quarta-feira, 3 de março de 2021

Eu amo você!


 Eu amo você.

Já pensei numa nova frase

Já criei neologismos

Já rezei para São Brás

São Judas, Santo Antônio

Já acendi vela benta

já orei no monte

Já entoei ladainha

E nada disto dissolveu

o amor que habita meu ser


Eu amo você

Não sei nadar

Nem cantar

Não sei pilotar moto

Nem jogar futebol

Não sei falar inglês

sueco ou dinamarquês

Nem coser nem cozinhar

Não sei saltar de paraquedas

Nem dançar forró


Mas eu sei 

que eu sei

deste transe

dessa trança

deste tráfego

dessa trama

deste fato

que está feito

de que eu amo você.


É isto aí!

 


Sabe com quem está falando?


 

Um fila imensa no terminal rodoviário, a chuva não parava, as pessoas o mais próximas possíveis umas das outras. E a água subindo, já batendo quase no nível do piso da estação. No guichê uma pequena discussão que acabou virando uma violenta verborragia do usuário para com a atendente.

O cidadão malhado por artifícios legais ou ilegais esmurrava o balcão.

A moça, desesperada, no atendimento, pedia calma.

O cidadão irado voltava os olhos para a plateia, como exigindo palmas, em troca recebia o silêncio.

A moça chamou o segurança, seu Zezinho, o faz tudo. Esquelético e esquálido, andar lento e claudicante, lado esquerdo do corpo semi-paralisado, chega seu Zezinho arrastando as sandálias gastas e pitando seu cigarro de palha. 

Ao chegar no balcão para se inteirar do que está acontecendo, recebe um tapa nas costas. Olha aqui, velhinho, vai furar a fila da puta que o pariu. Estou sendo atendido pela sua irmã aqui, esta putinha de aquário.  

Seu Zezinho levantou a cabeça para ver o rosto do neandertal. Olhou, olhou, colocou a mão no queixo e perguntou - por acaso o senhor é filho da Dona Maria do Bolo, que mora ou morava na Pinguela do Córrego?

Sim, mas, espera - não estou gostando desta conversa. Se falar mais um "A" vou te encher de porrada, velhote, disse segurando a surrada camisa do seu Zezinho, pela gola. 

Seu Zezinho afastou-se, deu meia volta, parou num grupo de curiosos que saíram da fila para abraçá-lo, falou alguma coisa apontando para o nervosimho e deram gargalhadas.

O troglodita sentiu o veneno se espalhando pelo corpo, e às pressas saiu da fila em direção ao seu alvo. A mocinha do guichê, temendo uma tragédia, pegou o microfone e com uma calma descomunal falou:

Senhor, o senhor mesmo que perguntou se eu sabia com quem está falando. Eu sei quem é o senhor - é filho do seu Zezinho, e sei que agora está indo dar um abraço nele para validar o seu renascimento como um homem que merece ter um pai que nunca conheceu.

A fila olha para a mocinha do guichê, olha para o idiota bombado e olha para o seu Zezinho e num interminável silêncio, repetem o ato sincronizado mais umas duas vezes. Ninguém quer perder nada. 

O homem para, olha com ódio mortal para a mocinha do guichê, olha com desesperança para o Seu Zezinho, ergue os dois braço e dá um grito estrondoso, assustador, aterrorizante. Começa a chorar e sai apressado em direção a um rumo até hoje desconhecido.

É isto aí!


terça-feira, 2 de março de 2021

She (Charles Aznavour / Herbert Kretzmer) String Quintet and Piano



Fonte: LyricFind
Compositores: Charles Aznavour / Herbert Kretzmer,

She may be the face I can't forget
The trace of pleasure or regret
May be my treasure or the price I have to pay
She may be the song that summer sings
Maybe the chill that autumn brings
Maybe a hundred different things
Within the measure of a day

She may be the beauty or the beast
May be the famine or the feast
May turn each day into a Heaven or a Hell
She may be the mirror of my dreams
A smile reflected in a stream
She may not be what she may seem
Inside her shell

She, who always seems so happy in a crowd
Whose eyes can be so private and so proud
No one's allowed to see them when they cry
She may be the love that cannot hope to last
May come to me from shadows in the past
That I remember 'till the day I die

She maybe the reason I survive
The why and wherefore I'm alive
The one I'll care for through the rough in many years
Me, I'll take her laughter her tears
And make them all my souvenirs
And where she goes I've got to be
The meaning of my life is
She, she
Oh, she

Fonte: LyricFind
Compositores: Charles Aznavour / Herbert Kretzmer,

Ela pode ser o rosto que não posso esquecer  
O traço de prazer ou arrependimento  
Pode ser meu tesouro ou o preço que tenho que pagar
Ela pode ser a música que o verão canta
Talvez o frio que o outono traga
Talvez uma centena de coisas diferentes  
na medida de um dia

Ela pode ser a bela ou a fera  
Pode ser a fome ou a festa  
Pode transformar cada dia em um paraíso ou um inferno
Ela pode ser o espelho dos meus sonhos  
Um sorriso refletido em um riacho 
Ela pode não ser o que parece 
Dentro de sua concha

Ela, que sempre parece tão feliz em uma multidão  
Cujos olhos podem ser tão privados e tão orgulhosos  
Ninguém está autorizado a vê-los quando eles choram
Ela pode ser o amor que não pode esperar durar
Pode vir até mim as sombras do passado
Que eu lembrarei até o dia em que eu morrer

Ela talvez a razão que eu sobreviver  
O porquê e por isso estou vivo  
Aquela a quem irei cuidar através de anos difíceis

Eu, eu vou levar o riso dela, suas lágrimas  
E farei todas elas minhas lembranças  
E onde ela for eu tenho que estar
O significado da minha vida é
Ela Ela 
Ai ela

Tradução LyricFind 

*Song by Herbert Kretzmer and Charles Aznavour.

Singer - Michael Wright
Violin I - Yvette Holzwarth
Violin II - Grace Rodgers
Viola - Tom Lea
Cello - Hillary Smith
Bass - Jonathan Richards
Piano - Jeff Liffman
Produced by Kevin Richardson
Directed by Anthony Augistinack
Arranger/Conductor/Mixer/Editor - Gray Bashew
Recording Engineer - Jeff Gartenbaum
Production Manager - Erin Gilchrist
Makeup - Courtney Witherspoon
Camera Operator - Derrick Axtell

segunda-feira, 1 de março de 2021

Maldita lucidez!




Cansei de esperar sentado 
na cadeira de palhinha da varanda
Cansei de olhar para o final da rua 
esperando seu olhar sorrir

Não sei nem mais 
como dizer olá, se vier pela estrada
Não sei como disse adeus 
de uma forma tão tosca

As tardes de outono amarelas,
as noites de inverno longas,
as manhãs de verão chuvosas...
nunca pensei que nunca mais fosse primavera

Nenhuma rosa, cravo, beijos azuis
nossas mãos dadas, nossos destinos traçados
Por que fui nascer louco com esta lucidez?
Não perder a consciência mas abrir mão de ser.

Ser o que sou, não sendo o que esperava em mim
Cansei de sorrir para a esperança, tolice
acreditar na felicidade, idiotices de um átimo atemporal.
Não sei ser para você, então é isso, adeus.

É isto aí!




Javier Limón y Buika en Buenafuente 29/09/2010



Música - La Voz De Mi Recuerdo
Artista - Javier Limon Y Buika En Buenafuente
Álbum - MediaMuv Discos
Licenciado para o YouTube por
MediaMuv (em nome de BG MUSIC CORP) e 1 associações de direitos musicais

Fonte - Youtube

En la penumbra de esta noche divina y prieta
Sobre la tundra que puebla mi alma siempre despierta
Se oye un lamento como preludio de las horas muertas
Horas que pasan con la agonía de una muerte lenta

Vuelve el silencio a vestirme de oro, mi santo
Vuelve el recuerdo de mis abuelas
A hacerme fuerte en la espera
Vuelven los discos que me enseñaron
A adorar la música
Volvió mi padre después de 20 años
Ay, si tú volvieras

Si tú volvieras
Te vestiría de oro, mi santo
Callaría las cosas
Para que pudieras oír mi canto, desesperado

Si tú volvieras
Te vestiría de oro, mi santo
Callaría las cosas
Para que pudieras oír mi canto, desesperado

Si tú volvieras
Te vestiría de oro, mi santo
Callaría las cosas
Para que pudieras oír mi canto, desesperado

Si tú volvieras
Te vestiría de oro, mi santo
Callaría las cosas
Para que pudieras oír mi canto, desesperado


Composição: Buika / Javier Limón.

Soñar Contigo de JavierLaguna/ToniZenet/JavierViana UmeboshiSoul Cover d...



🥁Màrius Milà
🎺Víctor Martínez
🎸Pep Pujadas
🎤La Rose
🎥Produccions LacollaDF

UNA DE ESAS NOCHES SIN FINAL de Javier Limón - OLD VINIL UMEBOSHI SOUL -...


UNA DE ESAS NOCHES SIN FINAL de Javier Limón - OLD VINIL UMEBOSHI SOUL -4rtet- COVER

Devolva-me - Adriana Calcanhotto (Elize Fleury)

O Mundo É Um Moinho - Cartola (Elize Fleury)

domingo, 28 de fevereiro de 2021

Relicário da Alma



Naquela manhã, o celebrante resolveu improvisar a pregação. Falaria do ódio imperioso, mas por alguma força maior, começou falando sobre o amor.

Meus irmãos, eu preparei um texto para falar do ódio que assalta o mundo, mas quando cheguei neste Templo, meu coração pediu para falar de amor, assim, de improviso. Engraçado isto de falar de amor, por que é um tema que não esgota. Amor (do latim amore), em tese, é aquela emoção que leva uma pessoa a desejar o bem a outra pessoa  

É fato notório que possui um mecanismo biológico determinado pelo sistema límbico, centro primitivo das emoções, mas no fundo no fundo é uma Arte. Ninguém ama como alguém e vice-versa. Mas acreditem, não falarei deste amor barato, em perene liquidação nas redes sociais, que percorre suas memórias apodrecidas. Saibam que Amar dói, e isto sim, é uma coisa estranha.

A verdade é que não é algo fácil de ocorrer, do tipo - vou sair hoje para encontrar meu amor. Existem aqueles que enganam a si mesmos ao ajoelhar até os joelhos doerem, os pés incharem e as câimbras dominarem as pernas, pois assim acreditam que amarão e será amados. Ingênuos, não passam de idiotas. Amar é ação - Amar é verbo transitivo direto, ou seja, que não admite preposição alguma - Quem ama, ama alguém.

O amor não se define de uma forma reta, o amor se vive, e não existem dois amores iguais. Fechem os olhos e pensem naquela pessoa que amam. Alguns aqui pensarão em sexo, outros em desejo, outros em vontade, outros em luxúria, e talvez um ou outro pensará no próximo, incluindo a pessoa  que está ao seu lado, que você sequer cumprimentou ao chegar. Um ou dois pensarão nos mendigos aglomerados na porta do Templo, nos que não tem casa, nos que nãos se alimentam há dias, do que estão desempregados, etc.

Prestem atenção. Da próxima vez que vocês falarem - Eu amo você - não mintam, não dêem aquele sorriso irônico, não desnudem a pessoa com o olhar. Apenas sintam o poder desta frase - Eu amo você - não é para ser dita por idiotas, idólatras ou pervertidos. Saibam que o amor é uma loucura, e só os loucos amam de fato e têm a coragem de assumir isto.

Na Palavra está escrito que Deus é Amor. Como definir Deus? Uma sarça ardente? Um Anjo? Um Espírito? Um Clarão de luz? Meus irmão, não definam Deus, e também não definam o amor. Deixem que ele inunde sua vida. Chorem quando permitirem a sua existência na sua alma 

Ao deixar que sua alma se inunde desta coisa inenarrável, será a sua alma o Relicário do que de mais forte, indestrutível, eterno, poderoso e verdadeiro existe na natureza do Universo. Sejam loucos e se permitam conhecer o amor.  

Agora vão e saibam que Deus escolheu o que para o mundo é loucura para envergonhar os sábios e escolheu o que para o mundo é fraqueza para envergonhar o que é forte.

É isto aí!

Fonte da Imagem: New York Spirit


sábado, 27 de fevereiro de 2021

Um amor fora do tom



Um caso de desamor atacanha
quem sempre teve ouvido bom
ficam expostas as feridas
purgadas pelas notas mendazes.

Dançou uma música estranha
melodia sem ritmo e fora do tom 
Cantou a letra censurada
e sentiu seu olhar mordaz

Saiu correndo acima das águas
virou e desceu a ladeira da tristeza
atravessou seis pistas tensas
e encontrou uma porta incerta

Entrou sem perguntar olhou
não viu diferença e como reincidência 
da janela do anterior caso aberta
fugiu em descompasso pela via da dor.

É isto aí!



quarta-feira, 24 de fevereiro de 2021

Almas Gêmeas.



Alto lá
Este texto não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: Arquivos da Grécia Antiga


Diz-se que no início dos tempos, quando os humanos foram criados, eles tinham uma forma diferente da que têm hoje. Ambos eram homens e mulheres, tinham quatro braços, quatro pernas e uma única cabeça composta por duas faces.

Em “O Simpósio”, Platão faz com que Aristófanes, um famoso escritor de teatro e comédia grego, conte a história das Almas Gêmeas.

Como Platão coloca:

“De acordo com a mitologia grega, os humanos foram originalmente criados com quatro braços, quatro pernas e uma cabeça com duas faces. Temendo seu poder, Zeus os dividiu em duas partes distintas, condenando-os a passar suas vidas em busca de suas outras metades. ”

Antes de descobrirmos o que os deuses temiam neles, vamos descrever um pouco mais sua natureza. Havia três gêneros na natureza: Homem, Mulher e o “Andrógino”, que literalmente significa homem-mulher em grego. Cada gênero tinha dois conjuntos de genitais, com o andrógino tendo tanto o sexo masculino quanto o feminino. O gênero dos humanos tem a ver com sua origem; os Homens eram filhos do Sol e as Mulheres eram filhos da Terra. Andorgynous, entretanto, eram filhos da Lua, nascidos da fusão do Sol e da Terra.

E houve um tempo em que os humanos eram criaturas muito poderosas, destemidas e fortes, e até ousavam ameaçar os deuses. Eles ameaçaram conquistá-los e governar em seu lugar, tornando-se os novos deuses. Então os Deuses tiveram que responder e contemplar como enfrentar a ameaça dos humanos e o que precisava ser feito para que o equilíbrio e a harmonia fossem restaurados mais uma vez. Eles pensaram em destruir completamente os humanos, enfrentá-los em uma batalha e matá-los com um raio, como fizeram com os Titãs. Mas se os humanos não existissem mais, também não haveria mais tributos aos Deuses da parte dos humanos, um pensamento que os Deuses não gostavam de forma alguma.

Então Zeus encontrou outra solução. Eles dividiriam os humanos ao meio e os puniriam por seu orgulho e arrogância. Além da dor que os causaria, eles também dobrariam a população de humanos, dobrando assim os tributos que deveriam ser feitos a eles pelos humanos. E assim fizeram e os humanos em todos os lugares se dividiram em dois. Essas novas criaturas estavam vivendo em completa miséria, encharcadas de dor e tristeza. Eles estavam tão tristes que não comeriam ou beberiam por dias, sem se importar se morressem.

Apolo, Deus da música, da verdade e da profecia, da cura e da luz, não suportava vê-los assim, então para amenizar suas dores, ele os costurou, reconstituiu suas formas corporais e apenas deixou o umbigo como único lembrete de sua origem. Formato. Assim, os humanos passaram de criaturas de dupla face e duplo sexo com oito membros, para criaturas de face única de um único sexo, com dois braços e duas pernas. E eles sempre ansiaram por sua alma e outra metade física. Sua natureza física sentiria um desejo ardente de ser completada com a natureza física do outro sexo, e sua alma ansiava que a outra metade de sua alma fosse completa, sua alma gêmea. E de acordo com o mito, quando essas duas metades se encontrarem, haverá uma compreensão silenciosa uma da outra, elas se sentirão unidas e existirão uma com a outra em uníssono e não conhecerão alegria maior do que essa.

Em tempos muito posteriores, a noção de que Deus criou almas andróginas, almas que são tanto homem quanto mulher, ainda existe na Teosofia. Outras teorias afirmam que as almas separadas nos dois gêneros podem ser devido ao carma incorrido de sua existência na Terra, ou devido à sua “separação de Deus”. Acredita-se em alguns gêneros da Teosofia que cada metade da alma busca a outra ao longo de muitas reencarnações neste mundo. Quando suas dívidas cármicas forem pagas e eles forem liberados, as duas metades se fundirão novamente em união e retornarão ao Último.

Se a história da alma gêmea é puramente um mito ou se há alguma verdade nela, podemos nunca saber. Porém, os sortudos que encontraram sua alma gêmea, ou dupla chama, parceira na vida, todos eles descrevem o sentimento de maneira semelhante: “Ele era o estranho que eu reconheci. Ela imediatamente se sentiu em casa para mim. Era como se nos conhecêssemos há anos. Parecia que pertencíamos um ao outro. ” Portanto, que todos possamos trilhar sem medo este caminho corajoso de encontrar Aquele para nós, Aquele que Somos nós. E que nunca cedamos em nossa busca pelo verdadeiro amor. E a Busca será desafiadora, com amor que não é puro disfarçando-se de Amor Verdadeiro, com a gente perdendo a fé e talvez nos conformando com algo menos enquanto nos convencemos de que o Amor Verdadeiro é uma fantasia. Em um mundo assustador, cheio de barulho e desorientação, que nossos corações sejam fortes e nossa vontade inflexível. Pois se não, somos nós que pagaremos o preço, uma vida não realizada, uma felicidade não encontrada, um lar nunca sentido. Pois o lar não é um lugar. É um sentimento.

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2021

The Road Not Taken (Robert Frost)



 A estrada não trilhada - Robert Frost

Tradução: Renato Suttana.  

Num bosque, em pleno outono, a estrada bifurcou-se,
mas, sendo um só, só um caminho eu tomaria.
Assim, por longo tempo eu ali me detive,
e um deles observei até um longe declive
no qual, dobrando, desaparecia…

Porém tomei o outro, igualmente viável,
e tendo mesmo um atrativo especial,
pois mais ramos possuía e talvez mais capim,
embora, quanto a isso, o caminhar, no fim,
os tivesse marcado por igual.

E ambos, nessa manhã, jaziam recobertos
de folhas que nenhum pisar enegrecera.
O primeiro deixei, oh, para um outro dia!
E, intuindo que um caminho outro caminho gera,
duvidei se algum dia eu voltaria.

Isto eu hei de contar mais tarde, num suspiro,
nalgum tempo ou lugar desta jornada extensa:
a estrada divergiu naquele bosque – e eu
segui pela que mais ínvia* me pareceu,
e foi o que fez toda a diferença.


*Explicando a língua portuguesa:: Ínvia - passagem de difícil acesso, passagem intransitável, impenetrável, inacessível. (segui pela passagem que me pareceu ser a de mais difícil acesso)


The Road Not Taken (by Robert Frost)

Two roads diverged in a yellow wood,
And sorry I could not travel both
And be one traveler, long I stood
And looked down one as far as I could
To where it bent in the undergrowth;

Then took the other, as just as fair,
And having perhaps the better claim,
Because it was grassy and wanted wear;
Though as for that the passing there
Had worn them really about the same,

And both that morning equally lay
In leaves no step had trodden black.
Oh, I kept the first for another day!
Yet knowing how way leads on to way,
I doubted if I should ever come back.

I shall be telling this with a sigh
Somewhere ages and ages hence:
Two roads diverged in a wood, and I –
I took the one less traveled by,
And that has made all the difference.

domingo, 14 de fevereiro de 2021

Nos encontraremos novamente


A dor do próximo está cada vez mais distante das políticas públicas em todas as esferas. Fico impressionado com o fato de vizinhos e parentes muitas vezes não perceberem nada ou serem completamente indiferentes quando uma pessoa desaparece. Há cada vez mais pessoas que desaparecem da nossa sociedade – sem que ninguém se interesse. Elas não recebem nenhuma atenção dos outros, e não apenas na morte, mas também em vida

Angústia, tristeza, enfermidade, velhice, depressão, endividamento e empobrecimento eram até então os isolantes sociais. Agora temos a modalidade viral letal, que só vem a acrescentar mais infortúnio à vida. E falando de modalidade viral letal, episódios isolados, parecidos com os que você conhece, recolhidos aqui e ali:

Dinha se preparou para o Carnaval desde a Quarta-Feira de Cinzas do ano anterior. Fez fantasia para o Sábado e segunda e outra mais sofisticada para o Domingo e terça. Comprou o Abadá para a véspera, na sexta e na despedida na quarta-feira de cinzas. Só não contava com a novidade contagiante do ano que se arrastou feito mato no meio da grama.

Cardosinho agendou as férias com um ano de antecedência. Comprou o pacote dos sonhos na agência de turismo. Esposa e crianças falaram sobre o tema meses a fio. Estudaram locais de visitação, costumes regionais, alimentação, onde comprar, o que ver, o que visitar, etc. Cardosinho ficou a ver navios parados no porto.

Delicinha sonhou com o encontro com seu grande amor, se preparou, se benzeu, se arrumou, se compôs, se refez, se benzeu, se encantou consigo mesma, só não contava com o seu grande amor receber a visita viral antes na véspera do enlace. Delicinha sentiu uma enorme pontada no peito.

Quinca Lòpez nunca acreditou nisto - era uma gripezinha, dizia aqui e ali, nas filas, nas festas, nos eventos, na feira, no banco, na intimidade do lar matriz e na intimidade do lar filial. Encontrou-se finalmente com sua parte viral, passou por semanas ruins, entubado, indo e vindo do Além. Quinca Lòpez saiu deste episódio convencido que os médicos exageraram e foi a medalhinha do seu clube do coração que o salvara, pois prometeu viver para vê-lo ser campeão.

Amelinha nunca ouviu falar nisto ou disto. Nem por isso deixou de comparecer nas obrigações do corpo e da alma. Amelinha foi enterrada sem cerimônias, numa tarde chuvosa de quinta-feira, anônima, sem alardes, sem estar nas estatísticas sem nada a não ser a fé de que nos encontraremos novamente.

É isto aí!

*Foto - sepultura do Cemitério Guayaquil / Equador

 

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

Tradições coloniais

Dom João VI*

Dia destes subi o Monte da Colina do Bom Senso e mirei o Putoscópio no passado. Regulei as lentes nano-cromáticas até 1815, e fui por rumo celestial buscando a bela cidade maravilhosa do Rio de Janeiro. Pude ver Dom João VI, cognominado O Clemente, assinando o decreto que criava o Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (que coisa linda, pois pois). Com isso, o Brasil deixou de ser colônia e foi elevado à categoria de reino.

Reino meia bomba, digamos assim, era mas não era. Embora não tivesse se tornado um país independente, passava a ter condição de - hummmmm - de similitudes, digamos assim, com a antiga metrópole do reino. Caboclos neo-corteses arriscariam dizer que aquilo era mais uma parecença, ou seja, uma coisa com aparência semelhante, só isto e ponto.

Essa medida, atendendo aos quase exclusivos interesses ingleses, foi necessária para que Portugal pudesse participar do Congresso de Viena, na Áustria. Tudo por que, ora pois pois, curiosamente foi incluída uma cláusula que exigia que só podiam participar dele (do congresso) governos que estivessem instalados em seu próprio território. E o governo de Portugal, ora pois pois, desde 1808 estava instalado no Brasil, que era sua colônia, ó pá! 

Assim foi a criação do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e a questão se resolveu sem mais querelas ou queixumes do Trás-os-Montes, passando pelo Tejo até o Algarve.

Como vê, nada foi como sugere aos olhos que lavam os fatos à jato para debaixo do tapete a história e contam versões sedutoras. Os principais objetivos do Congresso de Viena, iniciado no final de 1814, eram restaurar o poder das monarquias europeias e redefinir as fronteiras da Europa, alteradas pelas guerras napoleônicas. Só isso, nada mais.

*Quadro - Dom João VI
  Obra de Albertus Jacob Frans Gregorius
  Pintor belga (1774-1853)



O que ele disse, desdisse e redisse


O Blog ao Pé da Pitangueira não publica o material, mas convida você a ler na íntegra, direto da fonte, o que o poder executivo do governo federal disse, desdisse e redisse sobre a grave pandemia que mata indiscriminadamente a mesma população que jurou proteger:

Da gripezinha aos duzentos mil mortos 

Jornal Estado de Minas

Coluna de Humberto Martins / Roger Dias

Publicada em 07/01/2021  e  atualizada em  01/02/2021 




quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

Tudo é real e expressivo, porém efêmero e passa. (Marjorie Dawe)



Alto lá
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Fonte: Locuções (Youtube)

A Paz é a única garantia 
de se ter a felicidade verdadeira 
Fruto da confiança em Deus Pai; 
da abnegação à Sua Vontade, 
reconhecendo os seus limites. 

Saberá caminhar por entre escombros, 
tragédias e destruição, 
ciente de que caminha 
rumo às Coisas do Céu, 
do lado oposto a que seguem as multidões. 

Buscar esse estágio de Paz 
é centrar-se no que o impulsiona rumo a Deus. 
Olhar confiante Naquele que o atrai, 
sem se importar com a destruição 
que vai ficando para trás.

Tempos virão bem mais difíceis. 
Se não se acostumar 
a passar por cima das dificuldades, 
o pânico pode paralisar você 
de medo e angústia. 

Fatos adversos ao esperado 
são exercícios 
para um condicionamento Espiritual 
Tudo é real e expressivo, 
porém efêmero e passa. 

O olhar deve estar sempre 
distante das emoções. 
Fatos tristes ou que magoam, 
são as imperfeições do mundo terreno 
que cessarão com ele.

Portanto, transpor etapas difíceis 
com um olhar que vê além 
é o que se chama Paz, 
pois o que enxerga adiante 
é o Nosso grande Amor por ti.



Nunca é muita coisa (Paulo Abreu)



Nunca mais dançamos
aquela música que tocava
na cabeça quando surgia
você na minha vida

Nunca mentimos tanto
no entanto fingimos bem
Não cá dentro de mim
mas neste espaço entre nós

Nunca choramos juntos
no entanto saímos feridos
Nesta história, tristes,
das aventuras sem par.

Nunca é tempo de pranto
melhor deve ser menino
ou apelar a todos os santos
para romper esta saudade

Nunca é muita coisa
não sei mais o que pensar
Nunca mais você nunca sai
da carne, da alma, do destino.

É isto aí!

 


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Anda a estragar-me os planos (Salvador Sobral)



Alto lá!
Este poema não é meu
Confesso que copiei e colei
Autor: Salvador Sobral  - poeta, compositor e músico português


Ah faltam-me as saudades e os ciúmes
Já tenho a minha conta de serões serenos
Quero é ir dançar

Sei por onde vou
É o melhor caminho
Não deixo nada ao acaso
Por favor, anda trocar-me o passo

Tenho uma rotina
Pra todos os dias
Há de durar muitos anos
Por favor, anda estragar-me os planos

Tira os livros da ordem certa
Deixa a janela do quarto aberta
Faz-me esquecer que amanhã vou trabalhar

Ah, faltam-me as saudades e os ciúmes
Já, tenho a minha conta de serões serenos
Quero ir dançar

Ah, faltam-me as saudades e os ciúmes
Já, tenho a minha conta de serões serenos
Tardes tontas, manhãs mecânicas
Eu quero é ir dançar


Música Anda estragar-me os planos
Artista Salvador Sobral
Álbum Paris, Lisboa
Licenciado para o YouTube por
WMG, Thumb Media Music (em nome de Edições Valentim de Carvalho) e 1 associações de direitos musicais



terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Só nós dois (Tim Bernarde)


Grande amor da minha vida
Nunca se sinta sozinha
Meu amor, eu te prometo
A cada momento te fazer feliz
Meu amor eu agradeço
Para sempre o dia que eu te conheci

Quando à noite fizer frio
Nossa cama é nosso ninho
As conversas, as risadas
Pelas madrugadas nunca vão ter fim
Nos teus braços, meus abraços
Beijos demorados antes de dormir

Só nós dois
Só nós dois
Pra sempre eu quero estar
Ao seu lado, amor

Nunca em toda minha vida
Sonhei nada parecido
Ninguém te imaginaria
Ninguém sonharia alguém como você
Se hoje a realidade 
é bem maior que o sonho
Eu já sei por quê

Minha grande companheira
Quero a nossa vida inteira
Cada parte do caminho
Cada desafio junto com você
Saiba sempre que eu te amo
É lindo, é tão gigante
O que a gente tem

Só nós dois
Só nós dois
Pra sempre eu quero estar
Ao seu lado, amor
Ao seu lado, amor

Fonte Youtube: Tim Bernarde - Só Nós Dois  
Produção:  Zoe Films com curadoria da Casa Natura Musical.
MINIDocs® 2020 todos os direitos reservados.