segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Vingança!


Nunca interrompa seu inimigo quando ele está cometendo um erro

Napoleão Bonaparte foi bom em muitas coisas, principalmente na forma como tratava seus inimigos. É dele a frase que nomeia este texto: "Nunca interrompa seu inimigo quando ele está cometendo um erro". 

Fulaninho já vinha a alguns anos provocando aliados e adversários, cuspindo no rosto, chutando de bico na canela, disparando palavras duras e o silêncio era total. Suas andanças em corredeiras e cachoeiras corriam a miúdo, apenas para ouvidos especializados, em especial três dos mais aguçados caciques tupynambás.

Dia destes dois destes caciques foram a Sampa ouvir um grande pajé, pois a estréia do teatro já estava pronta, só faltava o sinal verde. Sua ex-celência da Pajelança ecumênica determinou ao cacique menor, digamos assim,  pegar Fulaninho para si, como um brinquedinho especial, e o cacique maior ficou ocupado em fazer desaparecer o elefante diante da platéia, sem deixar vestígios.

Nada melhor do que vingança em prato frio...

Enquanto isto, em território apache, um sioux de 41 anos foi julgado no tribunal de Pierce County, porque sua ex-mulher que continuava oficialmente casada com ele, descobriu por meio do Facebook que o acusado mudou de nome e estava novamente casado.

Soubesse o cidadão bígamo da origem da espécie, quando, segundo o Talmude, Lilith foi a primeira esposa e infernizou literalmente a segunda união de Adão, saberia que ex é para sempre...

É isto aí!

domingo, 9 de dezembro de 2018

O Tempo que foge (Ricardo Gondim)

Nota do autor:
Querem roubar e ainda me chamam de ladrão
Ricardo Gondim

Escrevi “O Tempo que Foge”. Alguém o fez circular como de um Autor Anônimo. Depois, disseram que era de Mário de Andrade. Agora, por último, me acusam de tê-lo roubado de Rubem Alves. Insisto, o texto é meu. Eu o escrevi no meu computador, na privacidade de meu ambiente de trabalho e está publicado no meu livro “Creio, mas tenho Dúvidas”, Editora Ultimato, com registro no ISBN, na página 107.



Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para frente do que já vivi até agora. Sinto-me como aquele menino que ganhou uma bacia de jabuticabas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço.

Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflados. Não tolero gabolices. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte.

Já não tenho tempo para projetos megalomaníacos. Não participarei de conferências que estabelecem prazos fixos para reverter a miséria do mundo. Não vou mais a workshops onde se ensina como converter milhões usando uma fórmula de poucos pontos. Não quero que me convidem para eventos de um fim-de-semana com a proposta de abalar o milênio.

Já não tenho tempo para reuniões intermináveis para discutir estatutos, normas, procedimentos parlamentares e regimentos internos. Não gosto de assembléias ordinárias em que as organizações procuram se proteger e perpetuar através de infindáveis detalhes organizacionais.

Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Não quero ver os ponteiros do relógio avançando em reuniões de “confrontação”, onde “tiramos fatos à limpo”. Detesto fazer acareação de desafetos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário do coral.

Já não tenho tempo para debater vírgulas, detalhes gramaticais sutis, ou sobre as diferentes traduções da Bíblia. Não quero ficar explicando porque gosto da Nova Versão Internacional das Escrituras, só porque há um grupo que a considera herética. Minha resposta será curta e delicada: – Gosto, e ponto final! Lembrei-me agora de Mário de Andrade que afirmou: “As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos”. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos.

Já não tenho tempo para ficar dando explicação aos medianos se estou ou não perdendo a fé, porque admiro a poesia do Chico Buarque e do Vinicius de Moraes; a voz da Maria Bethânia; os livros de Machado de Assis, Thomas Mann, Ernest Hemingway e José Lins do Rego.

Sem muitas jabuticabas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita para a “última hora”; não foge de sua mortalidade, defende a dignidade dos marginalizados, e deseja andar humildemente com Deus. Caminhar perto dessas pessoas nunca será perda de tempo.

Soli Deo Gloria.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

Nó (Poesida de Eliara Sandim)

Alto lá
Esta Poesida* não é minha 
Autora: Eliara Sandim
Fonte: http://escritoriodepoesia.blogspot.com/

Sometimes Life Is Unfair


Eu tenho algo de que
horóscopo nenhum fala
algo que não está estampado na cara
como algo crônico ou raro
um problema que não se entende
algo sem solução
como se eu tivesse nascido com os dedos amarrados
um estranho presente pregado nas mãos
um brinquedo quebrado
ou sem manual de instrução

que eu nasci pra ser fantasma, ralé
alguém sem mais nada
nem mesmo fé
ou será que tiraram de mim
ou será que vendi?
ou será que perdi, em alguma esquina que não sei se caí...

o médico vê saúde
as pessoas vêem não sei o quê
eu só me vejo emagrecer

acharam que eram drogas
ou uma crise temporária
acharam que eu era heroína
com dom pra pessoa gregária
alguém que "da a volta por cima"
um animalzinho que se dá bronca
e depois mima...

mas acordo sempre com isso doendo
isso que enjoa tudo o que tenho
essa ladainha que era coisa adolescente
mas volta todos os dias
depois do sol poente.

uma vocação pra ser capacho
um eterno cio pra nenhum macho...
Luzes apagadas diante dos olhos
todos boquiabertos me esperam mostrar
aquilo que nenhum médico ainda soube explicar.

*Poesida é o nome que Eliara Sandim dá aos seus poemas

Coaching do Luto

FONTES
01 - José Roberto Marques Master Coach Senior & Trainer, Presidente IBC 

02 - Maya Santana - Jornalista correspondente da BBC Londres e Blogueira Blog50eMais

01 - José Roberto Marques:

Todos nós passamos por situações difíceis, seja a falta de um emprego, uma doença terminal, crise conjugal, instabilidade financeira, problemas de saúde e tantos outros. Mas a verdade é que nenhuma delas pode ser maior ou pior do que a dor do luto.

A angústia de perder alguém que amamos é, sem dúvida, um dos sofrimentos mais difíceis de lidar. Isso porque a morte nos separa de alguém que fez parte da nossa vida e de tudo o que é importante para nós. É uma dor inimaginável.

Sabemos que a morte faz parte do ciclo natural das coisas. Todos nós nascemos, crescemos, constituímos famílias, nos realizamos pessoal e profissionalmente, envelhecemos e morremos. Essa é a lei da vida. Mas, apesar de sabermos que um dia partiremos e quem amamos também, nenhum de nós está realmente pronto para lidar com este fato. A verdade é que ninguém nasce sabendo lidar com a perda, com a separação, com o fim de uma vida.

Mas hoje, através deste artigo, quero mostrar a você que, mesmo não estando preparados, existe sim uma luz no fim do túnel e uma esperança em meio a dor e ao óbito.Se você está passando por este momento tão difícil e delicado, já vivenciou ou conhece alguém que está passando pelo luto, quero te dizer que é possível superar a morte e continuar a viver através do Coaching.

Não estou dizendo que esta ferida será dissipada. Pelo contrário, ela continuará ali, mas será cicatrizada, curada e restaurada de uma forma positiva e equilibrada.

Quero apenas te ensinar como o Coaching, a melhor e mais eficaz metodologia de desenvolvimento e capacitação humana da atualidade pode te ajudar a superar o falecimento de alguém e seguir em frente.

Quero apenas te encorajar, te estimular e te mostrar que o processo que mudou a minha vida e a minha história pode mudar a sua também. Quero te mostrar como o Coaching pode trocar a dor do luto pela superação e, ainda, como ele pode te auxiliar a continuar a sua jornada sem tristeza e mágoas, apenas com as boas lembranças e a esperança de que algum dia, em algum momento ou plano, nos reencontraremos novamente com aqueles que já partiram.

Você já deve ter ouvido falar em algum de meus artigos, materiais, livros ou formações sobre o extraordinário poder do Coaching para mudar e transformar a vida de pessoas e profissionais em qualquer situação. E quero apenas salientar que este processo não é apenas uma metodologia ou um conhecimento, é uma mudança, uma experiência de vida que, quando aplicada de forma eficaz, pode impactar todas as áreas da sua vida.

Por isso, quero compartilhar com você alguns aspectos importantes que o Coaching pode trabalhar para ajudar a superar a morte.

Dicas de Coaching para lidar com a morte


Confira 3 dicas de Coaching para superar e lidar com a morte:

·         Legado eterno


A morte nos separa daqueles a quem amamos, mas tudo o que essa pessoa fez de bom, proveitoso e benéfico para a família, amigos e o mundo ao seu redor continuará eternamente. Esse é um registro que ficará marcado durante todos os nossos dias. É o que eu costumo chamar de legado. Ele existe essencialmente porque todos nós partiremos um dia e queremos deixar a nossa marca no mundo.

Qual foi o legado que o seu ente deixou em sua vida, em sua memória e no mundo? Qual foi a missão de vida dele? Quais foram os pontos positivos que ele deixou depois da partida? O que você pode aprender com ele?

Reflita sobre isso e veja como os seus sentimentos podem ser transformados em ações e lembranças positivas e permanentes para você e para todos a sua volta.

·         Lidando com as emoções
A morte acarreta uma série de sentimentos maléficos e destrutivos que podem ocasionar doenças como a solidão, a baixa auto estima, o estresse, a depressão e até mesmo o pensamento de suicídio.

Todos nós sabemos que sofrer se faz necessário durante o momento da perda, mas quero te lembrar que o sofrimento é passageiro, mas a dor de permanecer nele é uma escolha sua. Você tem duas opções: mergulhar num lago profundo de dor, tristeza e lembranças dolorosas constantes que podem te impedir de viver e só fará mal para a sua mente, emoções e para a sua vida ou escolher suportar a dor com otimismo.

Isso é aceitar a perda mas lembrar que a vida continua, que os seus sonhos continuam e que os sonhos daquele que partiu também podem continuar através da sua vida e das suas ações.

·         Cultive boas recordações


A pessoa que se foi sempre fará parte da sua vida mesmo não presente fisicamente. Por isso tente cultivar apenas boas lembranças e recordações com otimismo e força.

A pessoa que partiu jamais será esquecida, mas é importante ter em mente que qualquer um que já não esteja entre nós gostaria que seguíssemos em frente, que continuássemos nossas jornadas com fé e otimismo, guardando apenas a saudade e a esperança de um dia vê-los novamente.

E você, está passando por um momento parecido? Como você tem enfrentado essa situação? Deixe o seu comentário e compartilhe comigo a sua história para que mais pessoas sejam edificadas através do seu relato. Espero que o Coaching, verdadeiramente, possa te apoiar e ajudar a superar a morte de uma forma positiva.

Paz e Luz,

02 - Maya Santana

Achei a história da médica Rosângela Cassiano,50 anos, publicada pelo Uol, inspiradora. Decidi postá-la aqui no 50emais num momento em que nos preparamos para despedir de 2015 e queremos nos encher de boas energias, bons fluidos, para iniciar o novo ano no positivo. Rosângela perdeu, em épocas diferentes, três fihos. Superou as perdas se reinventando: “Descobri minha real missão nessa vida e decidi me transformar em coach de luto de mães. Foi a forma que encontrei de ajudar outras mães a encontrar um novo caminho sem a presença física de um filho que morreu, a buscar um novo propósito de vida”, conta ela.

Quem nunca passou por isso sequer pode imaginar o tamanho da dor de perder um filho. A médica Rosangela Cassiano, de 50 anos, viveu essa situação nem uma, nem duas vezes… mas três.

“A primeira vez que vivenciei a perda de um filho foi em 1985. Estava grávida de 19 semanas e houve um sangramento. Fui para o hospital e meu bebê já não tinha mais frequência cardíaca, estava morto na minha barriga”, conta.

Nove anos depois, Rosangela perdeu Reinaldo, seu filho adotivo, em um acidente de mobilete. Foi avisada por telefone, poucos minutos antes de começar uma palestra em um hotel em São Paulo. “No exato momento em que soube do estado do meu filho, muitas coisas passaram em minha cabeça, muitas cenas…”, lembra-se.

Rosangela conta que seu primeiro sentimento foi de negação, depois solidão, desamparo, raiva e depressão, cada um em seu ciclo.

Foram as filhas Marielle e Michelle que lhe deram o sentido de que ela precisava para seguir em frente. “Era preciso retomar a minha vida sem aquele que também era uma das pessoas mais importantes na minha vida”, diz.

Em 2011, Rosangela enfrentou sua terceira perda. Na véspera do Dia das Mães, seu telefone tocou de madrugada. Marielle havia sofrido um acidente de carro. Faleceu 20 minutos depois de chegar ao hospital. O desespero tomou conta de Rosangela. “De novo, não, meu Deus”, era tudo o que ela pensava.

A dor do luto não deu trégua, mas, com o tempo, Rosangela conseguiu superá-la mais uma vez, com ajuda da filha Michelle e da neta Maria Vitória, de 4 anos (que aparece na foto com ela, acima). Durante todo esse período, questionou-se por que a vida havia lhe tirado três filhos.

“Depois de tudo isso, cheguei à conclusão de que posso ajudar pessoas que também perderam filhos. Descobri minha real missão nessa vida e decidi me transformar em coach de luto de mães. Foi a forma que encontrei de ajudar outras mães a encontrar um novo caminho sem a presença física de um filho que morreu, a buscar um novo propósito de vida, a criar novos caminhos para voltar a encontrar o sentido da vida”, explica.

“A dor da perda de um filho é inexplicável. Mas pode ser transformadora a quem se dá a oportunidade de renascer. Nós não temos a total compreensão de algumas coisas, mas somos capazes de superar, porque a vida é assim. A única certeza que temos é: nascemos, evoluímos ou não e morremos. A morte é para todos”, conclui.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

Namoro científico (28 de abril de 2012)

Esta crônica foi publicada no primeiro Blog, logo no início, em 28 de abril de 2012. Ela e duas centenas de outras estão na fila da recuperação, pois à época o blog anterior  foi desconectado. Foi uma das primeiras crônicas que escrevi. Espero que goste:


Projeto Orion era uma idéia burocrática do poder militar ao melhor estilo romano, em terras apaches&sioux, na década de 1950, com a simplicidade de colocar como propulsor das naves espacias uma Bomba Nuclear como fonte de energia galática. A nave seria levada por uma onda de choque, e alavancaria condições de vôo espacial fantásticas.

Só faltou envolver a possibilidade de que somos seres vivos, e uma onde de choque desta natureza anularia a possibilidade de viajarmos ao espaço, ao infinito e além, além, é óbvio, da possibilidade de algum acidente provocar eventos de natureza dramática por sobre a atmosfera...

Você pode estar pensando onde quero chegar com isto, pois afinal sempre queremos chegar a algum lugar, ou não?

Este blogueiro andou verificando alguns megatons que estão ocultos em sites de relacionamentos, onde mulheres procuram amor e homens procuram mulheres. O que nós, bípedes da combinação genética XY não sabemos é que elas, as XX sabem do que falam e possuem memória atômica. Vejamos um pequeno exemplo, onde resguardarei o direito da informação da fonte, mas asseguro que são verdadeiras:

O que elas querem:
1 - Susaninha, 46 anos, divorciada Rio de Janeiro - Não sou uma mulher perfeita, mas em minhas imperfeições sou única. Quero ser seu amor!
2 - Mell, 38 anos, viúva, Cuiabá - Se quero algo sério e posso me expor ... então pq vc tbém não pode ??? Quero um homem que seja fiel.
3 - Tatuadasex, solteira, 38 anos, Brasília - Quero grudar no seu corpo...e ser sua para sempre!
4 - Quitthy, 50anos, Belo Horizonte - Quero ser feliz! Quero alguém para completá-la!
5 - Liz, 40 anos, divorciada - Uma mulher especial!! Fiel e apaixonante!

O que eles dizem:
1 - Jajá, 36 anos, solteiro, Rio de Janeiro - Hoje você está bem na fita? Venha ser meu telecine!! 
2 - Carlinhos, 45 anos, casado, Niterói - Vem aqui para o seu tigrão!!!!
3 - Renato3465, 38 anos, divorciado, Belo Horizonte - Pode confiar, eu sou foda!
4 - Gatinho345A, 27 anos, solteiro, São Paulo - O que vc está esperando? Sigilo e discrição.
5 - Geraldinho, 52 anos, divorciado, Campinas - Venha fazer parte da minha coleção!!!

Então?!? Você acredita que esta combinação é explosiva ou isto é o que a mídia globalizante chama de amor?

É isto aí!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Mulheres de Damasco 1873 (Pascal Sebah)



Fonte: http://loc.gov/pictures/item/2004666928/?sid=84bbc98893b61ab1654dd9a64c532cef

Mulheres de Damasco 1873 .

Uma coleção de fotografias do famoso fotógrafo Pascal Sebah, por ocasião da exposição universal em Viena em 1873. O álbum representa os trajes de diferentes regiões e grupos étnicos e religiosos do Império Otomano.

À esquerda: uma senhora da aldeia da região de Damasco. (uma camponesa do bairro de Damasco)

Centro: uma drusa de Damasco (usando o Tantur, uma base de prata em forma de cone que geralmente é coberta com um véu. O Tantur foi útil para exagerar na altura da mulher).

À direita: uma senhora de Damasco (usando o qabqab, uma sandália de madeira com uma gravura em madrepérola usada ao redor da casa e em um banho turco)

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Odete, a santa beatificada do planalto central


Amaldiçoando diuturnamente este maldito horário-de-verão, meu indefectível Nokia original, único dono, toca às cinco horas, meio sonolento meio acordado, atendo e do outro lado da célula está Odete, a única beata do Distrito Federal.

Reza a lenda no Plano Piloto que a canonização de Odete deu-se pela  incisiva defesa de dois doutos e provectos mandarins da ordem e do progresso nacional, quando testemunhou em processo sigiloso de certa corte oculta de que aqueles senhores benfazejos não faziam "boîte deux" em virtude de investirem sempre no ménage trois dos fundos da generosa Odete, locupletada de bem-aventuranças para o bem da nação. E bastou este milagre para se tornar beata Odete.

Odete!!!

Beata Odete, por favor, meu bem! Beata Odete, pois estou no paraíso servindo de espelho para as benfazejas cuidadoras de idosos do Paranoá, que é a moda top-top por aqui, só se fala nisto.

Bem, desculpe, não tinha ligado a coisa às pessoas. É muita informação!

Ai, amore, para com isto, foi só para descontrair. Me chama de qualquer coisa, mas me chama, vem em Brasília me ter, vem ...

Uau, fico sem palavras. Mas, Odete, a que devo a honra da sua ligação?

Seguinte, amore, como sabe não falo nada sem fonte, nem copio, nem faço plágio, nem coloco silicone ou botox, sou toda original.

Sério?

Bem, tem uns reparos aqui e ali, mas quem liga? O importante é citar a fonte.

Então diga, meu amor!

Nossa! Arrepiei todinha, você eletrizou meu coração.

Uai, mas isto não era de outro jeito com o Ednardo?

Ai, amore, vamos aos fatos. Então, não perca o fio do novelo, senão complica, ok, amore?

Vamos lá, Odete, gosto da sua voz...

Ai...  bem, dia destes estava no Salão da Jack KO ..

Jack KO?

Ai, tenho que explicar tudo. Era para ser uma homenagem à Jackie Kennedy Onassis, mas aí o escrivão resolveu abreviar e assim atrapalhou o futuro estelar de diva da moça.

Ah, bom.

Para de interromper e escuta. então, eu estava na Jack KO fazendo uma escovinha, pé mão e outra coisa que a Creuzinha faz enquanto a gente engoma a calça e fica  a cantar. Daí, entrou no salão a antipática e esnobe Lady Penélope Norway.

Norway? Ela é da nobreza norueguesa?

Para de interromper, amore. Norway é por que ela só vê as coisas do jeito que o norte vê. E lady é o título das meninas de pudicícia aparência e despudorada saliência. E Penélope ...

Está bem, está bem ... já entendi e não vou mais interromper.

Bem, aí Lady Norway me disse que ouviu de Jorginho Ragatanga, seu petit ami amoureux, um servidor calça-curta da sexta secretaria da quinta sessão, do quarto departamento, da segunda mesa da Casa do Povo, cuja namorada que lhe confidenciou é esposa de Odilon Odílio, um DJ pobre de Planaltina que trabalha como Commins num piano bar de certo prestígio vip no Plano Piloto, que por sua vez soube pela amante Isoldinha, uma simpática moça de fino requinte, que ouviu uma pouco agradável conversa entre um pletórico senhor da alta corte imperial ao qual atende aos caprichos e um exótico e incansável ex-cliente, hoje quase um senil cavalheiro do Lago Norte, que certa dupla até então denominada de imbatível e impoluta, está sendo, humm, digamos assim, hummm, ofuscada pela luz das estrelas.

Odete, então ...

Não fala, não fala nada, amore! Não fala nada e vem me beijar loucamente em Brasília, amore, vem me ter na lua nova, sob um céu cada vez mais absurdamente estrelado de Brasília.

Puxa vida, Odete, nem sei o que dizer ... eu, eu ... alô, alô ... droga, minha linha caiu igual estrela cadente.

É isto aí!

Eu você tirar você deste lugar (Odair José)


Olha, a primeira vez que eu estive aqui
Foi só pra me distrair
Eu vim em busca do amor

Olha, foi então que eu lhe conheci
Naquela noite fria
Em seus braços, meus problemas esqueci

Olha, a segunda vez que eu estive aqui
Já não foi pra distrair
Eu senti saudades de você

Olha, eu precisei do seu carinho
Pois eu me sentia tão sozinho
E já não podia mais lhe esquecer

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar
Eu sei que você tem medo de não dar certo
Pensa que o passado vai estar sempre perto
E que um dia eu posso me arrepender

Eu quero que você não pense em nada triste
Pois quando o amor existe
Não existe tempo pra sofrer

Eu vou tirar você desse lugar
Eu vou levar você pra ficar comigo
E não me interessa o que os outros vão pensar

sábado, 1 de dezembro de 2018

Cântico dos Cânticos, 7, 2-11


O Cântico dos Cânticos, conhecido também como Cantares, Cânticos de Salomão ou Cântico Superlativo, é o quarto livro da terceira seção (Ketuvim) da Bíblia hebraica e um dos livros poéticos e sapienciais do Antigo Testamento da Bíblia cristã. É um dos cinco Megillot ("cinco rolos") e é lido no sabá durante a Páscoa judaica, marcando o começo da colheita dos cereais e comemorando o Êxodo do Egito.

2.– Como são graciosos os teus pés nas tuas sandálias, filha de príncipe! A curva de teus quadris assemelha-se a um colar, obra de mãos de artista;

3.teu umbigo é uma taça redonda, cheia de vinho perfumado; teu corpo é um monte de trigo cercado de lírios; 

4.teus dois seios são como dois filhotes gêmeos de uma gazela; 

5.teu pescoço é uma torre de marfim; teus olhos são as fontes de Hesebon junto à porta de Bat-Rabim. Teu nariz é como a torre do Líbano, que olha para os lados de Damasco; 

6.tua cabeça ergue-se sobre ti como o Carmelo; tua cabeleira é como a púrpura, e um rei se acha preso aos seus cachos. 

7.– Como és bela e graciosa, ó meu amor, ó minhas delícias!

8.Teu porte assemelha-se ao da palmeira, de que teus dois seios são os cachos. 

9.“Vou subir à palmeira – disse eu comigo mesmo – e colherei os seus frutos.” Sejam-me os teus seios como cachos da vinha. 

10.E o perfume de tua boca como o odor das maçãs; teus beijos são como um vinho delicioso que corre para o bem-amado, umedecendo-lhe os lábios na hora do sono." 



terça-feira, 27 de novembro de 2018

Penso e passo (Alice Ruiz)

Cena filme "Zorba, o Grego"
Quando penso que um palavra
Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo

Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo

E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso. 

Alice Ruiz começou a escrever contos aos 9 anos de idade e aos 16 anos, começou a escrever seus primeiros versos. Mas durante muitos anos divulgou seus poemas apenas em revistas e jornais. Publicou seu primeiro livro aos 34 anos de idade. "Compõe letras desde os 26 anos e lançou, em 2005, seu primeiro CD, o Paralelas, em parceria com Alzira Espíndola, pela Duncan Discos, com as participações especialíssimas de Zélia Duncan e Arnaldo Antunes". Ao todo, possui 21 obras publicadas, dentre elas estão: livros, poemas, traduções, canções e histórias infantis.

Em 1993 foi homenageada pela comunidade nipónica brasileira com o nome de haicaista.

Foi casada com o também poeta Paulo Leminski, com quem teve três filhos: Miguel Ângelo Leminski, Áurea Alice Leminski e Estrela Ruiz Leminski. "Foi ele quem descobriu que Alice escrevia haicais (forma poética de origem japonesa), o que levou a autora pesquisar e estudar essa forma de fazer poesia." 

Em 2009, recebeu o Prêmio Jabuti pelo livro Dois em Um.

O Mago da Pitangueira e as famosas previsões para 2020

Daenerys Targaryen
Subi o Monte Sagrado da Pitangueira para escutar a sapiente palavra do Grande Mago. Depois de conversas amenas e troca de novidades, ficou de revelar as previsões astrais para 2020.

Mas, Mestre, o próximo ano é 2019.

Sério?

Sério. 

Humm, isto explica o vácuo. Bem, vamos lá, que venha 2019 e daqui vão as previsões. Pode perguntar.

Posso perguntar tudo sobre 2019, Mestre?

Sim, pode perguntar tudo.

Bem, vamos lá. Como será a política do novo governo federal.

Não respondo.

Mas o senhor disse ...

Sim, eu disse que pode perguntar, mas não disse que eu responderia.

Eu posso saber quais as perguntas o senhor não responderá?

Todas as que envolvem política nacional e internacional, matéria econômica, futebol, artes e Game of Thrones.

Sobre Astrologia?

Volte semana que vem, quando os astros estiverem de melhor humor.

Mestre, não vai dar nem uma dica sobre a Daenerys Targaryen?

Não! Passar bem! E foi me empurrando e fechando a porta ...

É isto aí!


Os deslimites da palavra (Manuel de Barros )


Ando muito completo de vazios.
Meu órgão de morrer me predomina.
Estou sem eternidades.
Não posso mais saber quando amanheço ontem.
Está rengo de mim o amanhecer.
Ouço o tamanho oblíquo de uma folha.
Atrás do ocaso fervem os insetos.
Enfiei o que pude dentro de um grilo o meu
destino.
Essas coisas me mudam para cisco.
A minha independência tem algemas

domingo, 25 de novembro de 2018

A subclasse do subemprego da subcidadania.


- Aqui é o lugar das entrevistas?

- Isto é uma pergunta ou uma afirmativa?

- Como assim?

- As perguntas são de caráter exclusivo da agência, e me parece que o senhor acaba de fazer a segunda. Está desclassificado. O próximo!!!

- Sou sou sou eeeee eu.

- O senhor é gago?

- Nã nnã não, estou ner ner nervoso.

- O próximo!!!

- Sim?

- Nome

- Não te interessa.

- Idade

- Não é da sua conta

- Estado civil

- Não te diz respeito.

- Endereço residencial.

- Sem chance

- Telefones de contato, fixo e celular com whatsapp

- Não forneço a estranhos

- Formação

- O suficiente

- Banco da sua preferência

- O que tenho conta

- Carteira de habilitação

- Dispenso curiosos.

- Muito bem, está subcontratado, assine esta folha em branco, considere a admissão como fato a ser concretizado em tempo e lugar adequados e entre na fila dos selecionados para o exame de perfil de gênero, se aprovado, passará pelo rigoroso crivo do perfil ideológico e ao final, uma vez aprovado, se solteiro for, volte aqui que poderemos conversar e nos conhecer melhor. Meu nome é Gilmary Parker, mas pode me chamar de Bic...

É isto aí!




sábado, 24 de novembro de 2018

Os quatorze pecados capitais


Os Sete Pecados Capitais do século VI:

Os sete pecados capitais são atitudes humanas contrárias às leis divinas. Foram definidos pela Igreja Católica, no final do século VI, durante o papado de Gregório Magno.

São eles:

1. Luxúria: apego e valorização extrema aos prazeres carnais, à sensualidade e sexualidade; desrespeito aos costumes; lascívia.

2. Gula: comer somente por prazer, em quantidade superior àquela necessária para o corpo humano.

3. Avareza: apego ao dinheiro de forma exagerada, desejo de adquirir bens materiais e de acumular riquezas.

4. Ira: raiva contra alguém, vontade de vingança.

5. Soberba: manifestação de orgulho e arrogância.

6. Vaidade: preocupação excessiva com o aspecto físico para conquistar a admiração dos outros.

7. Preguiça: negligência ou falta de vontade para o trabalho ou atividades importantes.


Novos Pecados Capitais (Não invalidam os anteriores) no século XXI

Em função das mudanças ocorridas na sociedade atual, o Vaticano criou, em março de 2008, um conjunto de novos pecados adaptados à era da globalização.

- Experimentos “moralmente dúbios” com células-tronco: a Igreja Católica defende a ideia de que a vida se forma no momento da formação do embrião. Portanto, condena qualquer tipo de pesquisa científica com embriões humanos e células-tronco embrionárias.

- Uso de drogas: as drogas causam dependência física e psicológica nos usuários e prejudicam o funcionamento harmonioso da família. É uma atitude contra a vida humana.

- Poluição do meio ambiente: a poluição do ar, água e solo trazem prejuízos sérios ao meio ambiente e a saúde das pessoas.

- Agravamento da injustiça social: o capitalismo criou, em muitos países, uma má distribuição de renda, deixando à margem da sociedade grande parcela da população (os excluídos sociais).

- Riqueza excessiva: o capitalismo favoreceu a concentração de renda, muitas vezes, de forma excessiva. Algumas pessoas concentram bilhões de dólares, enquanto outros, não têm se quer o que comer.

- Geração de pobreza: a pobreza e a miséria estão espalhadas pelo mundo. Cometem este pecado àqueles que contribuem para a geração destas condições sociais.

- Violações bioéticas como, por exemplo, controle de natalidade: é considerada violação bioética toda atitude que pretende evitar a geração de vida de forma natural (uso de contraceptivos, cirurgias, aborto, inseminação artificial).

Me Deixas Louca (Me vuelves loco) - Elis Regina

sexta-feira, 23 de novembro de 2018

Então queres ser um escritor

Então queres ser um escritor
Charles Bukowski

Tradução: Manuel A. Domingos

Se não sai de ti a explodir
apesar de tudo,

não o faças.

a menos que saia sem perguntar do teu
coração, da tua cabeça, da tua boca
das tuas entranhas,

não o faças.

se tens que estar horas sentado
a olhar para um ecrã de computador
ou curvado sobre a tua
máquina de escrever
procurando as palavras,

não o faças.

se o fazes por dinheiro ou
fama,

não o faças.

se o fazes para teres
mulheres na tua cama,

não o faças.

se tens que te sentar e
reescrever uma e outra vez,

não o faças.

se dá trabalho só pensar em fazê-lo,

não o faças.

se tentas escrever como outros escreveram,

não o faças.

se tens que esperar para que saia de ti
a gritar,
então espera pacientemente.
se nunca sair de ti a gritar,
faz outra coisa.

se tens que o ler primeiro à tua mulher
ou namorada ou namorado
ou pais ou a quem quer que seja,
não estás preparado.

não sejas como muitos escritores,
não sejas como milhares de
pessoas que se consideram escritores,
não sejas chato nem aborrecido e
pedante, não te consumas
com auto-devoção.

as bibliotecas de todo o mundo têm
bocejado até
adormecer
com os da tua espécie.
não sejas mais um.

não o faças.

a menos que saia da
tua alma como um míssil,
a menos que o estar parado
te leve à loucura ou
ao suicídio ou homicídio,

não o faças.

a menos que o sol dentro de ti
te queime as tripas,

não o faças.

quando chegar mesmo a altura,
e se foste escolhido,
vai acontecer
por si só e continuará a acontecer
até que tu morras ou morra em ti.
não há outra alternativa.
e nunca houve.

quinta-feira, 22 de novembro de 2018

Feliz o quê, exatamente?


2019, o ano que faremos ... nada! Seremos capazes de fazer o Nada com lamentações profeéricas (um neologismo quanto às profecias fantasiosas, pois Feérico é relativo ou pertencente ao mundo do imaginário, do que não tem ligação com a realidade concreta e factual; fabuloso, fantástico, etc).

Não haverá no ano que inicia nenhuma ameaça ao establishment, ao ser e ao estar. O tempo passou na janela, e puxa vida, onde foi parar o final dos contos de Jacob e Wilhelm Grimm,?

Mas, maktub, nos Salmos de David:

Tribulação e angústia me atingiram,
dá-me discernimento para que eu tenha vida. 
Salmos 119

Ou caso você seja dos que desejam feliz ano novo, temos o poema "Ano Novo", de Fernando Pessoa:

Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento

É isto aí!

Afirmações PODEROSAS para prosperidade - Maura de Albanesi