quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Devolvi (Adelino Moreira) com Maria Dapaz

Canta e encanta hoje no Cine Teatro Imperial da Pitangueira esta música de Adelino Moreira¹, a talentosa cearense Maria Dapaz²:

Devolvi o cordão e a medalha de ouro,
E tudo que ele me presenteou
Devolvi suas cartas amorosas,.
E as juras mentirosas,
Com que ele me enganou.
Devolvi a aliança e tambem seu retrato
Para não ver seu sorriso
no silencio do meu quarto.
Nada quis guardar como lembrança,
Prá não aumentar meu padecer.
Devolvi tudo
Só não pude devolver
A saudade cruciante
Que amargura meu viver.

Devolvi a aliança e tambem seu retrato.
Para não ver seu sorriso
No silencio do meu quarto.
Nada quis guardar como lembrança.
Para não aumentar meu padecer.
Devolvi tudo,
Sá não pude devolver,
A saudade cruciante,
Que amargura meu viver ...


Adelino Moreira¹ - um dos maiores compositores românticos dos anos 1950 a 1970, autor dentre dezenas de sucessos: Negue; A volta do boêmio (boemia, aqui me tens de regresso ...); Fica comigo esta noite; etc. 

 Maria Dapaz² -  por ela mesmo:

"Eu nasci para cantar..." Sou ariana nasci no dia 25 de março de 1959 em Jaboatão dos Guararapes/PE , mas me criei no sertão, às margens do rio Pajeú, na cidade de Afogados da Ingazeira.



sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A poloneta da vizinha está presa na gaiola ...

Galinha Polonesa
Minha guru para assuntos feministas, Lola, me deixou mais confuso que parafuso de rosca sem fim, torto. A situação deu-se diante do embate ético, comportamental, fisiológico, filosófico e passional entre duas pessoas cis de sexo oposto, onde a mulher cis, segundo a parte americana e americanófila, não deve aceitar sob nenhum argumento, a investida de um homem cis sobre seu corpo, de qualquer jeito - palavras, olhares, textos e sobretudo toques. A ala francesa, tal qual a americana, diz que é contra o estupro, é contra a violência, é contra o uso do poder para ter a mulher como objeto de consumo, etc, mas defende que as cantadas sejam e continuem livres. Deu pau na rede a discussão que isto gerou. É um assunto que requer cuidado, pois as duas partes estão melindradas e com a certeza da convicção.

Bem, preciso me aprofundar neste tema de uma forma menos traumática, de maneira que versarei sobre outro tema hoje. Vamos lá, mudando de assunto:

Considerando que US$1,00 (um dólar) em 1980 equivale hoje a US$3,00 (três dólares) segundo o Bureau of Labor Statistics consumer price index, uma dívida de US$6 bilhões de dólares em 1980 equivale hoje a uma dívida de $18 bilhões de dólares. Guarde esta informação, vamos precisar dela mais adiante.

Uma viagem no tempo - 1867, 1937, 1977 e 2017

1867 - As Polacas

No século XIX até meados do século XX, a organização não governamental (?) judaica Zwi Migdal, constituída por pessoas ligadas à comunidade judaica do Leste Europeu, era a maior especialista de tráfico de mulheres destinadas à prostituição, vindas da própria comunidade judaica da Europa Central, principalmente da Polônia.  

Em Bananaland, a chegada das "polacas" consta do ano de 1867. Conhecida pela nata da xochiedade ou xoxiedade nacional como a "Organização para a Ajuda Mútua de Varsóvia" da qual origina o termo polaca, esta ONG judaica passou a controlar por terras tupi-guaranis os bordeis, algumas sinagogas, cassinos e até cemitérios semitas para as pessoas dos seus quadros operacionais, digamos assim. Até o presente momento nunca li, ouvi ou soube que a xoxiedade local, intelectual, rica e globeleza mencionou alguma vez este crime contra a mulher. Tudo tão normal quanto um golpe parlamentar, tipo assim natural e singular.

Só para refletir - você acredita que esta ONG acabou com o fim da segunda guerra mundial? Não precisa responder agora - pense!

1937 - A Polaca

A Polaca, assim ficou conhecia da Constituição de Bananaland de 1937, a princípio produzida pelos juristas nacionais, tendo à frente o juiz Francisco Campos (opa). O golpista da época implantou via judiciário uma lei nazista, copia fiel da constituição polonesa, com a finalidade de manter total controle intervencionista sobre tudo e todos.

1977 - As Polonetas

Polonetas é o nome dado a títulos da dívida pública que o governo da Polônia ofereceu ao governo brasileiro para honrar a dívida que o país tinha com o Brasil. Tal dívida foi criada em 1977 quando o governo nacional, sob a égide militar, abriu uma linha de crédito para financiamento das exportações brasileiras para a comunista Polônia. Tal crédito foi aplicado em produtos e serviços do Brasil em valores superiores a US$ 6 bilhões, financiados a curto prazo.

Só depois de todos os exaustivos estudos diplomáticos e contábeis feitos, o então ministro da Fazenda, Mr. Simonsen, percebeu que os poloneses não tinham como honrar seus compromissos com a pátria amada e aceitou os títulos da dívida pública polonesa (As Polonetas) em vez do pagamento em dinheiro, com deságio de 50%, enfim, deu 50 % de desconto sobre tudo. Hoje seria como dar à Polônia US$18 bilhões de dólares e aceitar receber só metade, pois se enganou com a situação econômica do bravos poloneses.

Muito amigo mesmo, este país. Imagina, doar US$9 bilhões de dólares aos poloneses, via Paris, sem pedir nada, sem reclamar de nada, sem ganhar nada com isto. É de emocionar a gente humilde, honesta e trabalhadora da pátria amada salve salve.

2017: A Polaquiúria 

Em 2017, a Polaquiúria, devido a uma hiperplasia da próstata, fez suscitar a bondade do povo alegre e gentil da pátria amada, salve salve. De maneira a agradar a Matrix e a xoxiedade topline , Dom Fenício, O Velho, deu de bom grado aos bons e fieis amigos do norte a módica quantia de US$3 bilhões de reais para que eles relaxem e gozem. E a xoxiedade local, a nata da nata da nata, vai ao delírio, ao gozo pleno - feliz é esta nação cujo fenício é o senhor - Oh glória, e viva as polacas, as polonetas e as polaquiúrias (com disfunção erétil e tudo mais)

Enfim, as polonetas das polacas valeram muito mais que a polaquiúria golpista. Moral da história - Tudo isto é de uma imoralidade sem fim ... salve as mulatas, as polacas e tudo mais.

Fazendo uma pequena alteração na poesia de Dercy Gonçalves, acho que vou revisar o artigo da Lola:

A poloneta da vizinha tá presa na gaiola! 
Xô, poloneta! Xô, poloneta!
A poloneta da vizinha tá presa na gaiola!
Xô, poloneta! Xô, poloneta!

A vizinha é boa praça,
A vizinha é camarada,
Vai soltar a poloneta,
Pra alegrar a garotada!!!

E para vocês um samba de Moreira da Silva - "Judia rara", em homenagem às polacas




quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Tiques, táticas e objetivos.

Ele nunca se apercebeu disto, mas trazia na vida a estranha mania de olhar para o lado esquerdo, pressionar os polegares sobre o indicador dobrado em ambas as mãos e morder o lábio inferior quando ia mentir. A esposa, observadora como todas o são, já percebera este proceder ainda na fase inicial do ritual de acasalamento primário, lá nos primeiros beijos quando enamorados e vez por outra o encostava na parede para levantar a possibilidade de ter outra na sua vida ou nos seus sonhos ou nos seus pensamentos.

Um dia, e este dia sempre chega, uma colega de trabalho começou a conversar com ele sobre coisas outras, e dia vai, dia vem, conversa aqui, papo ali, acabou chegando onde queria - foi demovendo-o da mania. Quando teve a convicção de que ele havia perdido o trejeito antigo, partiu para o ataque até arrastá-lo para os seus braços.

E viveram felizes para sempre até que saiu de casa para ser feliz ao seu lado. A conquistadora, observadora como todas o são, já conhecedora dos trejeitos do indivíduo, havia induzido-o a um novo tique, mais discreto, quando mentisse. Este proceder foi instalado na vítima ainda na fase inicial do ritual de acasalamento primário, lá nos primeiros beijos e passou a vez por outra o encostar na parede para levantar a possibilidade de ter outra na sua vida ou nos seus sonhos ou nos seus pensamentos ...

É isto aí!

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Cenários estranhos


Nesta manhã organizei minha bagunçada caixa de e-mail. Acordei bem cedo, ainda era cinco horas, fiz o café como gosto de tomar, sentei à frente do computador e resolvi encarar a realidade - 2017 passou. Fui arquivando e-mails que deveriam ser arquivados, deletando os que deveriam ser deletados e lendo os que deveriam nunca terem sido esquecidos.

Fiquei ali, parado, pensando naquilo tudo - lembrando das cartas que ficavam nas gavetas, as pequenas peças de alguma coisa que se alojavam em caixas e vez ou outra sofriam o processo de expurgo. Mas eram coisas materiais, tridimensionais, tangíveis tanto quanto o perfume que ela usou naquela tarde quando a vi passar e a achei linda, desfilando pela Rua São Matheus, até então uma rua normal, de casas e sobrados.

Agora, aqui, separando processos virtuais de coisas reais. É um cenário estranho, estranhíssimo para quem viveu estas duas épocas, quatro, aliás - vi acontecer dentro da minha casa o rádio passar para a televisão preto e branco, esta se transformar numa colorida em caixa de significativo volume, até chegar aqui, num teclado que apenas lembra minha Remington.

Quanta saudade agora presa num ambiente virtual, derivando processos binários que desconheço, numa linguagem cibernética que ultrapassa minha capacidade de perceber a transformação da mente humana em algo interativo com a máquina.  

Enquanto isto, o mundo anda, os golpes e os golpistas se valem do retardamento generalizado e os espertos, ah! - os espertos, sempre acabam caindo no abismo dos próximos espertos. Não tem lugar para bonzinhos, mocinhos e heróis nesta humanidade que está recomeçando a crer que a Terra é plana - mais idiota, impossível, ou não, nunca se sabe.

Falando nos terraplanários, há também esta caça aos assediadores de mulheres. Tem algo aí, por mais  heterodoxo que pareça, tem algo aí, tal qual a terra plana. Dias piores virão! É provável que você nunca tenha ouvido falar na expressão PSYOP - mas cuide-se, ela está em todos os lugares ao mesmo tempo, de várias formas, de várias cores, de várias maneiras diferentes. 

Enquanto isto, na pátria amada idolatrada salve salve, a hipocrisia da vênus platinada propõe trocar o comando da trupe do picadeiro - quer retirar um fenício velhaco e colocar um hebreu hummm, digamos assim ... hummmmm, uma loooooooouuuucura de pau de dar em doido, como diria minha avó, pois por este caminho, quanto pior, pior!

É isto aí!




terça-feira, 9 de janeiro de 2018

História para aquecer o coração - Não larga nunca mais da minha mão!


Suspirei em profunda dor, ainda tragando a fumaça do cigarro totalmente amassado na noite anterior, quando jurei a ela nunca mais fumar e joguei os três pacotes no lixo. Mas não tive como manter a promessa. Ela nem ao menos foi original - disse que iria na padaria e partiu sem dizer adeus. O lixo só seria recolhido na quinta-feira. Revirei a lata e consegui resgatar apenas um maço que ainda não fora atingido pelas águas da chuva que derretia o mundo em dilúvio há pelo menos sete dias. 

Sentei na cadeira da varanda que dava para o quintal, coloquei os pés cruzados na mureta, lembrei das garrafas de tequila que havia enterrado quando também jurei nunca mais beber, há cerca de duas semanas, mais ou menos. Busquei na confusa memória o local - era entre a jabuticabeira e a cerca viva que nos separara na infância, quando fomos primeiro vizinhos, depois indiferentes, depois amigos, depois namorados, até que na juventude, no baile de formatura da faculdade, fugimos para uma aventura que durou até o dia que eu soube que meus pais faleceram num acidente.  

Voltei para o lar derrotado, e ela ao lado, como porto seguro. Além da cerca viva ainda residiam os seus pais, que se recusaram a reconhece-la como filha depois de fugir com uma pessoa da minha qualidade. Queriam um médico, um advogado, um engenheiro, mas um poeta? Onde vai dar isto, minha, filha? Vão viver de rimas? Filha, ele é um poeta ... - falava a mãe como se aquilo fosse um crime hediondo. Ele escreve versos sem métrica regular, livres, soltos, sem rima entre si, os malditos versos brancos que destroem a candura da poesia. Como ele vai te sustentar? Como vai dar tudo que sonhamos para você, filha? Abandone-o e nós te perdoaremos.

Não só não me abandonou como também foi não foi perdoada até que ... - bem, um mês depois de nos instalarmos na casa dos meus pais, seus pais partiram na madrugada para uma casa que tinham no campo, herança da avó materna, eu acho. Nenhum bilhete, nenhuma carta, nenhum adeus. Aquilo a fez chorar por dias seguidos. Nunca mais seríamos os mesmos, pensei.

Mas ela, ah! - mas ela era um fenômeno de superação. Sabe de uma coisa? Nunca mais vou chorar por eles, pois não morreram, mas promoveram uma ruptura com uma vida que poderia ser feliz de forma definitiva. Rimos e nos amamos por dias sem fim. Foi então que pensamos em filhos para fazer valer nossa união e gerar a perpetualidade do nosso amor. Muitos filhos, ela dizia e sorria - eu quero pelo menos cinco crianças nesta casa e ria descontroladamente.

Vieram crises financeiras, a fome, a depressão, as brigas fúteis e dois abortos espontâneos, outro de forma trágica e uma gravidez ectópica que quase a levou embora. Fim da história. Não aguentou, não suportou, não desejou entender que eu a amava. Não queria que os pais dela a vissem assim, perdida. Partiu em busca do perdão, fugindo de si mesma para se encontrar de outra forma, achava talvez que eu não a merecesse, talvez a sua mãe estivesse certa, talvez a conspiração da natureza fosse um castigo divino, etc, e olha, eu a amava em qualquer natureza de qualquer dimensão de qualquer planeta.

Passou uns seis meses, numa noite quente e abafada, quatro horas da manhã, cochilando na mesma cadeira, senti o perfume que a identificava. Achei que era um sonho. Fiquei um tempo respirando fundo para reter aquele ardor de saudade, até que ao levar a mão no braço da cadeira para me apoiar com o intuito de levantar-me, dei com a mão dela presa à minha e ela ali, ajoelhada, olhos esbugalhados e com sorriso trêmulo. Murmurou com a voz embargada - não larga nunca mais da minha mão! Trouxe-a ao colo, aninhamos num só vulto e choramos até acabar a vontade de chorar. Não precisávamos dizer mais nada. Era hora de fugirmos juntos dali novamente. 


segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Bananaland de volta ao passado dos outros.

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Imagine uma sociedade sendo violentada por processos independentes da vontade popular, governada por uma nobreza corrupta e amoral, que invadiu e tomou de assalto o Estado;

Imagine a formação de um sistema feudalista, com a dominação de uma cultura estrangeira;

Imagine a ruralização da economia, baseada na agricultura, com pouco uso de moedas, formação de pequenos feudos amparados pelo poder central, protegidos pela igreja e pelo sistema judiciário, e com poucos contatos comerciais externos;

Imagine o enfraquecimento do poder político, passando a ser descentralizado e fragmentado, com a força política e econômica apenas nas mãos dos grandes senhores feudais;

Imagine o retorno da sociedade de castas, uma sociedade estamental e hierarquizada. A Sociedade Estamental, como sabemos, ao contrário da Estratificada, representa a estrutura social típica do sistema feudal, dividida nos estamentos (grupos sociais), onde quase não existe mobilidade social, ou seja, a posição do indivíduo na sociedade dependerá de sua origem familiar, por exemplo: nasceu servo, morrerá servo.

Imagine o fortalecimento do neo-cristianismo e crescimento do poder das Igrejas neo-cristãs;

Imagine o empoderamento do Teocentrismo da Prosperidade e enfraquecimento da cultura laica;

Imagine o fim dos direitos individuais, trabalhistas e coletivos, com invasão da privacidade e empobrecimento de várias cidades. 

Pareceu familiar para você?

Pois é ... estas são as principais características, numa versão atualizada, do que a História assinala como sendo a Alta Idade Média, que é o período da história Medieval que tem início na queda do Império Romano do Ocidente (476) até o ano 1000. Qualquer semelhança não é mera coincidência.

É isto aí!

domingo, 7 de janeiro de 2018

Rio de janeiro, Capital Buenos Aires

Tratado Tordesilhas - 1494

Dia destes subimos o Monte do Oráculo para ouvirmos o Mago da Pitangueira sobre o futuro da pátria amada idolatrada salve salve. Assim disse o Mago:

Do jeito que a coisa vai, em breve, muito em breve, reunir-se-ão em Tordesilhas reis e rainhas dos reinos do norte, que ali estarão para ratificar o tratado anterior, versado em 1494.

Um dos oradores, famoso locutor das multidões globelezadas, trêmulo, emocionado diante do fato histórico, dirá ao microfone aberto:

Bem amigos, senhoras e senhores, ladies and gentlemen, Lords and Knights, my queen and my king - A data de hoje fará jus à história, à nossa história. Falamos aqui de um dos poucos tratados em vigor até a presente momento, este Tratado de Tordesilhas, que estabeleceu a divisão das terras futuramente reveladas ao mundo, mas já descobertas, documentadas e mapeadas nos meados do século XV pelos nossos celtas e pelos malucos dos vikings.

Aqui ao meu lado, na mesa dos trabalhos estarão junto com vocês em tempo integral, o democrático representante apache, com seu indefectível penteado dourado cafona, a rainha dos bretões e seu ar blasé, além de alguns pseudo-nobrezinhos do submundo equatoriano, tais como Dom Michel, o Velhaco Pífio e Dom Maurício, de Portenha Embófia e outros de tão ou menor inexpressiva presença.

Antes de começar o espetáculo, segura só um pouquinho, aja e reaja coração. Saibam que somente o líder máximo, o super poderoso, o nosso representante planetário de peruca laranja, o Apache Louco, terá a palavra e ninguém mais poderá falar. 

Corta para o Apache Louco, que dirá com sua voz rouca e cavernosa: 

Prezados membros deste nobre evento, e aqui me cumprimentando a mim mesmo com este abraço que me dou, considero todos e todas cumprimentados não necessariamente com o mesmo entusiasmo, sigo afirmando e tomando conta de tudo, baseado nos seguinte processos:

1 - considerando que o fenômeno El Niño é a marca da devastação ibérica no novo mundo;

2 - considerando que o Montezuma era nosso aliado contra as forças opressoras do comunismo;

3 - considerando que em todo o século XV o número de anos com dois eclipses foi de oitenta e quatro, o número de anos com três eclipses foi de  dez o número de anos com quatro eclipses foi de apenas seis; 

4 - considerando que eu não tive conjunção carnal com a Brigitte Bardot, nem com a Gina Lollobrigida, nem com a Marilyn Monroe,  nem com as ninfas gregas; 

5 - considerando que foram os celtas que fundaram a Lusitânia, logo ela é nossa;

6 - considerando que  a Lusitânia está até hoje no processo de busca e espera sebastianista;

7 - considerando que a realeza espanhola está para perder a Catalunha, o Messi e o Cristiano Ronaldo;

8 - considerando que a Casa de Habsburgo à qual pertenceu Maria Leopoldina de Áustria, esposa do Imperador Dom Pedro I e mãe do último Imperador brasileiro Dom Pedro II e da rainha Dona Maria II de Portugal nunca contestou o Tratado;

9 - considerando que Pelé e Maradona jamais  jogariam na NFL;

Eu, pelos poderes a mim conferido por esta mesa, declaro como Lei Universal, sem direito a veto e em sã consciência, que:

1 - O Tratado de Tordesilhas de 1454 já incluía nossa pátria amada dos reinos do norte, os apaches e os sioux, 
2 - Em sendo a verdade vista desta forma, determino que tudo aquilo ali embaixo é nosso por que sempre foi nosso, em nome e pela memória do fiel Rei Henrique VI. 
3 - Fica decretado que da Linha do Equador para baixo tudo é Rio de Janeiro e a capital da província doravante é Buenos Aires. 

Já despedindo de nós, concluiu o Mago da Pitangueira a sua visão futurista com um enigma:

Meus filhos, assim falava Tom Zé:


É isto aí!



sábado, 6 de janeiro de 2018

Tragédia Brasileira (Manuel Bandeira)

PS - Segundo a crítica especializada ouvida pela Pitangueira, qualquer semelhança com a midiotizada crace mérdia de Bananaland não é só coincidência, é a merdinha de vida que escolheram imitando a arte em favor da sua mediocridade.

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Tragédia Brasileira (Manuel Bandeira):

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade,

Conheceu Maria Elvira na Lapa, - prostituída, com sífilis, dermite nos dedos,
uma aliança empenhada e o dentes em petição de miséria.

Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio, pagou
médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um namorado.

Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada. Não fez
nada disso: mudou de casa.

Viveram três anos assim.

Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de casa.

Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra, Olaria, Ramos,
Bonsucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói, Encantado, Rua
Clapp,
outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi, Lavradio, Boca do Mato,
Inválidos...

Por fim na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e de
inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em
decúbito dorsal, vestida de organdi azul.

É isto aí!

À flor da pele (Chico Buarque)

O que será, que será?
Que andam suspirando pelas alcovas
Que andam sussurrando em versos e trovas
Que andam combinando no breu das tocas
Que anda nas cabeças, anda nas bocas
Que andam acendendo velas nos becos
Que estão falando alto pelos botecos
E gritam nos mercados que com certeza
Está na natureza

Será, que será?
O que não tem certeza nem nunca terá
O que não tem conserto nem nunca terá
O que não tem tamanho

O que será, que será?
Que vive nas ideias desses amantes
Que cantam os poetas mais delirantes
Que juram os profetas embriagados
Que está na romaria dos mutilados
Que está na fantasia dos infelizes
Que está no dia a dia das meretrizes
No plano dos bandidos, dos desvalidos
Em todos os sentidos

Será, que será?
O que não tem decência nem nunca terá
O que não tem censura nem nunca terá
O que não faz sentido

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

O que será, que será?
Que todos os avisos não vão evitar
Por que todos os risos vão desafiar
Por que todos os sinos irão repicar
Por que todos os hinos irão consagrar
E todos os meninos vão desembestar
E todos os destinos irão se encontrar
E mesmo o Padre Eterno que nunca foi lá
Olhando aquele inferno vai abençoar
O que não tem governo nem nunca terá
O que não tem vergonha nem nunca terá
O que não tem juízo

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Tarde demais

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Esperou tensamente
amanhecer
o primeiro de janeiro
para ver o mar.
O ano era um qualquer da infância.
O mar não veio, como disse o pai.
o mar não veio ...

Melhor assim,
meditou,
pois ficaria frustrado
se fosse ele a não ter ido
ao encontro do gigante
que une todos os povos
de todas as nações do planeta.
O mar não veio ...

Numa tarde da juventude
em ocaso,
quase noite de maio,
aguardou ansiosamente pela moça
a qual havia enviado flores,
bombons e
um bilhete apaixonado.
Deu meia-noite
e a moça não veio.
a moça não veio ...

Melhor assim, pensou,
pois ficaria arrasado
se fosse ele ao encontro
do vazio
onde deveria estar o seu amor
bateu um vento frio.
A moça não veio ...

Numa destas tempestades
da labuta cotidiana
por erro de conduta
traiu a companheira
com a amiga
a melhor amiga
agora adúltera.

O perdão não veio.
Melhor assim, filosofou,
agora estava livre
para ver o mar,
esperar a moça na praça,
mas ...
tarde demais
até mesmo para sonhar.
Fugiu com a amiga.

É isto aí!



sexta-feira, 29 de dezembro de 2017

Que país é este? Affonso Romano Sant'Anna

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Autor - Affonso Romano Sant'Anna
Fonte - https://www.brasil247.com/pt/blog/terezacruvinel/329082/Que-pa%C3%ADs-%C3%A9-este-um-poema-atual.htm

Uma coisa é um país
outra um ajuntamento.

Uma coisa é um país,
outra um regimento.

Uma coisa é um país,
outra o confinamento.

Mas já soube datas, guerras, estátuas
usei caderno “Avante”
    – e desfilei de tênis para o ditador.

Vinha de um “berço esplêndido” para um
    “futuro radioso”
e éramos maiores em tudo
    – discursando rios e pretensão.

Uma coisa é um país,
outra um fingimento.

Uma coisa é um país,
outra um monumento.

Uma coisa é um país,
outra o aviltamento.

Deveria derribar aflitos mapas sobre a praça
em busca de especiosa raiz? ou deveria
parar de ler jornais
e ler anais
como anal
animal
hiena patética
na merda nacional?
Ou deveria, enfim, jejuar na Torre do Tombo
comendo o que as traças descomem procurando
o Quinto Império, o primeiro portulano, a viciosa
visão do paraíso?
que no impeliu a errar aqui?

Subo, de joelhos, as escadas dos arquivos
nacionais, como qualquer santo barroco a rebuscar
no mofo dos papiros, no bolor
das pias batismais, no bodum das vestes reais
a ver o que se salvou com o tempo
e ao mesmo tempo

– nos trai

Há 500 anos caçamos índios e operários,
Há 500 anos queimamos árvores e hereges,
Há 500 anos estupramos livros e mulheres,
Há 500 anos sugamos negras e aluguéis.

Há 500 anos dizemos:
    que o futuro a Deus pertence,
    que Deus nasceu na Bahia,
    que São Jorge é guerreiro,
    que do amanhã ninguém sabe,
    que conosco ninguém pode,
    que quem não pode sacode.

Há 500 anos somos pretos de alma branca,
    não somos nada violentos,
    quem espera sempre alcança
    e quem não chora não mama
    ou quem tem padrinho vivo
    não morre nunca pagão.

Há 500 anos propalamos:
    este é o país do futuro,
    antes tarde do que nunca,
    mais vale quem Deus ajuda
    e a Europa ainda se curva.

Há 500 anos
    somos raposas verdes
    colhendo uvas com os olhos,

    semeamos promessa e vento
    com tempestades na boca,

    sonhamos a paz na Suécia
    com suiças militares,

    vendemos siris na estrada
    e papagaios em Haia,

    senzalamos casas-grandes
    e sobradamos mocambos,

    bebemos cachaça e brahma
    joaquim silvério e derrama,

    a polícia nos dispersa
    e o futebol nos conclama,

    cantamos salve-rainhas
    e salve-se quem puder,

    pois Jesus Cristo nos mata
    num carnaval de mulatas

Este é um país de síndicos em geral,
Este é um país de cínicos em geral,
Este é um país de civis e generais.

Este é o país do descontínuo
onde nada congemina,
e somos índios perdidos
na eletrônica oficina.

Nada nada congemina:
a mão leve do político
com nossa dura rotina,

o salário que nos come
e nossa sede canina,

a esperança que emparedam
e a nossa fé em ruína,

nada nada congemina:
a placidez desses santos
e nossa dor peregrina,

e nesse mundo às avessas
– a cor da noite é obsclara
e a claridez vespertina.

 Sei que há outras pátrias. Mas
mato o touro nesta Espanha,
planto o lodo neste Nilo,
caço o almoço nesta Zâmbia,
me batizo neste Ganges,
vivo eterno em meu Nepal.

Esta é a rua em que brinquei,
a bola de meia que chutei,
a cabra-cega que encontrei,
o passa-anel que repassei,
a carniça que pulei.

Este é o país que pude
que me deram
e ao que me dei,
e é possível que por ele, imerecido,
             – ainda morrerei.

 Minha geração se fez de terços e rosários:
                   – um terço se exilou
                   – um terço se fuzilou
                   – um terço desesperou

e nessa missa enganosa
– houve sangue e desamor. Por isto,
canto-o-chão mais áspero e cato-me
ao nível da emoção.

Caí de quatro
animal
sem compaixão.

Uma coisa é um país,
outra uma cicatriz.

Uma coisa é um país,
outra é abatida cerviz.

Uma coisa é um país,
outra esses duros perfis.

Deveria eu catar os que sobraram
os que se arrependeram,
os que sobreviveram em suas tocas
e num seminário de erradios ratos
suplicar:
  – expliquem-me a mim
    e ao meu país?

Vivo no século vinte, sigo para o vinte e um
ainda preso ao dezenove
como um tonto guarani
e aldeado vacum. Sei que daqui a pouco
    não haverá mais país.

País:
    loucura de quantos generais a cavalo
    escalpelando índios nos murais,
    queimando caravelas e livros
             – nas fogueiras e cais,
    homens gordos melosos sorrisos comensais
    politicando subúrbios e arando votos
    e benesses nos palanques oficiais.

Leio, releio os exegetas.
Quanto mais leio, descreio. Insisto?
Deve ser um mal do século
– se não for um mal de vista.

Já pensei: – é erro meu. Não nasci no
tempo certo.
Em vez de um poeta crente
sou um profeta ateu.
Em vez da epopéia nobre,
os de meu tempo me legam
como tema
– a farsa
e o amargo riso plebeu.

 Mas sigo o meu trilho. Falo o que sinto
e sinto muito o que falo
    – pois morro sempre que calo.
Minha geração se fez de lições mal-aprendidas
    – e classes despreparadas
Olhávamos ávidos o calendário. Éramos jovens.
Tínhamos a “história” ao nosso lado. Muitos
maduravam um rubro outubro
outros iam ardendo um torpe agosto.
Mas nem sempre ao verde abril
se segue a flor de maio.
Às vezes se segue o fosso
– e o roer do magro osso.
E o que era revolução outrora
agora passa à convulsão inglória.
E enquanto ardíamos a derrota como escória
e os vencedores nos palácios espocavam seus
champanhas sobre a aurora
o reprovado aluno aprendia
com quantos paus se faz a derrisória estória.
Convertidos em alvos e presa da real calçada
abriu-se embandeirado
um festival de caça aos pombos
– enquanto raiava sangüínea e fresca a
madrugada.

Os mais afoitos e desesperados
em vez de regressarem como eu
sobre os covardes passos,
e em vez de abrirem suas tendas para a fome dos
desertos,
seguiram no horizonte uma miragem
e logo da luta
passaram ao luto.

Vi-os lubrificando suas armas
e os vi tombados pelas ruas e grutas.
Vi-os arrebatando louros e mulheres
e serem sepultados às ocultas.

Vi-os pisando o palco da tropical tragédia
e por mais que os advertisse do inevitável final
não pude lhes poupar o sangue e o ritual.

Hoje
    os que sobraram vivem em escuras
    e européias alamedas, em subterrâneos
    de saudade, aspirando a um chão-de-
    estrelas,
    plangendo um violão com seu violado
    desejo
    a colher flores em suecos cemitérios.

Talvez
    todo o país seja apenas um ajuntamento
    e o conseqüente aviltamento
    – e uma insolvente cicatriz.

    Mas este é o que me deram,
    e este é o que eu lamento,
    e é neste que espero
    – livrar-me do meu tormento.

Meu problema, parece, é mesmo de princípio:
– do prazer e da realidade
– que eu pensava
com o tempo resolver
– mas só agrava com a idade.

    Há quem se ajuste
    engolindo seu fel com mel.
    Eu escrevo o desajuste
    vomitando no papel.

Mas este é um povo bom
me pedem que repita
como um monge cenobita
enquanto me dão porrada
e me vigiam a escrita.

Sim. Este é um povo bom. Mas isto também
diziam os faraós
enquanto amassavam o barro da carne escrava.
Isso digo toda noite
enquanto me assaltam a casa,
isso digo
aos montes em desalento
enquanto recolho meu sermão ao vento.

Povo. Como cicatrizar nas faces sua imagem
perversa e una?
Desconfio muito do povo. O povo, com razão,
– desconfia muito de mim.

Estivemos juntos na praça, na trapaça e na desgraça,
mas ele não me entende
– nem eu posso convertê-lo.
A menos que suba estádios, antenas, montanhas
e com três mentiras eternas
o seduza para além da ordem moral.

Quando cruzamos pelas ruas
não vejo nenhum carinho ou especial predileção
nos seus olhos.
Há antes incômoda suspeita. Agarro documentos,
embrulhos, família
a prevenir mal-entendidos sangrentos.

Daí vejo as manchetes:

– o poeta que matou o povo
– o povo que só/çobrou ao poeta
– (ou o poeta apesar do povo?)

– Eles não vão te perdoar
– me adverte o exegeta.
Mas como um país não é a soma de rios, leis,
nomes de ruas, questionários e geladeiras,
e a cidade do interior não é apenas gás neon,
quermesse e fonte luminosa,
uma mulher também não é só capa de revista,
bundas e peitos fingindo que é coisa nossa.

Povo
       também são os falsários
       e não apenas os operários,

povo
       também são os sifilíticos
       não só atletas e políticos,

povo
       são as bichas, putas e artistas
       e não só os escoteiros
       e heróis de falsas lutas,
       são as costureiras e dondocas
       e os carcereiros
       e os que estão nos eitos e docas.

Assim como uma religião não se faz só de missas
na matriz,
mas de mártires e esmolas, muito sangue e cicatriz,
a escravidão
para resgatar os ferros de seus ombros requer
poetas negros que refaçam seus palmares e
quilombos.

Um país não pode ser só a soma
de censuras redondas e quilômetros
quadrados de aventura, e o povo
não é nada novo

– é um ovo
que ora gera e degenera
que pode ser coisa viva
– ou ave torta

depende de quem o põe
– ou quem o gala.

Percebo
que não sou um poeta brasileiro. Sequer
um poeta mineiro. Não há fazendas, morros,
casas velhas, barroquismos nos meus versos.

Embora meu pai viesse de Ouro Preto com
bandas de música polícia militar casos de
assombração e uma calma milenar,
embora minha mãe fosse imigrando
hortaliças protestantes tecendo filhos
nas fábricas e amassando a gé e o pão,
olho Minas com um amor
distante, como se eu, e não minha mulher
– fosse um poeta etíope.

Fácil não era apenas ao tempo das arcádias
entre cupidos e sanfoninhas,
fácil também era ao tempo dos partidos:
– o poeta sabia “história”
vivia em sua “célula”,
o povo era seu hobby e profissão,
o povo era seu cristo e salvação.

O povo, no entanto, é o cão
e o patrão
– o lobo. Ambos são povo.
E o povo sendo ambíguo
é o seu próprio cão e lobo.

Uma coisa é o povo, outra a fome.
Se chamais povo à malta de famintos,
se chamais povo à marcha regular das armas,
se chamais povo aos urros e silvos no esporte
popular

então mais amo uma manada de búfalos em
Marajó e diferença já não há
entre as formigas que devastam minha horta
e as hordas de gafanhoto de 1948
– que em carnaval de fome
o próprio povo celebrou.

Povo
    não pode ser sempre o coletivo de fome.
Povo
    não pode ser um séquito sem nome.
Povo
    não pode ser o diminutivo de homem.
O povo, aliás,
    deve estar cansado desse nome,
    embora seu instinto o leve à agressão
    e embora aumentativo de fome
    possa ser revolução

Incrível, mas este 2017 está acabando

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Eu havia preparado uma postagem sob aspectos teóricos sobre o embate do Neofeudalismo financeiro X Referendo Revogatório, mas vamos e convenhamos, quem quer saber disto neste final de ano?

O Neofeudalismo é o sucessor do Capitalismo, que morreu com a Margareth Thatcher, Baronesa de Kesteven.  Margareth tinha como segundo nome Hilda - Margareth Hilda. Mas, aqui entre nós, Hilda daria um perfil humano a ela, o que não convêm aos demônios.

O Neofeudalismo é apátrida, é apenas e simplesmente o poder de poucas pessoas, poucas mesmo, sobre todo o planeta, com muito dinheiro para torrar em seus delírios paranoicos de divindades do Olimpo, e cá para nós, no Olimpo todo mundo comia todo mundo. 

E o Referendo Revogatório é uma discussão interessante dos povos latinos para quando passar esta onda olímpica dos deuses pan-sexuais, onde o povo deverá ir às urnas para discutir se aceita o que foi imposto pelos neofeudalistas ou se revogam estas leis "democraticamente" votadas pelos congressos usurpadores do direito público.

Enfim, este Blog deseja a todos um 2018 bom, pelo menos isto ou na pior das hipóteses menos pior do que foi 2017.

É isto aí!

quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

2018 chegou!

Cartas dos leitores e leitoras colhidas do Diário da Pitangueira ao 2018

1 - Prezado Ano Novo,

Primeiramente vá à merda.

O que posso esperar de você? Nada. Será mais um ano perdido, golpista, assustador, traidor e covarde. Mas, olha bem, 2018, tudo passa, até você inclusive.

2 - Querido Ano Novo,

Primeiramente eu quero mais que pobre se dane.

Eu desejo que seja igual ou melhor ao rabudo do 2017 que já passou, colocando pobres, putas e pretos na sarjeta, que é o lugar merecido deles. Desejo que neste tempo que reinará, organize uma lei internacional proibindo este povinho medíocre de ter religião, onde já se viu pobre, pretos e putas terem um deusinho que promete tudo de bom, amor ao próximo, eca, que bobagem. Te espero, querido!

3 - Prezado Ano Novo,

Eu quero umas duas mulheres novinhas neste ano, uma para casar e outra para coser, se é que me entende. Pode ser tudo junto e misturado ou separado em embalagem para comer em casa mesmo, ré ré ré ...
Ah, e obrigado pelo golpe, me ajudou demais da conta ré ré ré ...

4 - Pelegão Ano Novo

Seja bem vindo o caralho, porra! Vá para a puta que o pariu desde já. Vai para os quintos do inferno. Quero que termine no dia 2 de Janeiro, sua íngua. Malditos sejam seus dias, suas horas e seus minutos, traidor de uma figa. Vai ficar rodando bolsinha e dando tempo aos bandidos do primeiro comando da capital federal com certeza, fora as republiquetas delituosas instaladas em algumas baguaris por aí, que continuarão mamando nas tetas do desgoverno sádico - que coisa mais sem vergonha. Foda-se 2018.

5 - Prezado Senhor Ano Novo,

Pelo amor ao solstício, leva minhas dívidas desta vez. E se não for muito pedir ao tempo, também a conta do cartão de crédito, e também a idiota da namoradinha que arrumei euforicamente em 2015 nas passeatas do golpe, que o raio do 2017 não facilitou a fuga, mas leva mesmo. 

6 - 2018

Não sei se é pedir muito, mas pelo amor de Deus, ajuda aí. Gás, gasolina, Água, Luz, Telefone tudo subindo. Vê se não arrasta os dias como seu antecessor, que só pode ser sádico por ter esticado ao máximo seu tempo de reinado.

É isto aí!


terça-feira, 26 de dezembro de 2017

Ausência (Vinícius de Moraes)

*Publicado no Rio de Janeiro em 1935


Eu deixarei que morra em mim
o desejo de amar os teus olhos
que são doces
Porque nada te poderei dar
senão a mágoa
de me veres eternamente exausto.

No entanto a tua presença
é qualquer coisa
como a luz e a vida
E eu sinto que em meu gesto
existe o teu gesto
e em minha voz a tua voz.

Não te quero ter
porque em meu ser
tudo estaria terminado.

Quero só que surjas em mim
como a fé nos desesperados
Para que eu possa levar
uma gota de orvalho
desta terra amaldiçoada
Que ficou sobre a minha carne
como uma nódoa do passado.

Eu deixarei ...
tu irás e encostarás a tua face em outra face.
Teus dedos enlaçarão outros dedos
e tu desabrocharás para a madrugada.

Mas tu não saberás
que quem te colheu fui eu,
porque eu fui o grande íntimo da noite.

Porque eu encostei minha face
na face da noite
e ouvi a tua fala amorosa.

Porque meus dedos
enlaçaram os dedos da névoa
suspensos no espaço.

E eu trouxe até mim
a misteriosa essência
do teu abandono desordenado.

Eu ficarei só
como os veleiros
nos portos silenciosos.

Mas eu te possuirei
mais que ninguém
porque poderei partir.

E todas as lamentações do mar,
do vento, do céu, das aves, das estrelas
serão a tua voz presente,
a tua voz ausente, a tua voz serenizada.

Vinicius de Moraes

Então é Natal

Natal, assunto da mais fina ironia entre os pares cristãos. Todos querem o papai noel cocacolizado, vermelho por fora e capitalista por dentro, mas só o Cristo, ah! o Cristo, este nem pensar, dá trabalho, é exigente e encrenqueiro.

Toda a confusão inicia e termina em apenas dois mandamentos proferidos por Ele, e deve ser por que na época não existia o bondoso e condescendente velhinho com suas renas e seus sacos sem fundo. Teria Jesus trauma de infância?

Bem, o que disse o menino que avacalha o natal:

E Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. 

E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas. Mateus 22:37-40

Amar a Deus já é negócio difícil demais, este Jesus tem cada coisa. Imagina largar o smartphone, o futebol, a cerveja, as fofocas, o baralho, o ódio aos que votaram na Dilma, o apego ao fútil, ao inútil e ao medíocre. Claro, tem aqueles que votaram no Aécio que são vítimas de ataques também. Dilma e Aécio foram apenas peças de uma imensa engrenagem, mas seria preciso amar a Deus sobre todas as coisas para entender a sordidez disto, mas aí o bicho pega e a coisa acaba ficando sem graça. 

O segundo, para 98% dos cristãos, neo-cristãos, pseudo-cristãos e peri-cristãos, está mal redigido, ou vai ver o escritor entendeu errado. Onde já se viu uma madame classe A, ariana, rica, finesse, amar ao menino que mora na favela que há entre o caminho da sua residência e o salão onde se produz (ou se reproduz?) todos os dias?

Como uma pessoa pode gostar de outra como gosta dela, sendo a outra qualquer outra? Este Jesus avacalhou com tudo, hem!! Bom mesmo é o ódio, este sim é justo. este negócio de gostar, já basta a si e no máximo aos seus.

Feliz Natal

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Congresso Internacional do Medo (Carlos Drummond de Andrade)

Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que esteriliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas.

Alto lá
O texto abaixo não é meu
Confesso que copiei e colei

Esse poema pertence a 2ª fase do Modernismo brasileiro (poesia), mais especificamente da 2ª fase da poética drummoniana e está estruturado em uma única estrofe de 11 versos sem rimas externas. Além disso, possui versos de tamanhos variados (sílabas poéticas distintas também) e ritmo longo, tornando-o lento, principalmente por causa do acumulo de vírgulas que dão uma idéia de pausa.

Percebemos, ainda, a quantidade de léxicos que estão no mesmo campo semântico dos sentimentos (“amor”, “ódio”, “medo”) que se distinguem entre si no contexto do poema e observamos que o substantivo abstrato “medo” prevalece, pois há um destaque maior para esse sentimento e o título apenas ratifica essa afirmação “Congresso Internacional do Medo”. A partir desse título, verificamos que se trata de um sentimento específico do Brasil, mas do mundo como um todo – internacional. Logo, o medo, para o poema, é universalizado.

O medo está vigorando em vários lugares e em várias ações, por isso, não seria conveniente tratar do “amor” ou do “ódio”, mas deve-se comentar sobre o medo, desse sentimento que gera desequilíbrio, angústia, dúvida insegurança e serve, paradoxalmente, como um verdadeiro pai e seguidor, devido do contexto social da época, pois o período que o poema foi escrito tinha um pano de fundo em clima de Guerra mundial, túmulo, morte, dor, sofrimento e muito medo. Trata-se de um medo de tal força que esteriliza os braços (estanca a força humana), pois se vive em um mundo que está em caos: com ditadores, soldados, mortes e esses fatores deixam as pessoas desequilibradas e apavoradas.

Após analisarmos o poema de forma superficial, observamos também o mesmo através de outros prismas e um deles é o sintático. Percebemos que a palavra medo ganha destaque em todo o poema, pois quando não é objeto direto da ação (cantaremos o medo), uma vez que ele é objeto central do tema; trata-se de um adjunto adverbial de modo; ou seja, o modo que se encontra toda uma sociedade que está amarela de medo; uma sociedade que precisa fazer um Congresso para expor suas dúvidas, seus medos de estarem no mundo e, através de uma constante reflexão, há a busca de resolver esse problema para evitar a dominação total desse medo ou a fuga através da morte. Além disso, há uma constante repetição do artigo definido /o/ e ele, na maioria das vezes, acompanha o substantivo abstrato de maior importância dentro desse poema. O artigo definido, portanto, define e objetiva o nosso corpus de trabalho (“o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas”).

Outro prisma que foi abordado foi o estilístico e nele percebemos que o poema possui algumas figuras de linguagem: uma é a personificação dos substantivos abstratos (principalmente o medo);  outra seria o uso constante de repetições para chamar atenção do leitor, pois o medo , como se sabe, é uma constante na vida do homem em meados dos anos 40 e transforma essa vida em um verdadeiro caos que é constante, tais quais essas repetições. Além disso, há os recursos sonoros, pois apesar de não haver rimas externas no poema, há rimas internas e a predominância é de encontrarmos aliterações, pois a repetição sonora da vogal “o” é bem visível (“existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,”).

Conclusão

Por se tratar de um poema crítico - reflexivo da segunda fase drummoniana, percebemos, por fim, que através de uma linguagem simples e de usos constante de repetições, pode provocar no leitor  uma reflexão profunda, pois o medo torna-se tão poderoso que chega a ser agressivo. Então, através do poema, chegamos a uma conclusão que Drummond busca sérias transformações sociais e políticas para evitar que o negativo contexto vivido, principalmente, na Segunda Guerra Mundial não se torne uma continuação para os anos seguintes a ponto de nos deixar amarelos e inseguros de medo, como o poema aborda.

Veridiana Rocha
Enviado por Veridiana Rocha em 25/02/2007
Código do texto: T392991

segunda-feira, 18 de dezembro de 2017

O pé esquerdo

Ele necessitava de colocar o pé direito no chão antes do esquerdo, ao levantar. O facilitador seria dormir do lado direito da cama. Ela tinha a obsessão de colocar o pé esquerdo no chão antes do direito ao levantar e o facilitador seria dormir do lado esquerdo da cama. Riram-se das suas manias.

Ele gostava de colocar o pé direito direto sobre o chão frio. Ela necessitava de um tapete de coruja que a avó materna havia feito especialmente para ela, ainda na adolescência e que guardou com muito cuidado para quando o príncipe aparecesse na sua vida. O príncipe veio e com ele foi morar tendo a coruja aos seus pés.

Havia ali uma clara e nítida compatibilidade de pés. Mas outras coisas afloravam no contexto. Ele odiava corujas, ela colecionava gravuras, imagens, esculturas e fotos de múltiplas formas de corujas.

Ele usava qualquer toalha disponível após o banho diário. Ela tinha uma toalha para o corpo, uma só para o cabelo e uma exclusiva para os pés, Ele achava aquilo tudo muito esquisito e ela achava que ele era meio troglodita no asseio, mas talvez aquilo poderia ser resolvido com diálogo.

Ele usava um sabonete para lavar o cabelo, o rosto, o corpo e os pés. Ela tinha um kit de banho, com um shampoo e condicionador  específicos, um sabonete próprio para o rosto, outro para o corpo e um para os pés. Mas estas coisas podem passar desapercebidas.

Ele usava desodorante sem perfume. Ela usava perfume de manhã e um íntimo à noite e creme para o rosto, outro para o corpo, e outro para os pés numa cerimônia diária às vezes sensual, às vezes entediante.

Ele escovava os dentes, o cabelo e se arrumava em 6 minutos. Ela necessitava de 48 minutos para sair do quarto quase pronta para enfrentar o dia. Mas aquilo era irrelevante, afinal ela acordava uma hora mais cedo que ele, e apesar do despertador, ele não se incomodava, pois tinha mais uma hora de sono.

Ele amava o sol, praia, cerveja, esportes, futebol e carnaval. Ela detestava praia, só bebia sucos orgânicos, adorava ballet , música clássica e retiros espirituais. Combinaram que no inverno iriam para as montanhas e no verão frequentariam a praia.

Tudo ia bem, até que um dia, e este dia sempre chega, ele chegou do futebol, suado, com cheiro e ânimo de cerveja, a viu lindamente sentada no sofá branco, vestida com sua camisola de seda preta, com renda, sobre um corpo divino, assistindo qualquer coisa na TV. Aproximou-se e de súbito tomou-lhe o pé esquerdo, extremamente cheiroso e bem cuidado e pôs-se a beijar, mordiscar, lamber e deseja-la ardentemente a partir dos pés.

Ela iniciou um processo de pânico que não permitiu uma reação imediata, mas quando reuniu forças, chutou-lhe a boca, correu para o quarto, trancou  a porta, fez as malas, colocou seu tapete de coruja na bolsa e aguardou o silêncio. Saiu de madrugada enquanto ele dormia no sofá branco higienizado e completamente limpo, todo suado, ainda de meião e uniforme do seu time. 

De manhã, meio zonzo, chegou ao banheiro e havia um bilhete curto, colado no espelho:

Parto sem volta. Você lambeu logo o meu pé esquerdo com uma boca cheirando a cerveja, suor, alho e torresmo, e disto eu tenho nojo ...

É isto aí!