quarta-feira, 10 de abril de 2019

A menor Constituição do mundo.

Alto lá! Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Paulo Coelho
Fonte: G1

Urban Arts


Um grupo de sábios judeus reuniu-se para tentar criar a menor Constituição do mundo.

Se alguém fosse capaz de definir – no espaço de tempo que um homem leva para equilibrar-se em um só pé – as leis que deviam reger o comportamento humano, este seria considerado o maior de todos os sábios.

“Deus pune os criminosos”, disse um.

Os outros argumentaram que isto não era uma lei, mas uma ameaça; a frase não foi aceita.

“Deus é amor”, comentou outro.

De novo, os sábios não aceitaram a frase, dizendo que ela não explicava direito os deveres da humanidade.

Neste momento, aproximou-se o rabino Hillel. E, colocando-se num só pé, disse:

“Não faça com seu próximo aquilo que você detestaria que fizessem com você; esta é a Lei. Todo o resto é comentário jurídico”.

E o rabino Hillel foi considerado o maior sábio de seu tempo.

segunda-feira, 8 de abril de 2019

A distração e as estratégias da manipulação de massa - Noam Chomsky


A distração e as estratégias da manipulação de massa

Fonte: Noam Chomsky - The 10 Media Manipulation Strategies
https://pt.scribd.com/document/292109515/Noam-Chomsky-The-10-Media-Manipulation-Strategies


Distração
A mais recorrente das estratégias de manipulação massiva é a distração. Consiste basicamente em direcionar a atenção do público para tópicos irrelevantes ou banais. Desta forma, eles mantêm as mentes das pessoas ocupadas, desviando a atenção delas dos temas e das informações que realmente importam.

Para distrair as pessoas, abarrotam suas mentes de informações. Muita importância é dada, por exemplo, a eventos esportivos. Também aos shows às curiosidades, etc. Isso faz com que as pessoas percam de vista quais são seus reais problemas.

Problema-reação-solução
Às vezes o poder, deliberadamente, deixa de assistir ou assiste de forma deficiente certas realidades. Eles fazem dessa visão dos cidadãos um problema que exige uma solução externa. E propõem a solução eles mesmos.

Essa é uma das estratégias de manipulação em massa para tomar decisões que são impopulares. Por exemplo, quando eles querem privatizar uma empresa pública, intencionalmente diminuem sua produtividade. No final, isso justifica a venda.


Gradualidade
Esta é outra das estratégias de manipulação maciça para introduzir medidas que normalmente as pessoas não aceitariam. Consiste em aplicá-las pouco a pouco, de forma que sejam praticamente imperceptíveis.

Foi o que aconteceu, por exemplo, com a redução dos direitos trabalhistas. Em diferentes sociedades têm-se implementado medidas, ou formas de trabalho, que acabam fazendo com que o trabalhador não tenha garantia de segurança social normal.

Adiar
Esta estratégia consiste em fazer com que os cidadãos pensem que estão tomando uma medida que temporariamente é prejudicial, mas que no futuro pode trazer grandes benefícios para toda a sociedade e, claro, para as pessoas individualmente.

O objetivo é que as pessoas se acostumem com a medida e não a rejeitem, pensando no suposto bem que trará amanhã. No momento, o efeito da “normalização” já operou e as pessoas não protestam porque os benefícios prometidos não chegam.

Infantilizar o público
Muitas das mensagens televisivas, especialmente as publicidades, tendem a falar ao público como se este fosse uma criança. Usam gestos, palavras e atitudes que são conciliadoras e impregnadas de uma certa aura de ingenuidade.

O objetivo é superar as resistências das pessoas. É uma das estratégias de manipulação massiva que busca neutralizar o senso crítico das pessoas. Os políticos também empregam essas táticas, às vezes se mostrando como figuras paternais.

Apelar para as emoções
As mensagens que são projetadas a partir do poder não têm como objetivo a mente reflexiva das pessoas. O que eles procuram principalmente é gerar emoções e atingir o inconsciente dos indivíduos. Por isso, muitas dessas mensagens são cheias de emoção.

O objetivo disso é criar uma espécie de “curto-circuito” com a área mais racional das pessoas. Com emoções, o conteúdo geral da mensagem é capturado, não seus elementos específicos. Desta forma, a capacidade crítica é neutralizada.


Criar públicos ignorantes
Manter as pessoas na ignorância é um dos propósitos do poder. Ignorância significa não dar às pessoas as ferramentas para que possam analisar a realidade por si mesmas. Diga-lhe os dados anedóticos, mas não deixe que ele conheça as estruturas internas dos fatos.

Manter-se na ignorância também significa não dar ênfase à educação. Promover uma ampla lacuna entre a qualidade da educação privada e a educação pública. Adormecer a curiosidade de conhecimento e dar pouco valor aos produtos de inteligência.

Promover públicos complacentes
A maioria das modas e tendências não são criadas espontaneamente. Quase sempre são induzidas e promovidas a partir de um centro de poder que exerce sua influência para criar ondas massivas de gostos, interesses e opiniões.

A mídia geralmente promove certas modas e tendências, a maioria delas em torno de estilos de vida tolos, supérfluos ou até mesmo ridículos. Eles convencem as pessoas de que se comportar assim é “o que está na moda”.

Reforço da autocensura
Outra estratégia de manipulação de massa é fazer as pessoas acreditarem que elas, e somente elas, são as culpadas de seus problemas. Qualquer coisa negativa que aconteça a eles, depende apenas delas mesmas. Desta forma,  fazem a pessoa acreditar que o ambiente em que vive é perfeito e que, se ocorrer uma falha, ela é de responsabilidade do próprio indivíduo.

Portanto, as pessoas acabam tentando se encaixar em seu ambiente e se sentindo culpadas por não conseguir. Elas deslocam a indignação que o sistema poderia causar, para uma culpa permanente direcionada a si mesmos.

Conhecimento profundo do ser humano
Durante as últimas décadas, a ciência conseguiu coletar uma quantidade impressionante de conhecimento sobre a biologia e a psicologia dos seres humanos. No entanto, todo esse patrimônio não está disponível para a maioria das pessoas.

Apenas uma quantidade mínima de informações está disponível ao público. Enquanto isso, as elites dominam todo esse conhecimento e o usam conforme a sua conveniência. Mais uma vez, fica claro que a ignorância facilita a ação do poder sobre a sociedade.

Todas essas estratégias de manipulação de massa visam manter o mundo sob o comando dos mais poderosos. Visam bloquear a capacidade crítica e a autonomia consciente da maioria das pessoas. No entanto, toda essa situação depende de nos deixarmos ser passivamente manipulados. Ou de a ela oferecermos o máximo de resistência possível.

Texto original:
https://pt.scribd.com/document/292109515/Noam-Chomsky-The-10-Media-Manipulation-Strategies


Avram Noam Chomsky
Born: 07.12.1928. Died: /
Avram Noam Chomsky is an American linguist, philosopher, cognitive scientist, historian, and activist. He is an Institute Professor and Professor (Emeritus) in the Department of Linguistics & Philosophy at MIT, where he has worked for over 50 years. Chomsky has been described as the "father of modern linguistics" and a major figure of analytic philosophy. His work has influenced fields such as computer science, mathematics, and psychology. Chomsky is credited as the creator or co-creator of the Chomsky hierarchy, the universal grammar theory, and the Chomsky–Schützenberger theorem.
Ideologically identifying with anarchism and libertarian socialism, Chomsky is known for his critiques of U.S. foreign policy and contemporary capitalism, and he has been described as a prominent cultural figure. His media criticism has included Manufacturing Consent: The Political Economy of the Mass Media (1988), co-written with Edward S. Herman, an analysis articulating the propaganda model theory for examining the media.
According to the Arts and Humanities Citation Index in 1992, Chomsky was cited as a source more often than any other living scholar from 1980 to 1992, and was the eighth most cited source overall. Chomsky is the author of over 100 books.


Noam Chomsky has compiled a list of the ten most powerful and efficacious strategies used by “masters of the world” to establish a manipulation of the population through the media. The strategies are so well-elaborated that even the countries with the best educational systems, succumb to the power and terror of those mafias. Many things are reported in the news but few are explained.

The journalistic tendency to balance stories with two opposing views leads to a tendency to ‘build stories around a confrontation between protagonists and antagonists’ (Ricci 1993: 95). Issues such as garbage and sewage sludge only get coverage, despite their importance, when there is a fight over the siting of a landfill or incinerator and the coverage is then on the ‘anger and anguish of affected citizens, or the conflicting claims of corporate spokesmen, government regulators and environmental activists’ rather than the issues and technical background to them (Gersh 1992: 16).

The job of media is not to inform, but to misinform: Divert public attention from important issues and changes decided by the political and economic elites, by the technique of flood or continuous flood of distractions and insignificant information.

Journalists who have access to highly placed government and corporate sources have to keep them on their side by not reporting anything adverse about them or their organizations. Otherwise they risk losing them as sources of information. In return for this loyalty, their sources occasionally give them good stories, leaks and access to special interviews. Unofficial information, or leaks, give the impression of investigative journalism, but are often strategic manoeuvres on the part of those with position or power (Ricci 1993: 99). ‘It is a bitter irony of source journalism… that the most esteemed journalists are precisely the most servile. For it is by making themselves useful to the powerful that they gain access to the “best” sources’ (quoted in Lee and Solomon 1990: 18).

The 10 media manipulation strategies

01. The strategy of distraction:

The primary element of social control is the strategy of distraction which is to divert public attention from important issues and changes determined by the political and economic elites, by the technique of flood or flooding continuous distractions and insignificant information.

Distraction strategy is also essential to prevent the public interest in the essential knowledge in the area of the science, economics, psychology, neurobiology and cybernetics.

Quote from text Silent Weapons for Quiet Wars: “Maintaining public attention diverted away from the real social problems, captivated by matters of no real importance. Keep the public busy, busy, busy, no time to think, back to farm and other animals”.


02. Create problems, then offer solutions:

This method is also called “problem -reaction- solution.”

It creates a problem, a “situation” referred to cause some reaction in the audience, so this is the principal of the steps that you want to accept.

For example: Let it unfold and intensify urban violence, or arrange for bloody attacks in order that the public is the applicant’s security laws and policies to the detriment of freedom; Or create an economic crisis to accept as a necessary evil retreat of social rights and the dismantling of public services.


03. The gradual strategy:

Acceptance to an unacceptable degree, just apply it gradually, dropper, for consecutive years.

That is how they radically new socioeconomic conditions (neoliberalism) were imposed during the 1980s and 1990s: • the minimal state
• privatization
• precariousness
• flexibility
• massive unemployment
• wages
• do not guarantee a decent income,
...so many changes that have brought about a revolution, if they had been applied once.


04. The strategy of deferring:

Another way to accept an unpopular decision is to present it as “painful and necessary”, gaining public acceptance, at the time for future application.

It is easier to accept that a future sacrifice of immediate slaughter:
First, because the effort is not used immediately
Then, because the public, masses, is always the tendency to expect naively that “everything will be better tomorrow” and that the sacrifice required may be avoided

This gives the public more time to get used to the idea of change and accept it with resignation when the time comes.


05. Go to the public as a little child:

Most of the advertising to the general public uses speech, argument, people and particularly children’s intonation, often close to the weakness, as if the viewer were a little child or a mentally deficient.

The harder one tries to deceive the viewer look, the more it tends to adopt a tone infantilizing.

Why? (see Silent Weapons for Quiet Wars)  “If one goes to a person as if she had the age of 12 years or less, then, because of suggestion, she tends with a certain probability that a response or reaction also devoid of a critical sense as a person 12 years or younger.” 


06. Use the emotional side more than the reflection:

Making use of the emotional aspect is a classic technique for causing a short circuit on rational analysis, and finally to the critical sense of the individual.

Furthermore, the use of emotional register to open the door to the unconscious for implantation or grafting ideas, desires, fears and anxieties, compulsions, or induce behaviors…


07. Keep the public in ignorance and mediocrity:

Making the public incapable of understanding the technologies and methods used to control and enslavement.

How? (see Silent Weapons for Quiet Wars) “The quality of education given to the lower social classes must be the poor and mediocre as possible so that the gap of ignorance it plans among the lower classes and upper classes is and remains impossible to attain for the lower classes.”

08. To encourage the public to be complacent with mediocrity:

Promote the public to believe that the fact is fashionable to be stupid, vulgar and uneducated…


09. Self-blame Strengthen:

To let individual blame for their misfortune, because of the failure of their intelligence, their abilities, or their efforts.

So, instead of rebelling against the economic system, the individual auto-devaluate and guilt himself, which creates a depression, one of whose effects is to inhibit its action.

And, without action, there is no revolution!


10. Getting to know the individuals better than they know themselves:

Over the past 50 years, advances of accelerated science has generated a growing gap between public knowledge and those owned and operated by dominant elites.

Thanks to biology, neurobiology and applied psychology, the “system” has enjoyed a sophisticated understanding of human beings, both physically and psychologically.

The system has gotten better acquainted with the common man more than he knows himself.

This means that, in most cases, the system exerts greater control and great power over individuals, greater than that of individuals about themselves.


terça-feira, 26 de março de 2019

As quatro leis da Espiritualidade (Índia)


A primeira diz: “A pessoa que vem é a pessoa certa“.

Ninguém entra em nossas vidas por acaso. Todas as pessoas ao nosso redor, interagindo com a gente, têm algo para nos fazer aprender e avançar em cada situação.

A segunda lei diz: “Aconteceu a única coisa que poderia ter acontecido“.

Nada, absolutamente nada do que acontece em nossas vidas poderia ter sido de outra forma. Mesmo o menor detalhe. Não há nenhum “se eu tivesse feito tal coisa…” ou “aconteceu que um outro…”. Não. O que aconteceu foi tudo o que poderia ter acontecido, e foi para aprendermos a lição e seguirmos em frente. Todas e cada uma das situações que acontecem em nossas vidas são perfeitas.

A terceira diz: “Toda vez que você iniciar é o momento certo“.

Tudo começa na hora certa, nem antes nem depois. Quando estamos prontos para iniciar algo novo em nossas vidas, é que as coisas acontecem.

E a quarta e última afirma: “Quando algo termina, termina“. 

Simples assim. Se algo acabou em nossas vidas é para a nossa evolução. Por isso, é melhor sair, ir em frente e se enriquecer com a experiência. Não é por acaso que estamos lendo este texto agora. Se ele vem à nossa vida hoje, é porque estamos preparados para entender que nenhum floco de neve cai no lugar errado.

É isso aí!

segunda-feira, 25 de março de 2019

Manhã (Murilo Mendes) ou como dói saber que sei que sei sobre uma ausência chamada Juiz de Fora

Juiz de Fora

Manhã (Murilo Mendes*)

As estátuas sem mim não podem mover os braços
Minhas antigas namoradas sem mim não podem amar sem maridos
Muitos versos sem mim não poderão existir.

É inútil deter as aparições da musa
É difícil não amar a vida
Mesmo explorado pelos outros homens
É absurdo achar mais realidade na lei que nas estrelas
Sou poeta irrevogavelmente.


*Murilo Mendes é uma poesia que existe dentro de mim chamada Juiz de Fora, que sinceramente,  habita em completo desalinho, como devem ser as coisas que vagueiam na ausência que transcende minha vontade. É isso aí!


terça-feira, 19 de março de 2019

Chanson D’Automne (Paul Verlaine / tradução Onestaldo de Pennafort)

Chanson D’Automne (Paul Verlaine)

Les sanglots longs
Des violons
     De l’automne
Blessent mon cœur
D’une langueur
     Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
     Sonne l’heure,
Je me souviens
Des jours anciens
     Et je pleure;

Et je m’en vais
Au vent mauvais
     Qui m’emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
     Feuille morte.
                        
Canção do outono (tradução de Onestaldo de Pennafort)

Os longos sons
dos violões,
     pelo outono
me enchem de dor
e de um langor
     de abandono.

E choro, quando
ouço, ofegando,
     bater a hora,
lembrando os dias
e as alegrias
     e ais de outrora.

E vou-me ao vento
que, num tormento,
     me transporta
de cá p’ra lá,
como faz à
     folha morta.

 

segunda-feira, 18 de março de 2019

O mundo das sombras




Havia um caminho
que levava de A a B
um caminho em flores
onde todos os dias
o homem H passava triste

Havia um caminho
que levava de B a A
um caminho em flores
onde todos os dias
uma mulher M passava triste

O homem H pensava
mulheres dão trabalho
logo prefiro ficar sozinho

A mulher M pensava
homens dão trabalho,
logo prefiro ficar sozinha

O caminho das flores
que levava de A a B era longo
e ao longo do caminho
o homem H estava triste e sozinho

O caminho das flores
que levava de B a A era longo
e ao longo do caminho
a mulher H estava triste e sozinha

Um dia o homem H triste e sozinho
desejou uma mulher
para preencher seu vazio
taciturno e chato

um dia a mulher M triste e sozinha
desejou um homem
para preencher seu vazio
taciturno e chato

Mas H e M têm crenças limitantes
inibidoras de sonhos, desejos
pobres de ações em abundância
e ricos em procrastinação redundante.

M e H agora estão com raiva
sentimento de culpa
frustrados e contrariados
escondidos nas suas sombras

H e M se culpam todo dia
M e H estão num círculo vicioso
e suas sombras controladoras
crescem crescem crescem

Passam um pelo outro
resvalam ombro no ombro
mas negam sua felicidade
culpando o destino que criaram.

É isto ai!






quarta-feira, 13 de março de 2019

Hoʻoponopono


Hoʻoponopono (ho-o-pono-pono) é uma prática havaiana antiga, com vista à reconciliação e ao perdão. Práticas semelhantes de perdão eram feitas em diversas ilhas do Sul do Pacífico, incluindo Samoa, Taiti e Nova Zelândia.

Tradicionalmente o hoʻoponopono é praticado por sacerdotes de cura ou kahuna lapaʻau em membros de uma família onde existe uma pessoa fisicamente doente. Versões modernas são executadas na família por um membro mais idoso, ou apenas pelo próprio indivíduo.

Uso moderno:

A prática do ho’oponopono não requer muitos ensinamentos, mas serve para purificar o próprio corpo e se livrar de memórias ou sentimentos ruins, que prendem a mente em uma sintonia negativa.

Por trás de toda situação, todo acontecimento e todo encontro que ocorre na vida, uma memória é guardada. A finalidade do Ho'oponopono é liberar as memórias que possam impor obstáculos na vida da pessoa ou ser fonte de dor, pesar ou sofrimento.

A prática moderna do ho’oponopono é composta por quatro frases principais:

Sinto muito;
Me perdoe;
Eu te amo;
Sou grato.

terça-feira, 5 de março de 2019

Sentimento do Mundo (Carlos Drummond de Andrade)


Tenho apenas duas mãos
e o sentimento do mundo,
mas estou cheio de escravos,
minhas lembranças escorrem
e o corpo transige
na confluência do amor.

Quando me levantar, o céu
estará morto e saqueado,
eu mesmo estarei morto,
morto meu desejo, morto
o pântano sem acordes.

Os camaradas não disseram
que havia uma guerra
e era necessário
trazer fogo e alimento.
Sinto-me disperso,
anterior a fronteiras,
humildemente vos peço
que me perdoeis.

Quando os corpos passarem,
eu ficarei sozinho
desfiando a recordação
do sineiro, da viúva e do microcopista
que habitavam a barraca
e não foram encontrados
ao amanhecer

esse amanhecer
mais noite que a noite.

O ladrão não vem senão a roubar, a matar, e a destruir

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Gaviões da Fiel 2019
Numa síntese do que está em Mateus 24, referente ao fim dos tempos, temos:

Muitos dirão que são Jesus ou que são profetas (mas serão falsos), fazendo até milagres para enganar as pessoas, mesmo alguns cristãos;

Haverá guerras entre nações e ameaças de guerras e ouviremos falar delas;

Haverá desastres naturais, como terremotos e fomes em muitos lugares;

Os cristãos serão perseguidos, odiados e alguns até mortos;

Haverá muito escândalo, ódio e traição entre as pessoas;

A maldade do mundo será tanta que muitos ficarão desiludidos e deixarão de amar;

O Evangelho será pregado a todos os povos (mas isso não significa que será aceite por todos);

Em Israel haverá muita turbulência, instabilidade e guerra;

O mundo passará por uma grande tribulação, como nunca houve antes;

Haverá sinais no céu e o sol e a lua não darão luz;

Muitas pessoas serão apanhadas de surpresa.

Bem, neste carnaval, em São Paulo, uma escola de samba, Gaviões da Fiel,  fez a representação do diabo matando um suposto cristo (em letra minúscula mesmo). Este cristo está definido aí acima, no livro de Mateus. Abaixo transcrevo na íntegra a postagem de um teólogo de Porto Alegre-RS, muito bem feita. Só os que seguem o cristinho atacada pelo diabo sentiram o baque: 

"Quando a igreja fez arminha com a mão, o diabo venceu.
Quando os pastores e missionários, mesmo atuando nas comunidades mais pobres e obtendo o seu sustento do salário dos trabalhadores, apoiam a retirada de direitos destes para favorecerem os mais ricos, o diabo venceu.
Quando a igreja ri de uma criança que morre, o diabo venceu.
Quando a igreja comemora que uma líder social é assassinada a tiros numa emboscada, o diabo venceu.
Quando a igreja zomba de um líder político que precisa deixar o país sob ameaça de morte, o diabo venceu.
Quando a igreja vive uma expectativa que entremos em guerra com outro país para atender interesses geopolíticos de superpotências, o diabo venceu.
Quando a igreja se torna o principal grupo social do país a espalhar mentiras na internet, o diabo venceu.
Quando a maior preocupação da igreja, em um país extremamente desigual, é que meninos vistam azul e meninas rosa, o diabo venceu.
Quando a igreja fica em angustiante silêncio frente ao racismo, a xenofobia, ao feminicídio, a homofobia, o diabo venceu.
Quando a igreja considera armar toda a população como forma de buscarmos a paz, o diabo venceu. Quando a igreja considera justo que fazendeiros que já tanto tem esmaguem os povos indígenas para lhes tomar o pouco que resta, o diabo venceu."

Tiago Santos - Teólogo
Porto Alegre /RS

É isto aí!

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

O analista da Pitangueira e a felicidade de cada dia.


Acho que nunca fui tão feliz

Entendo. Pode falar mais sobre isto?

Sobre ser feliz?

Não, sobre o que acha disto, já que acha.

Como assim - acho?

Você iniciou com Acho.

Tudo bem mudo então - Acredito que nunca fui feliz ...

Hummm, ficou mais claro.

Mas só mudei o acho pelo acredito, vocês analistas ...

mas esqueceu ou negou o "não" quando se fez acreditar.

Não, tem nada disto não, eu falei o não.

Negar que falou fará seu dia mais feliz?

Eu acho.

Então confessa que nega

Negar o que?

Que acha que negar o que falou fará seu dia mais feliz.

Eu não disse isto.

Sim, não disse.

Resolve, eu disse sim ou não?

Sim ou não?

Você analistas são ridículos. 

Falar que seu analista é ridículo satisfaz o seu dia?

De certa forma ... não sei, engraçado isto. Apesar disto, acho que nunca fui tão feliz.

Quer falar sobre isto?

De ser engraçado?

Não da certa forma, há uma forma definida para ser a certa forma?

Não entendi.

Nem eu, mas o caso é que acabou o meu Brandy Courvoisier e a importadora fecha em 10 minutos, semana que vem no mesmo horário.

É isto aí!


quarta-feira, 20 de fevereiro de 2019

Odete, a musa do laranjal

Madrugada estava quente, abafada e mal dormida quando soou meu Nokia original, único dono e do outro lado da célula, Odete, a musa do laranjal. Reza a lenda que em inenarrável baile de reveillon, num hotel seis estrelas do Distrito Federal, Odete saiu de dentro de uma gigantesca laranja, tomada apenas de glacê e lantejoulas e encantou determinada e deslumbrada plateia que ali se instalara provisoriamente enquanto suas mansões funcionais eram reorganizadas para receber o neopower. Desde então passou a ser a musa do imaginário alaranjado do planalto central.

Odete, meu amor...

Para tuuuuudoo!!!! Você me chamando de meu amor ... ai ai vou ter um orgasmo quíntuplo ...

Diga, querida a que devo a honra da sua voz em minha vida, às três e quarenta da manhã?

Nossa, amor ... querida ... não quero mais nada, vem me ter em Brasília ...

Irei, mas antes conte o que te trouxe aqui.

Humm, virá!! Bem, amore, como sabe, euzinha jamais aumento ou invento, tudo que conto tem detalhes, testemunhas e provas.

Sim

Bem, como vou explicar isto?! Olha só, estava euzinha dia destes com a poderosa Eulália Calíope, a musa das eloquências de Brasília ... que eloquência é aquela, meu deusinho do balacobaco, que eloquência é aquela? Bem, então, não posso perder o foco, escuta amore, tenho que invadir sua privacidade, mas quando você vai ter um smartphone com recursos audio-visuais?

O que tem a Eulália Calíope com eloquências e um smartphone, Odete?

A princípio nada, mas u-la-lá, ai-ai, suspiros, nossa, que falta de imaginação a sua. Bem, estava euzinha com Eulália, quando adentrou ao ambiente o Oscar, um faz-tudo da terceira seção do segundo departamento da sub-secretaria executiva de análise prévia do Conselho de Arquivos de determinado ministério da administração direta eleita pelo Sufrágio Universal.

Eulália? Oscar? Uai, mudou tudo? Cadê as primas, as amigas do salão, os senis ricos, limpinhos e corruptos das margens do Paranoá?

Ai, amore, navegar é preciso, viver não é preciso. Bem, aí adentrou Oscar, alto, forte, bonito, hétero assumido, mas monogâmico, deusmmelivre - mas ninguém é perfeito. Veio pegar assinatura da Eulália para a liberação de um lote de pastas lacradas de uma coisa lá super-secreta de tal lugar desconhecido onde ela é lotada e manda-chuva. Aí a Eulália olhou para ele, buscando se recompor, mas não no sentido lato, e sim no sentido fatal, entende? - Olha, Oscarzinho, conta aqui para a sua Lalá sobre o que tem de novo no subterrâneo dos bastidores.

Sua Lalá? Mas o sujeito não é monogâmico, Odete?

Nossa, se não fosse euzinha, seu ouvido continuaria escutando nana-neném. Amore, monogâmico é que ele, hummm, como vou explicar, hummmm, ele está incluído numa variante da monogamia social, que nós, adultos esclarecidos do Planalto Central, denominamos de monogamia em série, entende? Uma de cada vez.

Ah, entendi. 

Bem, retornando, tremendo e suando feito uma chaleira diante da "sua" Lalá, Oscar revelou que ouviu de Marieta, sua fiel ex-esposa e eventual em hiatos passionais e também melhor amiga da vida pública e privada, soube por seu maridinho Adolfo, um almofadinha engomado, meio paetê, meio esquisitinho, enfim - um subalterno do terceiro escalão da segunda seção, que escutou de Débora, sua amante fixa, que confidenciou que seu amante, Manézinho Ferrão esteve reunido com Claudinho Bond, que contou-lhe que soube através do complicadíssimo subalterno Alarido Quark, lotado como adjunto do primeiro secretário da segunda comissão de ética provisória daquele poderoso Ministério, que ouviu da boca da gostosinha assistente de cafezinho da ante-sala do sub-ministro ...

Odete, qual é o nome da gostosinha do café?

Eu, hem!!!! Me poupe e me respeite, é ruim que vou dar nome de concorrentes diretas ... mas continuando, a gostosinha sussurrou ao Alarido Quark que dia destes estava atenta à conversa entre Jack Staff e Gherydelson Silva, quando escutou que a ordem dada pelo assessor de assuntos patrimoniais, Zé Limbo, era que se cumprisse imediatamente determinação do lugar tenente Perro Loco, irmão da dupla cantareira Serpiente Loco e Cabrio Loco, que é a dupla que manda de fato do Oiapoque ao Chuí, que está tudo do jeito que o diabo gosta, e o que está ruim, vai piorar.

Nossa ... Odete ...

Calma, amore ... - O que mais? - perguntou Lalá, dando dois passos em direção a Oscar, o hétero monogâmico serial. Olhando para mim e olhando para ela ininterruptamente, quase em colapso, entre soluços e lágrimas, falou - puxa vida, vendo vocês duas aqui, enfeitiçado pelas forças ocultas do fantasma Jaburu, não sei mais se há em mim adjunto adnominal ou complemento nominal, gente eu sou monogâmico ... para, não para, para, não para ...

Odete?! Que coisa maluca foi esta?

Não foi nada maluco, amore, apenas uma fraquejada do rapaz ...

Não, nada disto, falo da notícia de que está ruim e vai piorar...

Ah! Era isto! Bem, amore, prepare sua mochila, que logo logo, no caos apoteótico, viraremos andarilhos em busca de incertezas para entretermos nossas vidas. Ah, chega de falar destas coisas e  vem me ter em Brasília, amore, vem, vem logo, vem que sua Odetinha está alucinada só de pensar em você me ter em Brasília. Vem, amore, vem ...

É isto aí!

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

La Vie en rose

"La vie en rose" tornou conhecida mundialmente na voz de Édith Piaf, e  virou o seu principal sucesso após ter sido lançada em 1946.

A letra foi escrita por ela, Édith Piaf, e a melodia por seu parceiro Louis Gugliemi e fala sobre a percepção do amor pelo olhar feminino, e é de uma candura apaixonante. Abaixo do vídeo, a letra  original e uma tradução livre do site Vagalume.



La Vie En Rose

Des yeux qui font baisser les miens
Un rire qui se perd sur sa bouche
Voilà le portrait sans retouche
De l'homme auquel j'appartiens

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose

Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours
Et ça me fait quelque chose

Il est entré dans mon cœur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause

C'est lui pour moi, moi pour lui dans la vie
Il me l'a dit, l'a juré pour la vie

Et dès que je l'aperçois
Alors je sens en moi
Mon cœur qui bat

Des nuits d'amour à ne plus en finir
Un grand bonheur qui prend sa place
Des ennuis, des chagrins, s'effacent
Heureux, heureux à en mourir

Quand il me prend dans ses bras
Il me parle tout bas
Je vois la vie en rose

Il me dit des mots d'amour
Des mots de tous les jours
Et ça me fait quelque chose

Il est entré dans mon cœur
Une part de bonheur
Dont je connais la cause

C'est toi pour moi, moi pour toi dans la vie
Il me l'a dit, l'a juré pour la vie

Et dès que je t'aperçois
Alors je sens dans moi
Mon cœur qui bat

A Vida Cor de Rosa

Olhos que fazem baixar os meus
Um riso que se perde em sua boca
Aí está o retrato sem retoque
Do homem a quem eu pertenço

Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala baixinho
Eu vejo a vida em rosa

Ele me diz palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me toca

Ele entrou no meu coração
Um pouco de felicidade
Da qual eu conheço a causa

É ele para mim, eu para ele na vida
Ele me disse, me jurou pela vida

E desde que eu o percebo
Então sinto em mim
Meu coração que bate

Noites de amor a não mais acabar
Uma grande felicidade que toma seu lugar
Os aborrecimentos e as tristezas se apagam
Feliz, feliz até morrer

Quando ele me toma em seus braços
Ele me fala baixinho
Eu vejo a vida em rosa

Ele me diz palavras de amor
Palavras de todos os dias
E isso me toca

Entrou no meu coração
Um pouco de felicidade
Da qual eu conheço a causa

É ele para mim, eu para ele na vida
Ele me disse, me jurou pela vida

E desde que eu o percebo
Então sinto em mim
Meu coração que bate






domingo, 17 de fevereiro de 2019

Pausa para agradecer as visitas de Pitangueiras - SP


Este blog, edificado no interior do interior do interior de Minas Gerais, teve nas últimas semanas uma intensa visita de pessoas que buscam notícias de Pitangueiras, a ponto de chamar a minha atenção. Não das árvores, cujo exemplar tenho plantado no meu quintal, já que resido no interior do interior, mas estou falando de uma cidade bonita do oeste paulista, que pessoalmente não conheço.

O Google não permite que saibamos quem acessa o Blog, mas dá a origem das buscas, e como fui investigar na rede, achei simpático o município, por isto vou falar sobre Pitangueiras, localizada entre Ribeirão Preto e Barretos, com cerca de quarenta mil habitantes.

Quanto ao registro histórico, tem-se documentado que O "Pouso de Passagem", precursor do povoado de Pitangueiras, situava-se em local estratégico nas rotas comerciais dos centros de criação de gado do Norte do Estado, bebedouro, Jaboticabal e Barretos, com São Carlos e São Paulo. Parte das rotas utilizava-se das vias fluviais, principalmente o rio Moji-Guaçu. No entanto, devido a maleita comum naquela época, o pouso afastou-se do porto, para uma clareira no caminho de Jaboticabal, conhecida por Pitangueiras, por ser comum estas árvores nativas na região. 

A data de fundação do povoado não é precisa, contudo sabe-se que houve duas doações de terras ao padroeiro São Sebastião: a primeira, de oitenta alqueires, por Manoel Felix e sua mulher, Ana Batista de Morais, em 1858; outra de cinco alqueires, em 1892, pelo casal Joaquim Moço. 

Por volta de 1880, em torno de uma capela aí existente, viviam cerca de oitocentas “almas”, conforme levantamento da Igreja. Estes, na sua maioria de origem mineira, dedicavam-se a pecuária e cultivo de milho, feijão e mandioca. A atividade comercial era representada por quatro empórios. 

Bem, do fundo do meu coração, espero que este Blog, que abriga o Reino da Pitangueira, tenha sido de alguma forma útil, e não decepcionante, na busca dos que procuraram por Pitangueiras no Google. Um abraço, que sua cidade continue assim, com este ar de tranquilidade e prosperidade.

E o nome do blog tem relação com Pitangueiras-SP?

Não. Apesar do meu pai ter nascido no Triângulo Mineiro, portanto bem próximo à esta região, nasci no leste de Minas Gerais, onde resido até hoje. O nome do blog deve-se a uma centenária pitangueira que tinha na casa da minha avó materna, local de longas horas de sonhos e diversões da minha infância.  

Um abraço a todos vocês de Pitangueiras-SP, um dia, quem sabe, terei a honra e o privilégio de passear pela Avenida das Pitangueiras e confirmar o que vi pelos vídeos e fotos que pesquisei - vocês moram no paraíso. 

É isto aí!