quarta-feira, 18 de julho de 2018

Armandinho e Carminha - uma noite na casa do patrão


Ainda não tinha achado as chaves do carro, quando deparou com os óculos sobre a mesa da copa. Colocou-o no rosto, e ao passar peça cozinha viu a carteira com os documentos na aba lateral do velho fogão esmaltado. Ritualmente benzeu-se e agradeceu ao santo de plantão pelo achado.

Entrou no quarto, na cama uma mulher totalmente desconhecida, linda, na casa dos quarenta anos, mais ou menos. Ela entreabriu os olhos, puxou-o violentamente e uma hora depois viu a camisa social na cadeira, como deixara na véspera. Deu dois passos para trás e só então percebeu que ainda estava com a camisa do pijama. Riu da situação, e ao colocar a camisa, só então deu conta de que ainda não vestira a calça. Olhou para a cadeira, levou a mão direita no queixo e nada. A memória estava irritantemente traiçoeira.

Voltou à cozinha, viu o lixo sobre a pia, fechou a sacola e foi colocá-la na área externa, quando do deu conta de que a calça dormira no varal. Riu do absurdo. vestiu a calça quando percebeu que estava sem os sapatos e as meias. Caminhou até a sala, sentou no sofá e viu o sapato no canto da porta. Lembrou que tirou para entrar em casa. Calçou as meias e os sapatos. 

Bateu a mão no bolso e sentiu a carteira, passou os dedos na face e sentiu os óculos, cutucou o bolso da frente da calça e lembrou das chaves do carro. Então era isto que eu procurava. Voltou ao quarto e 
avistou o paletó na cabeceira da cama. Achou graça da situação. 
Vestiu o paletó e logo o barulho do molho de chaves soou do bolso inferior externo. Levou a mão esquerda ao bolso superior interno e achou o documento do carro.

Pensou que poderia estar atrasado e não viu o relógio no pulso e nem o celular no bolso. Voltou à sala, abriu a porta e dirigiu-se ao carro. A vizinha acenou do outro lado da rua. Atravessou lentamente, olhando para os lados, meio intrigado com tudo. Ela abriu a porta, puxou-o rapidamente, e gemeu falando ou falou gemendo - entra logo, que ele já saiu ... Ao se despedirem, num longo e apaixonado beijo, ela devolveu o celular e o relógio que ficaram na mesa da sala.

Passou a manhã tentando lembrar quem era aquela mulher, a outra mulher ... que lugar era aquele, aí se lembrou que prometeu dormiu na casa do chefe que viajou. Assim que chegou no escritório, tinha cinco recados para ele. Era do chefe.

Retornou a ligação, e antes de explicar, ouviu o mais estranho pedido de desculpas que já escutara:

Armandinho, desculpa, eu te dei o endereço errado. Era Rua da Tarde, 45, Bairro Floresta e na pressa eu disse rua Floresta 45, Bairro da Tarde. desculpa aí, puxa vida. Foi mal. Semana que vem eu chego e a gente beba alguma coisa para compensar este erro. E não precisa se preocupar, já resolvi com o zelador, que vai cuidar da casa. Obrigado pela compreensão.

Ligou para a esposa - Carminha, vou ter que dormir outra vez na casa do patrão , amanhã eu prometo que volto, eu sei que é exploração, mas fazer o que, Carminha?

É isto aí!

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Gratidão!