e muito bem) rodado de 16L com 610 hp

Odete ... puxa vida! - Gente, não entendi nada, mas parece ser bom, sei lá ... mas o que está mandando, meu bem?

Pelo amor das boléias, amore, não sabe o que está acontecendo não?

Sim e não, mais ou menos, parece uma coisa e parece outra, enfim, saber, saber, não sei.

Credo, amore, tenho que parar de te abandonar. Neste momento estou num trecho travado, blindada por valorosos pilotos em missão de paradinha no acostamento, que estão a locupletar-me com estabilidade permanente, visibilidade ativa e completa, visão total do meu eu interior, mão boba com direção dinâmica em meus Airbags e um vibrante câmbio automático ...

Madre-de-dios, o que é isto? Odete, você está interagindo ao novo caos? Pode me explicar o que de fato está ocorrendo?

Olha, amore, como sabe, eu só falo coisas que posso provar.

Claro, Odete, sei bem da sua dignidade.

Uau! Bem, deu que euzinha estava na Asa Norte dias destes no escritório da Margô, uma moça de negócios de atenção diferenciada a clientes especiais do poder nuclear central, procurando reagendar um compromisso com determinado senador que precisava de uma pessoa culta e bilíngue para compor sua comitiva internacional na Hungria. É só Hungria, hem ... não confunda com aquela outra ... bem, dei minhas referências, mas o danado conseguiu mais uma escorregada no quiabo dos amigos dos amigos, onde colhe frutinhas de frotas do submundo, se é que me entende.

Interessante, meu bem! E ...?

Uau, Paulo, me chamou de meu bem? Uau uau uau - orgasmos múltiplos te aguardam. Bem, enquanto eu conversava com Margô, ela me disse que Laurinha, uma vagabundinha da Asa Sul, deu de querer abrir concorrência. Aí Margô procurou levantar a ficha, não é? No Plano Piloto tudo tem que estar fichado. Margô foi atrás de Aparício um trans-conservador da ala ortodoxa neocon direitosa, que tem uma relação estável com Carminha, a devassa do oculto e secretíssimo Anexo V do Olimpo do Planalto Central.

Onde chega isto?

Credo, euzinha estou relatando em detalhes, você aparece aquele funesto senil que só passa rapidinho ...

Desculpa, querida, foi mal, desculpa ... é o clima, é a copa, é pau, é pedra e estes filhos de uma puta a derreter nossas esperanças.

Ai, quero que venha me ter logo em Brasília depois desta, hem ... pedido de desculpas, me chamou de querida e ainda por cima abriu a caixa blindada deste coração insensível... bem, seguindo. Falei da Carminha? Falei, sim, lembrei. Bem, aquela devassa tem um romance de cinema com K32, um agente triplo trans-infiltrado na 5ª sub-secretaria de assistência ao mundo civil, ficante da Madame D+, aquela conhecida pilantra de função de 3ª classe da quarta sub-gestão, vinculada ao Dr. Coisado, um faz tudo pau-mandado do CEO Fulano, indicado ao elevado cargo pelo recente hóspede gerado, não criado pelas urnas. Bem, de fato quem manda naquela merda toda é o ex-deputado Dr. X-Tudo, nossa, arrepiei todinha, lembrei de uma paradinha que tive com Dr. X-Tudo em Berna, ele e aquelas suíças ... hummm, delícia ...

Odete ...

Nossa, irritadinho hoje, hem! Então. Voltando ao foco, meu bem, ao foco - Segundo Margô, que acabou chamando a piranha da Laurinha para dividir uma Maison na orla do Paranoá ...

Olha só, hem Odete, até entre profissionais do âmbito de lazer personificado tem fusão de negócios, que coisa interessante.

Meu bem, isto aqui é Brasilia, tudo é moderninho. Esquece esta Laurinha, sem chance de te apresentar à perua. Voltando - Carminha contou à Margô que escutou de Aparício, o neocon trans-conservador, num momento de raro prazer entre olhares, - ai, gente, só rindo, - bem, Aparício tem um amiguinho de coisas comuns entre os dois, de alta relevância no cenário nacional, que também leva Carminha no arame. Este sena..., digo,este senhor que frequenta o Anexo 5 confidenciou a Carminha que ninguém e alguém, tudo junto e misturado, tomaram Pindorama de assalto e só largam no dia que aquele que não pode ser nomeado for reconhecido como o pai da pátria amada, aquele velho safado gerado não criado pela santa malandragem da ribeira baixa.

Odete, meu bem, não entendi nada!

Mas a função é esta mesmo. Quem falar que está entendendo é retardado. Ai, amore, agora que demonstrou sua inteligencia QI três dígitos, não custa nada me ter em Brasília. Vem, amore, vem ...

Odete, eu, eu, eu ... alô alô, droga, caiu a ligação enquanto eu tentava pegar no tranco desta ladeira abaixo que nosso grandioso líder gerado e não criado nas urnas, está nos levando.

É isto aí!


quinta-feira, 7 de junho de 2018

Tus Besos Son (Chico Trujillo)


Tus besos son
Los que me dan alegria,
Tus besos son
Los que me dan el placer
Tu besos son
(tus besos son)
Son como caramelo
(caramelo)
Me hacen llegar al cielo
Me hacen hablar con dios
(x2)

Tus besos son
Toda mi vida
Tus besos son
Mi mundo entero
Tus besos son
(tus besos son)
Son como caramelo
(caramelo!)
Me hacen llegar al cielo
Me hacen hablar con dios.

Revelação (Fagner)

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Um dia vestido
De saudade viva
Faz ressuscitar
Casas mal vividas
Camas repartidas
Faz se revelar

Quando a gente tenta
De toda maneira
Dele se guardar
Sentimento ilhado
Morto, amordaçado
Volta a incomodar

domingo, 3 de junho de 2018

Soneto de Separação - Vinícius de Moraes

De repente do riso fez-se o pranto 
Silencioso e branco como a bruma 
E das bocas unidas fez-se a espuma 
E das mãos espalmadas fez-se o espanto. 

De repente da calma fez-se o vento 
Que dos olhos desfez a última chama 
E da paixão fez-se o pressentimento 
E do momento imóvel fez-se o drama. 

De repente, não mais que de repente 
Fez-se de triste o que se fez amante 
E de sozinho o que se fez contente. 

Fez-se do amigo próximo o distante 
Fez-se da vida uma aventura errante 
De repente, não mais que de repente.

quarta-feira, 30 de maio de 2018

Saíram com o rabo entre as pernas


Há alguns meses, apoiados numa histérica misoginia (pleonasmo de reforço - há histeria na misoginia sempre sempre sempre), foram os heróis da vitória dos patos e agora ... hummmm ... pois é, josé, e agora?!

Rabo entre as pernas.

Expressão popular que significa: sair humilhado, acovardado, apavorado. Os animais fugitivos ou amedrontados fogem com a cauda abaixada, entre as pernas. Não teve jeito, fulano teve que sair correndo, com o rabo entre as pernas.

O texto abaixo e a gravura acima copiei e colei literalmente do blog 

Muitos donos de cães têm-nos para poderem dar ordens a alguém:
- Senta! Deita! Rebola! Vai buscar!
Depois de guardarem os cães vão sentar, deitar, rebolar e buscar às ordens de políticos medíocres, de empresários gananciosos ou de badamecos da função pública. Vidas de cão.

É isto aí!

Saia da sombra, venha para a luz

Preciso começar falando de sombra por Jung:

a sombra, porém, é uma parte viva da personalidade e por isso quer comparecer de alguma forma. Não é possível anulá-la argumentando, ou torná-la inofensiva através da racionalização. Este problema é extremamente difícil, pois não desafia apenas o homem total, mas também o adverte acerca do seu desamparo e impotência” (JUNG, 2008d, p. 31)

A definição junguiana da sombra foi muito bem colocada por Edward C.Whitmont, analista de Nova York, ao dizer que sombra é “tudo aquilo que foi reprimido durante o desenvolvimento da personalidade, por não se adequar ao ideal de ego.

Se você teve uma educação crista, com o ideal do ego de ser benevolente, moralmente reto, gentil e generoso, então certamente você precisou reprimir todas as suas qualidades que fossem a antítese desse ideal: raiva, egoísmo, loucas fantasias sexuais e assim por diante. Todas essas qualidades que você seccionou formariam a personalidade secundária chamada “sombra”.

Hoje eu quero convidar você a incidir a luz sobre as sombras da sua alma, aqueles sentimentos que foram sendo varridos para debaixo das suas vontades, em função de uma verdade que não é a nossa.

Somos um país livre com as nossas vidas, nossa alegria, nosso carnaval, nossa ancestralidade negra, branca e índia tudo junto e misturado, nossa macumba, nosso terço, nosso candomblé, nossas procissões, nossas novenas, nossas crenças nas mais diversas formas transformadas em um objeto na sombra de uma poderosa rede nacional de mídia invasiva. Permita se descobrir - não há dia sem sol e lua, noite e dia, escuridão e luz - traga sua sombra novamente para  a luz e verá que um filho não foge à luta. 

A sombra contém grandes possibilidades e potencialidades que o ego reprimiu por falta de afinidade e ou repulsa provocada pelo outro. A sombra é nosso lado obscuro com características construtivas e destrutivas, ou seja, contém aspectos ocultos, afetivos, autônomos, suficientemente, capaz de ameaçar e dominar o ego, este processo de edificação por valores dominantes. 

Assim definiu o poeta Gilberto Gil:

O mundo da sombra, caverna escondida
Onde a luz da vida foi quase apagada
mundo da sombra, região do escuro
Do coração duro, da alma abalada, abalada
Hoje eu canto a balada do lado sem luz
Subterrâneos gelados do eterno esperar
Pelo amor, pelo pão, pela libertação
Pela paz, pelo ar, pelo mar
Navegar, descobrir outro dia, outro sol
Hoje eu canto a balada do lado sem luz
A quem não foi permitido viver feliz e cantar
Como eu
Ouça aquele que vive do lado sem luz
O meu canto é a confirmação da promessa que diz
Que haverá esperança enquanto houver
Um canto mais feliz
Como eu gosto de cantar
Como eu prefiro cantar
Como eu costumo cantar
Como eu gosto de cantar
Quando não tão a balada, a balada, a balada
do lado sem luz


terça-feira, 29 de maio de 2018

A pátria da minha rua

Quero essa pátria parida
nas margens turbulentas da vida
em raios múltiplos do sol nascente
reluzente ao céu da minha rua

Quero uma pátria
conquistada com braços fortes
cabelos ao vento, peito aberto
Desafiando a própria sorte!

Quero uma pátria amada
uma pátria amante
que não seja idolatrada, nem salvífica
mas que seja acolhedora e destemida.

Uma pátria atenta, flamejante
amor sincero, resolvida e pronta
que resplandeça o sorriso
do seu povo fulgurante

Uma pátria gigante
bela, formosa e aconchegante
Onde todas as crianças têm futuro
acionados pela grandeza pulsante

pátria amada
única neste planeta de mundo finito
seja pai, mãe, filha
dos filhos deste solo, aflitos.

É isto aí!

segunda-feira, 28 de maio de 2018

Só coisando.

Ando tão angustiado e desacreditado que de repente acho possível uma conjunção planetária reversa.

Na verdade estou atento e tenso com tudo que vejo acontecer. Há um grande e nada amistoso negócio por detrás desta grande e ruidosa coisa. Mas como está tudo coisado, não sei de nada, apenas coiso. 

quinta-feira, 24 de maio de 2018

Perfeição - Legião Urbana (Renato Russo)


Perfeição
Renato Russo (1960 - 1996), compositor, poeta, cantor e pensador brasileiro.

Vamos celebrar a estupidez humana
A estupidez de todas as nações
O meu país e sua corja de assassinos
Covardes, estupradores e ladrões
Vamos celebrar a estupidez do povo
Nossa polícia e televisão
Vamos celebrar nosso governo
E nosso estado que não é nação
Celebrar a juventude sem escolas
Crianças mortas
Celebrar nossa desunião
Vamos celebrar Eros e Thanatos
Persephone e Hades
Vamos celebrar nossa tristeza
Vamos celebrar nossa vaidade
Vamos comemorar como idiotas
A cada fevereiro e feriado
Todos os mortos nas estradas
Os mortos por falta de hospitais
Vamos celebrar nossa justiça
A ganância e a difamação
Vamos celebrar os preconceitos
O voto dos analfabetos
Comemorar a água podre
E todos os impostos
Queimadas, mentiras e sequestros
Nosso castelo de cartas marcadas
O trabalho escravo
Nosso pequeno universo
Toda a hipocrisia e toda a afetação
Todo roubo e toda a indiferença
Vamos celebrar epidemias:
É a festa da torcida campeã
Vamos celebrar a fome
Não ter a quem ouvir
Não se ter a quem amar
Vamos alimentar o que é maldade
Vamos machucar um coração
Vamos celebrar nossa bandeira
Nosso passado de absurdos gloriosos
Tudo que é gratuito e feio
Tudo o que é normal
Vamos cantar juntos o hino nacional
A lágrima é verdadeira
Vamos celebrar nossa saudade
E comemorar a nossa solidão
Vamos festejar a inveja
A intolerância e a incompreensão
Vamos festejar a violência
E esquecer da nossa gente
Que trabalhou honestamente a vida inteira
E agora não tem mais direito a nada
Vamos celebrar a aberração
De toda a nossa falta de bom senso
Nosso descaso por educação
Vamos celebrar o horror
De tudo isso
Com festa, velório e caixão
Está tudo morto e enterrado agora
Já que também podemos celebrar
A estupidez de quem cantou esta canção

Venha, meu coração esta com pressa
Quando a esperança está dispersa
Só a verdade me liberta
Chega de maldade e ilusão
Venha, o amor tem sempre a porta aberta
E vem chegando a primavera
Nosso futuro recomeça:
Venha que o que vem é perfeição...

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Marling - by Usman Haque

A palavra é viva - tem energia. Veja aqui: 
Sua voz cria o espaço ao seu redor, reverbera de várias maneiras muito depois de você ter parado de falar. Em Marling - Holanda, as vozes dos cidadãos são dadas através de efeitos espetaculares que pairam no ar acima da multidão, formando um teto delicado e complexo de cores animadas. As pessoas se tornam atores no cenário urbano, trazendo o espaço à vida através de suas ações e sons, e construindo uma memória pública compartilhada de colaboração que, esperamos, durará muito tempo depois do evento.